De la Espriella vence as eleições na Colômbia, segundo contagem preliminar, e consolida a guinada ultraconservadora na América Latina

Foto: Federico Rios/Mídia NINJA

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22 Junho 2026

Segundo a contagem preliminar, o candidato de extrema-direita Abelardo de la Espriella vence o segundo turno das eleições na Colômbia contra o histórico ativista de direitos humanos Iván Cepeda.

A reportagem é de Martín Cúneo, publicada por El Salto, 22-06-2026.

Ex-advogado de paramilitares e narcotraficantes, misógino, homofóbico, admirador de Trump, Bukele, Bolsonaro e Milei, cidadão americano e declarado defensor da intervenção dos EUA em seu país, o populista de extrema-direita Abelardo de la Espriella venceu as eleições na Colômbia, segundo dados da apuração preliminar.

Os resultados preliminares, com 100% dos votos apurados, mostram uma vitória apertada para o candidato do Movimento Defensores da Pátria. Com 49,7%, De la Espriella se tornará o próximo presidente da Colômbia, caso a contagem oficial confirme os resultados. Com 48,7%, a candidatura de Iván Cepeda e Aída Quilcué, senadora e líder do povo Nasa de Cauca, fica a apenas 250 mil votos de seu oponente, que representa um modelo diametralmente oposto ao apresentado pela candidatura do Pacto Histórico.

Tanto Cepeda quanto o presidente Gustavo Petro pedem paciência até a apuração final. Nas eleições recentes, houve discrepâncias entre a contagem preliminar e a contagem oficial, que permite à autoridade eleitoral declarar a vitória, mas essas discrepâncias não foram significativas o suficiente para anular os resultados deste domingo, 21 de junho. Apesar de reconhecer os resultados provisórios, Cepeda anunciou que solicitou a contestação dos resultados de 33 mil seções eleitorais, segundo a agência EFE.

Cepeda e Quilcué começaram a corrida presidencial com uma vantagem de mais de 20 pontos, enfrentando uma direita dividida e o uribismo, representado pela candidata Paloma Valencia, sem apoio significativo. A disputa jurídica Contrariando o Pacto Histórico e o esforço contínuo e sistemático dos principais meios de comunicação para minar sua candidatura, a figura até então desconhecida de De la Espriella tornou-se a única opção contra o ativista que poderia dar continuidade ao projeto de Gustavo Petro.

A vitória do candidato de extrema-direita no primeiro turno das eleições, com 43,78%, já indicava um possível resultado deste segundo turno, onde todos os votos uribistas se concentraram na figura deste advogado criminalista e influenciador.

A reviravolta eleitoral na Colômbia, que põe fim ao primeiro governo de esquerda do país, ocorre poucas semanas depois das eleições no Peru, onde tudo indica que a candidata de direita, Keiko Fujimori, será declarada vencedora. A guinada à extrema-direita foi precedida pela intervenção dos EUA na Venezuela e pelas vitórias de José Antonio Kast no Chile, Daniel Noboa no Equador e Nasry Asfura em Honduras, todos candidatos apoiados por Donald Trump.

No continente, apenas o Brasil e o México ainda resistem à ofensiva da extrema-direita, apoiada sem reservas ou dissimulação por Washington, cujo próximo objetivo declarado é a queda da simbólica Revolução Cubana.

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