26 Junho 2026
Alexandria Ocasio-Cortez e Chuy Garcia apresentaram iniciativas legislativas no projeto de lei do orçamento de defesa que refletem a crescente preocupação em Washington com o governo De la Espriella e uma possível expansão da cooperação militar entre os EUA e a Colômbia.
A informação é de Andrés Gil, publicada por elDiario.es, 25-06-2026.
Fiscalização da relação bilateral entre o próximo governo do presidente eleito colombiano, o ultradireitista Abelardo de la Espriella e os EUA de Donald Trump. Na Câmara de Representantes dos Estados Unidos acaba de apresentar três iniciativas legislativas que podem ter implicações muito relevantes para as relações entre os EUA e a Colômbia.
Estas são três emendas à Lei do Orçamento de Defesa dos Estados Unidos para o ano fiscal de 2027, que começa em 1º de outubro. Essas iniciativas visam, essencialmente, condicionar o tipo de cooperação e assistência militar que Washington pode fornecer à Colômbia.
A primeira emenda foi apresentada pelo congressista democrata Jesús "Chuy" García, do estado de Illinois, e propõe que os programas de assistência de segurança dos EUA para governos cujos altos funcionários tenham ligações com as antigas Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) ou organizações associadas a elas sejam revistos para garantir que esses grupos paramilitares não se beneficiem direta ou indiretamente da cooperação dos EUA.
Na prática, esta emenda visa Abelardo de la Espriella, dadas as evidências que o ligam a grupos de autodefesa e figuras associadas a organizações paramilitares colombianas.
Uma segunda emenda, também apresentada pelo deputado Chuy García, reafirma que os acordos de paz de 2016 foram um marco para a Colômbia e que os Estados Unidos devem continuar a apoiar sua plena implementação. Ela também alerta que quaisquer retrocessos nesses avanços colocariam em risco os interesses de segurança nacional tanto dos Estados Unidos quanto da Colômbia.
Por fim, uma terceira emenda, apresentada pela deputada Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York, e pelo deputado Greg Cassar, do Texas, exige que o Departamento de Estado investigue violações de direitos humanos ocorridas na Colômbia no passado, incluindo execuções extrajudiciais conhecidas como "falsos positivos", e avalie se a cooperação militar dos EUA entre 1980 e 2010 contribuiu para esses abusos.
Espera-se que essas três iniciativas legislativas sejam votadas a partir da próxima semana ou dentro das próximas duas semanas, a menos que sejam bloqueadas por um membro do Congresso dos EUA.
Essas emendas refletem a crescente preocupação em Washington com o governo De la Espriella, que assumirá o poder, e as implicações da expansão da assistência e cooperação dos EUA em segurança com a Colômbia. Essa expansão é prevista tanto pela forte afinidade ideológica entre os governos De la Espriella e Trump quanto pela inclusão anunciada da Colômbia no Escudo das Américas, a aliança militar da Casa Branca com seus parceiros latino-americanos.
Esses projetos de lei também demonstram que, para vários parlamentares democratas, supervisionar a assistência em segurança à Colômbia será uma prioridade, tanto pela agenda linha-dura de De la Espriella quanto pelo receio de repetir os erros do Plano Colômbia, quando a expansão da ajuda militar dos EUA coincidiu com algumas das mais graves violações de direitos humanos na Colômbia.
Na semana passada, 11 membros do Congresso dos Estados Unidos assinaram uma carta expressando sua preocupação com a interferência do governo Trump no segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia e apontando as ligações de De la Espriella com grupos paramilitares.
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