Na Igreja, as mulheres ainda lutam para serem ouvidas. Artigo de Simona Segoloni Ruta

Foto: Joel Muniz | Unsplash

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12 Junho 2026

A palavra na Igreja tem um peso específico muito elevado, porque a dinâmica constitutiva do "nós" eclesial está precisamente relacionada à palavra, visto que consiste em transmitir e partilhar o Evangelho.

O artigo é de Simona Segoloni Ruta, Presidente Coordenação Teólogas Italianas, publicado por "Donne Chiesa Mondo", 11-06-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Perguntar quem fala na Igreja, portanto, toca no próprio âmago da Igreja. Contudo, se a dinâmica da Igreja é a de comunicar o Evangelho, que sempre requer uma palavra explícita, quem não pode falar é excluído ou, caso possa falar apenas sob determinadas condições, é incluído parcial ou condicionalmente, isto é, excluído. Sendo assim, na Igreja todos e todas devem poder falar, isto é, testemunhar o que creem, transmiti-lo e justificá-lo. E, de fato, isso sempre aconteceu. Apesar das tentativas de silenciar as mulheres desde os últimos textos do Novo Testamento ou de relegar a sua voz apenas a determinados âmbitos (principalmente privados), as mulheres não deixaram de falar, testemunhar e transmitir, pois, caso o tivessem feito, não teríamos mais igreja, visto que elas constituem bem mais que sua metade. No Evangelho de Mateus, na manhã da Páscoa, Jesus diz às mulheres que avisem os discípulos para irem à Galileia, pois lá o veriam. Portanto, se os discípulos não as tivessem deixado falar ou não tivessem obedecido à sua palavra, não teriam visto o Ressuscitado.

No Evangelho de João, é Maria de Magdala quem retorna ao Cenáculo para contar a todos que o Senhor ressuscitou e, assim, explicar a Pedro e João o sentido do que tinham visto no túmulo.

Na primeira conclusão (Marcos 16,8) do Evangelho de Marcos, porém, as mulheres não dizem nada a ninguém sobre a ressurreição, e isso questiona o leitor: quem transmitiu a palavra, se não foram elas? Esse brilhante recurso narrativo do segundo evangelista nos adverte: se as mulheres tivessem realmente permanecido em silêncio, se tivessem obedecido àqueles que as queriam caladas, naquela ocasião e ao longo da história, ninguém teria desfrutado do Evangelho. Se elas não tivessem falado, não haveria boas novas.

No entanto, existe uma estratégia típica das culturas patriarcais para não conferir valor a tudo o que as mulheres fazem, e nesse caso consiste em nos fazer acreditar que a palavra das mulheres vale menos do que aquela dos homens. Lucas ilustra isso muito bem: quando os discípulos a caminho de Emaús encontram Jesus, relatam o que as mulheres disseram sobre a ressurreição, fazendo-nos entender que essas palavras haviam sido consideradas apenas um delírio.

Pouco depois, quando esses mesmos discípulos, reconhecendo Jesus, retornam a Jerusalém, são recebidos pelos outros que lhes dizem: o Senhor realmente ressuscitou e apareceu a Simão. Como se a aparição a Simão tivesse um peso maior, como se fosse julgado o próprio Deus por ter ousado entregar o anúncio fundamental da Igreja às mulheres.

Não nos deixamos instruir por Deus sobre quem seriam testemunhas fidedignas, aquelas escolhidas por Ele. Visto que Ele escolhe algumas mulheres, também não podemos confiar em Deus. Depois, finalmente, chegará o momento em que um homem dirá a mesma coisa (apareceu a Simão), e então, certamente, será verdade. Se quem diz isso é ele...

Ainda estamos nessa situação? Ou será que nos tornamos capazes de dar credibilidade à palavra das mulheres? Será que nos tornamos capazes de reconhecer às mulheres uma palavra fidedigna, após termos devidamente verificado (como deveríamos fazer com os homens) sua competência, seus carismas, sua capacidade de comunicação, além de seu testemunho de vida? Ainda estamos na luta.

Estamos na luta para abrir espaço para elas na pregação, mesmo que a Igreja esteja enfrentando dificuldade nesse plano como poucas vezes em sua história. Estamos na luta para valorizar carismas e competências se eles pertencem a seres humanos nascidos mulheres. E se obrigatoriamente tivermos que escolher uma mulher para falar, escolhamos uma que — não importa com qual currículo ou quais raciocínios — não assuma posições incômodas para o sistema eclesial, não questione as relações entre os sexos, em suma, uma que não cause desconforto ou que confirma o status quo. Claro que há exceções. Certamente, algo está mudando. Mas muda muito lentamente, e assim perdemos muitas palavras proferidas longe dos contextos eclesiais formais, assim como perdemos muitos dos dons que o Espírito Santo concede às mulheres. Se a Igreja ainda existe, significa que o fluxo dessa palavra testemunhal não foi interrompido, contudo, precisa abrir caminho através de mil obstáculos e constantes desconfianças.

Já sabemos há uma centena de anos que as mulheres não são seres humanos inferiores e que não são "adequadas" apenas para alguns âmbitos e algumas tarefas. Vimos elas em ação e sabemos que sabem escrever obras-primas de poesia, filosofia e literatura. Sabem fazer descobertas científicas, inventar tecnologias e ensinar em todos os campos do conhecimento.

Agora sabemos disso, e melhor do que todos o deveria saber a Igreja, cuja história começa a partir de uma palavra de mulheres que não apenas ouvem o que o Ressuscitado diz, mas o compreendem, lembrando o que haviam escutado como discípulas. Elas estão entre as testemunhas fidedignas escolhidas por Deus, que "não trata as pessoas com parcialidade, mas de todas as nações aceita todo aquele que o teme e faz o que é justo".

Compreender esse estilo de Deus quando se tratava de acolher os pagãos não foi fácil (levou alguns anos), também foi difícil com os escravos (alguns séculos), mas com as mulheres é uma verdadeira empreitada, tanto que ainda estamos no meio do processo. Certamente acontecerá, e todos e todas poderemos nos nutrir também de seu testemunho fidedigno, mas ainda não chegamos lá. Esperemos que não demore muito; mortificar o Espírito não é um pecado pequeno.

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