Trump encontra (para sua surpresa) adversários à altura no Irã: líderes tão obstinados quanto ele. Artigo de Andrew Roth

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05 Agosto 2026

O presidente dos EUA limitou-se a lamentar o que considerou a "incrível hipocrisia" de Teerã, enquanto enfrenta a difícil tarefa de encontrar uma base sólida para as negociações.

O artigo é de Andrew Roth, correspondente de assuntos globais do The Guardian, publicado por The Guardian, e reproduzida por El Diario, 04-08-2026.

Eis o artigo.

Donald Trump sempre teve uma relação frágil com a verdade. Foi seu mentor, o advogado nova-iorquino Roy Cohn, quem o ensinou a sempre proclamar a vitória e jamais admitir a derrota quando era um jovem magnata do ramo imobiliário. Infelizmente para Trump, no Irã, o presidente americano encontrou um adversário tão obstinado quanto ele.

Embora Trump tenha afirmado que novas negociações com Teerã começariam esta semana, o Irã demonstrou que também pode reacender o conflito ao lançar mísseis balísticos contra bases americanas na região e manter o controle absoluto sobre o Estreito de Ormuz, o que lhe permite tomar a iniciativa no processo de paz paralisado. E o tempo está se esgotando para Trump, com a iminência de uma crise energética global e uma desafiadora eleição de meio de mandato à sua espera, bem como de seu partido Republicano.

No entanto, assim que Trump anunciou sua mais recente tentativa de chegar a um acordo de paz, o Irã a negou, e o presidente americano voltou a se enfurecer. "Os líderes do Irã são incrivelmente hipócritas!", publicou ele em sua conta no Truth Social, onde afirmou que o Irã havia implorado por uma reunião e que as negociações já haviam começado. "Nada chega ao Irã a menos que nós queiramos, e nada chegará a menos que haja um acordo ou rendição total."

Desde o início do conflito, Trump tem repetidamente afirmado que um acordo final com o Irã é iminente, e seu anúncio mais recente de que novas negociações poderiam culminar em um acordo de paz em poucos dias demonstra o desespero de seu governo em reabrir o estreito e encontrar uma saída para a crise. Depois de prometer um golpe decisivo contra o Irã, Trump deu uma guinada radical no domingo, declarando que as negociações continuariam e que os "limites de um acordo" haviam sido definidos para a abertura do Estreito de Ormuz e a "desnuclearização do Irã".

Infelizmente para ele, os iranianos não compartilham da visão de Trump. Em um comunicado divulgado na segunda-feira, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã negou que negociações de paz estivessem em andamento. “Atualmente, não estamos negociando com os Estados Unidos”, afirmou Esmaeil Baqaei. “Nossas negociações são com Omã para garantir a passagem pelo Estreito de Ormuz.”

Essas negociações podem resultar em um acordo. Mas isso não significaria que o Estreito de Ormuz recuperaria seu status pré-guerra, acrescentou Baqaei, o que, na prática, manterá essa via navegável como fonte de disputa política no futuro. "Devemos garantir que o Estreito de Ormuz não seja usado indevidamente por aqueles que cometeram atos de agressão contra o Irã", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

Aparentemente, pouco mudou desde a última rodada de negociações. O Irã ainda tem a capacidade de fechar o Estreito de Ormuz e impedir o tráfego marítimo — incluindo o de um quinto do suprimento mundial de petróleo — por meio dessa via navegável crucial. Os Estados Unidos ainda têm a capacidade de infligir ataques devastadores ao Irã — apesar das preocupações com a escassez de munições essenciais que poderiam ser necessárias para uma guerra contra rivais maiores, como a China — mas carecem de alvos significativos que possam compelir o Irã a mudar sua política.

Três tréguas fracassadas

O governo Trump expressou seu desejo de encerrar o conflito que iniciou em abril e, desde então, três cessar-fogos foram negociados, mas fracassaram. A pouco mais de três meses das eleições de meio de mandato nos EUA, nas quais se espera que os republicanos percam a Câmara dos Representantes e possivelmente até o Senado, uma nova pesquisa Reuters/Ipsos publicada na semana passada revela que menos de um terço dos americanos apoia a guerra no Irã e 69% acreditam que Trump não explicou claramente os objetivos da intervenção militar dos EUA no Irã.

Para Teerã, a imprevisibilidade estratégica tornou-se uma nova arma em uma guerra que, paradoxalmente, fortaleceu sua posição de negociação, dando-lhe novas ferramentas para restringir o fornecimento global de petróleo e atacar os aliados regionais dos Estados Unidos no Golfo.

O Irã concluiu que sua melhor estratégia é "maximizar os danos que pode infligir aos Estados Unidos e seus parceiros na região", explicou Alex Vatanka, pesquisador sênior do Middle East Institute e especialista em segurança do Oriente Médio com foco no Irã, no podcast do instituto na semana passada. Segundo Vatanka, Trump "ainda não está pronto para um acordo com o Irã, pelo menos não um que beneficie os iranianos".

O Irã também enfrenta pressão constante devido ao bloqueio dos EUA, que efetivamente paralisa o comércio exterior.

“A liderança iraniana chegou a um ponto em que acredita que permanecer passiva e se envolver em uma série de negociações diplomáticas não é a melhor estratégia”, acrescentou. “Eles estão tentando provocar uma mudança para chamar a atenção de Trump e ver se conseguem um resultado diferente.”

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