18 Junho 2026
O documento descreve os elogios de De la Espriella aos líderes paramilitares, sua oposição ao histórico Acordo de Paz de 2016 e as acusações contra ele de apropriação indébita de fundos destinados "a subornar figuras-chave do judiciário".
A reportagem é de Andrés Gil, publicada por El Diario, 17-06-2026.
Um grupo de congressistas democratas, liderado por Jesús "Chuy" García (Illinois), está pressionando o governo Trump a parar de interferir nas eleições presidenciais colombianas, que realizam seu segundo turno neste domingo entre o candidato progressista Iván Cepeda e o candidato de extrema-direita apoiado pelo presidente dos EUA, Trump, Abelardo De la Espriella. García está à frente da elaboração de uma carta endereçada ao Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao Secretário do Tesouro, Scott Bessent, e ao Procurador-Geral interino, Todd Blanche.
Na carta, eles expressam sua profunda preocupação com a flagrante interferência de altos funcionários dos EUA, incluindo o presidente Donald Trump, nas eleições presidenciais colombianas.
A carta, assinada por um total de 11 congressistas e apoiada por grupos progressistas e religiosos, detalha como o presidente dos EUA e congressistas republicanos expressaram forte apoio a Abelardo De la Espriella, “um candidato com um histórico profundamente preocupante que parece contrariar os interesses e, potencialmente, as leis dos Estados Unidos”.
A carta foi enviada um dia depois de as autoridades de imigração dos EUA deterem Beto Coral, um influenciador colombiano de destaque que apresentou queixa-crime contra De La Espriella, poucos dias antes das eleições presidenciais em um importante país latino-americano onde a Casa Branca disputa influência.
“Essa interferência é especialmente alarmante, considerando o histórico de De la Espriella. Advogado de defesa em casos criminais e empresário, ele tem sido alvo de escrutínio devido à origem de sua fortuna e seus laços com clientes colombianos, incluindo Alex Saab, um intermediário multimilionário que trabalha para Nicolás Maduro e que atualmente enfrenta acusações criminais federais no Distrito Sul da Flórida por supostamente lavar milhões de dólares”, acrescenta a carta.
O documento revela outras informações preocupantes sobre De la Espriella, como seus elogios a líderes paramilitares, sua oposição ao histórico Acordo de Paz de 2016 e as acusações contra ele de ter desviado fundos destinados "a subornar figuras-chave do judiciário".
A carta conclui instando o governo dos EUA a cessar sua interferência nas eleições presidenciais colombianas, a revisar as acusações contra De la Espriella e a origem dos fundos que ele usou para adquirir diversas propriedades na Flórida, bem como a “respeitar, e não minar, a democracia e a soberania de nossos vizinhos na região”.
Os membros do Congresso que assinaram a carta são Greg Casar (Texas), Maxwell Frost (Flórida), Jonathan Jackson (Illinois), Pramila Jayapal (Washington), Summer Lee (Pensilvânia), Mike Quigley (Illinois), Delia Catalina Ramirez (Illinois), Jan Schakowsky (Illinois), Rashida Tlaib (Michigan) e Nydia Velázquez (Nova York).
A carta conta com o apoio do Grupo de Trabalho Latino-Americano (LAWG), do Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR), da Demand Progress, da Just Foreign Policy, da Rede de Liderança Religiosa de Chicago para a América Latina (CRLN), da Equipe de Justiça das Irmãs da Misericórdia das Américas, do Escritório Maryknoll para Assuntos Globais, do Comitê de Justiça e Paz de Denver (DJPC) e da Força-Tarefa Inter-religiosa para a América Central (IRTF).
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