10 Junho 2026
"Neste período em que somos sensibilizados pelo poder emocional que o esporte, sobretudo o futebol, pode gerar em nós, podemos agir de forma comprometida com o Evangelho, assistindo aos jogos da Copa do Mundo com a nossa família ou com os nossos amigos, pois, em um mundo repleto de ódio, de indiferença e de busca desenfreada pelo poder, podemos ser sinal de misericórdia, de alegria e de diálogo, vestindo uma única camisa: a da promoção da cultura de paz e da fraternidade", escreve Amanda Oliveira, doutoranda em História Social (USP) e coordenadora da Pascom Regional Leste 2 (CNBB).
Eis o artigo.
Neste mês de junho, todos nós, cristãos católicos, fomos convocados pelo Papa Leão XIV a rezarmos em sua intenção mensal pelos “Valores do Desporto”. No próximo dia 11 de junho, todo o planeta voltará os seus olhos para a realização da 23ª Copa do Mundo FIFA, neste ano sediada nos três países da América do Norte: Canadá, Estados Unidos e México.
Sabemos que o mundo tem vivido grandes desafios causados por questões relacionadas à geopolítica e que, em especial neste ano, a falta de diálogo e a busca desenfreada pelo domínio político, cultural e econômico têm causado ainda mais violência e a morte de milhares de pessoas.
Os valores do desporto, como dito pelo Papa Leão XIV, podem ser instrumento de paz, encontro e diálogo entre as pessoas, afinal, são valores que se assemelham aos do Evangelho.
Na Carta de São Paulo aos Efésios, temos o versículo que nos aponta que “somos membros uns dos outros”, assim como um time de futebol: saímos vencedores na vida e na fé quando caminhamos juntos. Neste momento em que a Igreja nos convida a viver a sinodalidade e nos chama a “alargar os espaços da tenda” (Is 54,2), podemos nos inspirar também no esporte para sermos testemunhas vivas da fé, da esperança e da caridade, de forma concreta em nossas comunidades, por meio do diálogo e da escuta.
Quando, assistindo a uma partida de futebol, vemos que o talento coletivo se sobressai ao individual, percebemos que, afinal, assim como um time possui vários membros, no fim formam um só corpo (cf. 1 Cor 12,12). É na coletividade que se enxerga a potência do time.
Neste aspecto, temos ainda o técnico que, ao conhecer cada um dos seus jogadores, os coloca na posição certa, semelhante ao chamado que todos nós recebemos a partir dos nossos dons e talentos. A Santíssima Trindade chama cada um de nós e nos envia em missão a partir do nosso Batismo, desta forma, caminhando juntos, como corresponsáveis, para levar adiante a mensagem do Evangelho, assim como quando um time busca a vitória.
Nosso objetivo final não é uma taça qualquer, de ouro ou de prata; nossa vitória é ir ao encontro do Senhor, do próprio Cristo, que nos ensinou em diversos momentos os valores semelhantes aos do esporte: o respeito, a solidariedade e a superação pessoal, sendo Ele próprio o nosso capitão, que indica o caminho para a conquista.
O futebol possui uma característica única: ele é compreendido em praticamente qualquer lugar do planeta. No Brasil, mais do que um esporte, tornou-se patrimônio cultural, elemento de identidade coletiva e expressão da memória afetiva de milhões de pessoas. Se o futebol é capaz de unir pessoas em torno de uma mesma paixão, por que não o utilizar também para reconstruir laços sociais, promover a cultura de paz e fortalecer a fraternidade?
Assim como o Papa Leão XIV nos chama a refletir sobre os valores do desporto, ele também nos recordou: "Na vida, como no jogo, ninguém se salva sozinho". Neste período em que somos sensibilizados pelo poder emocional que o esporte, sobretudo o futebol, pode gerar em nós, podemos agir de forma comprometida com o Evangelho, assistindo aos jogos da Copa do Mundo com a nossa família ou com os nossos amigos, pois, em um mundo repleto de ódio, de indiferença e de busca desenfreada pelo poder, podemos ser sinal de misericórdia, de alegria e de diálogo, vestindo uma única camisa: a da promoção da cultura de paz e da fraternidade.
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