EUA. Suicídio assistido: tribunal poupa as freiras. Artigo de Phyllis Zagano

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12 Agosto 2026

"Chegamos ao ponto em que as pessoas se perguntam até mesmo o que há de errado com o suicídio."

O artigo é de Phyllis Zagano, publicado por Settimana News, 06-08-2026. 

Phyllis Zagano integrou a Comissão para o Estudo do Diaconato das Mulheres (2016-2018). É investigadora na Universidade de Hofstra, Hempstead, Nova York, e o seu livro mais recente é The Vatican and Women Deacons (Orbis, 2026).

Eis o artigo.

Um tribunal federal decidiu que, pelo menos por enquanto, as freiras de Nova York não terão de colaborar com a morte dos pacientes confiados aos seus cuidados.

Você leu bem.

Desde quarta-feira, 5 de agosto, entrou em vigor no Estado de Nova York a Medical Aid in Dying Act, que permite aos residentes que têm seis meses ou menos de vida obter uma receita médica para pôr fim à própria existência. Graças, porém, a um recurso apresentado em nome das religiosas pelo Becket Fund for Religious Liberty, os hospitais e casas de repouso católicos estão, pelo menos por ora, isentos da aplicação da lei.

A decisão emitida na semana passada pelo Tribunal Distrital Federal para o Distrito Norte do Estado de Nova York concede às Carmelite Sisters for the Aged and Infirm uma medida cautelar temporária que impede o Estado de obrigá-las a oferecer a eutanásia às pessoas assistidas em suas instituições. Aderiram ao recurso também as Benedictine Sisters, que administram o St. Joseph's Home for the Aged, as Dominican Sisters of Hawthorne, as Little Sisters of the Poor, a Catholic Health e a Diocese Católica de Rockville Centre.

Como chegamos a este ponto?

A lei de Nova York não se limita a autorizar os médicos a administrar doses mais elevadas de morfina. Ela impõe a todos os profissionais de saúde que forneçam aos pacientes, caso o solicitem, os medicamentos para o suicídio assistido, ou que os transfiram para outra instituição de saúde disposta a fazê-lo. Médicos e enfermeiros são ainda obrigados a apresentar aos pacientes todas as opções disponíveis — incluindo cuidados hospitalares, cuidados paliativos e suicídio assistido — e, se o paciente escolher esta última possibilidade, a prescrever os medicamentos necessários para tirar a própria vida, ou a encaminhá-lo a outro profissional ou instituição disposta a praticar tal procedimento.

E eis o ponto crucial: por ora, as freiras estão protegidas, mas qualquer outra pessoa que se recuse a cumprir a lei corre o risco de perder a licença profissional e/ou a autorização de sua instituição, além de incorrer em prisão.

Se lhe parece inacreditável que o Estado de Nova York sustente que profissionais de saúde católicos — para os quais o suicídio assistido é moralmente inaceitável — devam contribuir para ajudar as pessoas a se matarem, reflita mais um pouco. Muitos, senão a maioria, dos hóspedes assistidos pelas religiosas são pobres, por vezes indigentes. Podem não ter família. Podem viver graças a auxílios públicos. Muitos os consideram pessoas já inúteis para a sociedade. Será que o Estado de Nova York está talvez avançando uma proposta ditada por razões econômicas?

As Carmelite Sisters for the Aged and Infirm, embora sediadas em Nova York, administram dezenove instituições distribuídas em oito estados americanos e uma na Irlanda. Algumas delas, incluindo as seis presentes no Estado de Nova York, abrigam padres católicos junto com religiosas e religiosos. E agora o Estado pretende obrigar freiras a explicar a eles as possibilidades oferecidas pela "assistência médica ao morrer"?

Já é grave o suficiente que Nova York tenha se somado ao número crescente de estados americanos que permitem a eutanásia. Atualmente são treze os estados, além do Distrito de Columbia, que a legalizaram, mas o fenômeno continua a se expandir. Não vai demorar muito até que também o Congresso decida seguir o exemplo da dezena, aproximadamente, de países do mundo que consideram positiva a chamada "morte medicamente assistida". O aspecto mais inquietante é que muitos desses países têm uma população em ampla maioria cristã, muitas vezes também católica. Cerca de 62% dos estadunidenses se declaram cristãos: isso será suficiente para deter essa deriva?

Há algo profundamente errado em uma sociedade — em qualquer sociedade — que impõe, ou mesmo apenas permite, a eutanásia. Alguns exaltam aquilo que chamam de benefícios da "livre escolha". Periodicamente, organizações como Compassion & Choices, Death with Dignity ou a World Federation of Right to Die Societies recolhem a herança do principal promotor do suicídio assistido, Jack Kevorkian, morto em 2011, sustentando nos tribunais e nos meios de comunicação que a eutanásia representa um bem.

Chegamos ao ponto em que as pessoas se perguntam até mesmo o que há de errado com o suicídio.

O Estado de Nova York deverá responder ao recurso até 8 de setembro, festa da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria. A réplica das religiosas é esperada para 15 de setembro, memória de Nossa Senhora das Dores.

Resta apenas esperar que prevaleça o bom senso. A vida em jogo pode ser a sua.

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