Mais informações sobre a reforma do Instituto João Paulo II. Artigo de Fabrizio Mastrofini

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27 Junho 2026

"Resta saber se essa pressão terá alguma consequência, visto que o Grão-Chanceler do Pontifício Instituto é o Cardeal Baldo Reina, Vigário do Papa para a Diocese de Roma, e que o presidente do Instituto é Monsenhor Philippe Bordeyne, teólogo francês nomeado em 2021 e confirmado para mais um mandato de quatro anos nos últimos meses", escreve Fabrizio Mastrofini, jornalista e ensaísta italiano, em artigo publicado por 26-06-2026.

Eis o artigo.

A entrevista da SettimanaNews com Dom Vincenzo Paglia, publicada em 21 de maio, foi repercutida por alguns veículos de comunicação no fim de junho e está gerando um debate acalorado.

Da extensa entrevista, a parte referente à reforma do Pontifício Instituto João Paulo II para o Matrimônio e a Família foi o foco de atenção. Como Paglia explica na entrevista:

"Conversando com o Papa, decidimos criar um novo instituto — o Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimônio e da Família — porque uma simples reforma do existente parecia muito difícil. Era preciso recriá-lo. Chegamos até a mudar o nome, com o objetivo específico de ampliar seu escopo: não mais um instituto de moral matrimonial, mas de ciências do matrimônio e da família em sua totalidade."

O objetivo poderia ser convencer Leão XIV a questionar a reforma do Instituto.

O padre Livio Melina, teólogo que dedicou toda a sua carreira acadêmica ao Instituto João Paulo II, interveio para desafiar Paglia. Em 1991, foi nomeado professor titular de Teologia Moral Fundamental. De 1997 a 2013, dirigiu a Área Internacional de Pesquisa em Teologia Moral no mesmo Instituto. Em 2002, foi nomeado vice-presidente da Secretaria Central e, de 2006 a 2016, decano.

Melina, em uma reconstrução detalhada da história publicada pelo site La Nuova Bussola Quotidiana em 20 de junho, um mês após a entrevista com Paglia, destaca que

"As ações de Paglia não foram motivadas por razões teológicas, mas por uma crítica ideológica ao Instituto. Contudo, como nos ensinou Karl Marx, a ideologia funciona como disfarce para um interesse inominável. Qual foi, então, o fator inominável no declínio de um instituto tão próspero, desejado por um Papa santo e profético? Uma resposta possível seria: a dificuldade em aceitar a mensagem sobre o matrimônio e a família que a Igreja havia proposto até então, a qual Paglia considerava irrazoável e impraticável. Dessa perspectiva, sua intervenção, na prática, bloqueou o desenvolvimento de uma proposta capaz de permanecer fiel ao ensinamento tradicional da Igreja, apresentando-o em categorias compreensíveis ao homem contemporâneo; uma proposta, simultaneamente, dotada de uma fecundidade pastoral que permitiria às pessoas vivê-la de fato".

No dia anterior, 19 de junho, o texto em inglês do longo discurso do Padre Melina foi publicado pelo Catholic World Report, parte do grupo editorial Ignatius Press, que se destaca por sua oposição à Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia. O diretor do site, Carl E. Olson, é escritor de teologia e ficção, e já apareceu diversas vezes em transmissões televisivas da EWTN, o grupo editorial multimídia cuja presidente, Maria Montserrat Alvarado, será a nova Prefeita do Dicastério para a Comunicação a partir de novembro.

Em 22 de junho, o jornal La Nuova Bussola Quotidiana publicou uma resposta, assinada por mim, abordando algumas das alegações do Padre Melina. Em seguida, o diretor do site, o jornalista Riccardo Cascioli (ex-Avvenire), também respondeu. Como complemento, o site incluiu uma coletânea de artigos publicados nos últimos anos, intitulada "O Ataque ao Instituto João Paulo II".

O artigo de Melina foi republicado em inglês pela Infovaticana, o site de notícias espanhol conhecido por suas duras polêmicas contra Paglia e o Papa Francisco. Também foi republicado pelo National Catholic Register, parte do grupo EWTN, que continua a se opor a Francisco.

Para a Itália, o site da revista católica de apologética Il Timone resume uma postagem no X contra Paglia, publicada por Dom Robert Barron, bispo de Winona-Rochester (Minnesota), conhecido pelos comentários conservadores que publica em vídeo em diversas redes sociais. Nela, Barron escreve que "a entrevista do Arcebispo [Paglia], francamente, me lembrou as discussões que tive no Sínodo sobre Sinodalidade com alguns dos meus colegas alemães". "Sob a ideia do desenvolvimento da doutrina, eles estavam ansiosos para relativizar ou mudar radicalmente os princípios que fundamentam a moral clássica. Se esse era e é realmente o objetivo, aventuramo-nos em águas perigosas."

O significado dessas intervenções críticas — aliás, apenas fragmentos da entrevista da SettimanaNews com Paglia são publicados, e ela nunca é relatada na íntegra — é expresso em um comentário publicado por La Nuova Bussola Quotidiana: "O Papa deveria restaurar o verdadeiro Instituto João Paulo II à Igreja". Um desejo muito forte:

"Parece-nos que o Monsenhor Melina enviou uma mensagem numa garrafa, confiada às águas do Tibre. Por outras palavras, esta leitura retrospectiva da obra de Paglia é oferecida ao Papa Leão XIV para a sua consideração, para que possa reorientar o atual Instituto João Paulo II de acordo com a sua vocação original e, consequentemente, modificar o seu corpo docente".

Mais uma forma de sugerir um curso de ação a Leão XIV. Resta saber se essa pressão terá alguma consequência, visto que o Grão-Chanceler do Pontifício Instituto é o Cardeal Baldo Reina, Vigário do Papa para a Diocese de Roma, e que o presidente do Instituto é Monsenhor Philippe Bordeyne, um teólogo francês nomeado em 2021 e confirmado para mais um mandato de quatro anos nos últimos meses.

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