13 Junho 2026
Os atuais 367.800 pesos representam apenas um terço do seu poder de compra em 2011. O governo Milei exacerbou essa tendência de queda ao reduzir gastos e benefícios sociais atrelados a esse valor de referência.
A reportagem é de Marcelo Di Bari, publicado por El Tiempo Argentino, 11-06-2026. A tradução é do Cepat.
O salário mínimo, vital e móvel, considerado um salário digno, perdeu 66% do seu poder de compra nos últimos 15 anos e caiu 38% em apenas dois anos e meio. Essas são algumas das principais conclusões de um estudo realizado pela Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Buenos Aires.
Desde 1º de junho, esse valor de referência é de 367.800 pesos, uma quantia irrisória que mal cobre um quarto da cesta básica para uma família, estimada pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) em 1.469.768 pesos. Essa queda se deve ao fato de que seu reajuste, em termos nominais, é consistentemente menor do que a taxa média de inflação geral. Em particular, durante os dois anos e meio do governo de Javier Milei, o aumento nominal foi de 136%, comparado a uma taxa de inflação acumulada de cerca de 312%.
Segundo dados históricos do Centro de Estudos de História Econômica Argentina e Latino-Americana (CEHEAL), em 2011 o salário mínimo, vital e móvel era de 1.059.903 pesos, ajustado pela inflação até abril de 2016. Desde então, despencou para apenas um terço desse valor.
Nesse sentido, o funcionamento do Conselho Nacional do Salário Mínimo, órgão tripartite onde representantes dos setores empresarial, sindical e governamental deveriam discutir seu valor, tem sido amplamente ineficaz: todas as audiências entre as partes fracassaram e o governo federal acabou fixando o valor de maneira unilateral.
Não é coincidência que as decisões do governo libertário tenham demonstrado uma tendência sistemática de queda no valor real do salário mínimo. “Nos últimos dois anos, o salário mínimo caiu significativamente, e isso se deve a vários motivos, como o fato de muitos indicadores, como a aposentadoria mínima para quem tem 30 anos de contribuição, as bolsas do Progresar ou certos auxílios familiares, estarem atrelados ao salário mínimo. Assim, como estratégia para reduzir certas despesas, o governo congelou o salário mínimo em níveis ridiculamente baixos”, explicou Angel Cerra, pesquisador do Ceheal.
Para referência, quando Javier Milei chegou à Casa Rosada (o palácio presidencial argentino), o salário mínimo era equivalente a 589.124 pesos em valores atuais, segundo estimativas desse centro de pesquisa.
Por definição, o salário mínimo é a remuneração mínima que um trabalhador sem dependentes deve receber por sua jornada de trabalho legal, garantindo alimentação adequada, moradia digna, educação, vestuário, saúde, transporte, lazer, férias e previdência social. Além disso, deve ser reajustado periodicamente e não pode ser reduzido por acordo coletivo ou contrato individual.
Por que é crucial?
Quando foi criado em 1964 (durante a presidência de Arturo Illia), seu valor foi fixado em 14.000 pesos. O valor atualizado seria em torno de 1.838.000 pesos, cinco vezes o valor atual. Segundo a estimativa do Ceheal, com o salário mínimo daquela época, seria possível comprar 130 quilos de carne, em vez dos atuais 20; pagar 2.333 passagens de ônibus, em vez das atuais 515; e arcar com quase dois meses de aluguel médio, em vez dos 10 dias que cobre os preços de hoje.
A redução do salário mínimo é crucial, pois serve como referência para negociações salariais, atualização de benefícios sociais e concessão de subsídios, entre outras variáveis.
Contudo, a batalha cultural travada pelo governo libertário contra qualquer interferência estatal para defender os direitos dos trabalhadores parece ter sido bem-sucedida. Como o próprio nome indica, suas características de ser um salário mínimo, vital e ajustável deveriam garantir um salário mínimo aos trabalhadores; assegurar que suas necessidades diárias sejam atendidas; e protegê-los da perda do poder de compra. Nada disso parece estar garantido atualmente.
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