Temperatura dos oceanos atinge recorde e coloca 55% dos corais do planeta em risco

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03 Julho 2026

Em junho, temperatura média global da superfície do mar atingiu o maior nível já registrado; “Estamos em território desconhecido”, diz especialista.

A reportagem é de Priscila Pacheco, publicada por Observatório do Clima, 02-07-2026.

As temperaturas globais do ar ainda não superaram os níveis registrados em 2024, o ano mais quente já registrado. Nos oceanos, porém, o cenário é diferente. O Copernicus, serviço climático europeu, confirmou que a temperatura média global da superfície do mar já ultrapassou os recordes para esta época do ano.

Os dados diários da organização mostram que em 21 de junho a temperatura média global da superfície do mar atingiu 20,86°C, um pouco acima dos 20,83°C observados em 2023 e 2024 para o período.

Segundo o Copernicus, este novo recorde global de temperatura da superfície do mar para esta época do ano era esperado por causa do início do fenômeno natural El Niño no Pacífico Equatorial. As águas dos oceanos, no entanto, já apresentavam temperaturas anormalmente elevadas por causa do aquecimento global provocado por ações humanas.

“As condições atuais podem indicar o início de uma nova fase, levando, mais uma vez, a um território desconhecido. Com as temperaturas oceânicas nesses níveis e o El Niño no horizonte, é provável que vejamos mais recordes de temperatura serem quebrados nos próximos meses”, diz Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Mudanças Climáticas do Copernicus.

Dados preliminares dos últimos dias de junho reforçam essa tendência. O monitoramento diário da Universidade de Maine, nos Estados Unidos, mostra que as temperaturas continuaram acima dos anos anteriores no fim do mês.

Neste cenário, os corais permanecem em risco. Levantamento do Observatório do Clima com dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) mostra que, das 219 estações monitoradas ao redor do mundo, 55% registram algum nível de estresse por causa da água aquecida.

Aumentou também a participação dos alertas de branqueamento nos níveis 1 e 2. Em abril, eles representavam 11% do total; agora, correspondem a 13%.

O nível 1 indica branqueamento inicial com risco de se espalhar pelo recife, e o nível 2 aponta risco de mortalidade entre corais mais sensíveis ao calor. O Pacífico Oriental, a Polinésia, as Ilhas Remotas do Pacífico dos Estados Unidos, a Micronésia, o Triângulo de Corais, o Oriente Médio e o Sul da Ásia são áreas com pelo menos um registro de nível 2.

As estações da Grande Barreira de Corais e do Oceano Índico Ocidental não apresentam nenhum estresse neste momento. Nas demais estações, muitos corais estão em águas com temperaturas suficientes para desencadear o branqueamento ou já enfrentam condições iniciais para começar a branquear.

O Copernicus ressalta que um oceano mais quente provoca impactos de grande alcance. Temperaturas oceânicas elevadas mantêm a atmosfera aquecida por mais tempo, fornecem mais energia para a formação de tempestades e podem intensificar ondas de calor em áreas continentais próximas.

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