Repensando a crise ecológica teologicamente. Artigo de Giuseppe Canale

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30 Mai 2026

Uma referência central não pode deixar de ser o trabalho de Jürgen Moltmann, que propõe uma visão relacional do criado (cf. Deus na criação. Doutrina ecológica da criação, Queriniana, Bréscia 1988). Nessa perspectiva, o ser humano não é chamado ao domínio, mas à responsabilidade: pode ser pensado como "cocriador" e "cocurador", inserido na rede de relações que constitui o processo inteiro.

O artigo é de Giuseppe Canale, jornalista italiano, publicado por Settimana News, 25-05-2026. 

Eis o artigo. 

Ao concluir a semana Laudato Si' "Da esperança à ação" (17-24 de maio), é necessário sublinhar como, em plena crise ecológica que marca o nosso tempo, além das necessárias soluções técnicas e das estratégias políticas, emerge cada vez mais a necessidade de um olhar profundo e integral. A questão ambiental, de fato, não diz respeito apenas ao que devemos fazer para salvaguardar o planeta, mas também ao modo como compreendemos o mundo, o ser humano e sua relação com Deus e com as criaturas. Nesse horizonte se insere a contribuição de diversos teólogos contemporâneos que, a partir de perspectivas diferentes, desenvolveram uma reflexão cada vez mais atenta à dimensão ecológica da fé cristã.

Uma referência central não pode deixar de ser o trabalho de Jürgen Moltmann, que propõe uma visão relacional do criado (cf. Deus na criação. Doutrina ecológica da criação, Queriniana, Bréscia 1988). Nessa perspectiva, o ser humano não é chamado ao domínio, mas à responsabilidade: pode ser pensado como "cocriador" e "cocurador", inserido na rede de relações que constitui o processo inteiro.

Uma ulterior reflexão provém da chamada teologia ecológica de Denis Edwards. No volume Encarnação profunda. Sofrimento de Deus e redenção das criaturas (Queriniana, 2024), ele desenvolve a ideia de "encarnação profunda" (deep incarnation), segundo a qual a encarnação do Verbo diz respeito não apenas à humanidade, mas ao cosmos inteiro.

Morte e sofrimento, presentes nos processos evolutivos, não são interpretados unicamente como consequências do pecado humano, mas como realidades assumidas em Cristo. Nesse sentido, a cruz torna-se lugar de solidariedade divina com o sofrimento do criado, enquanto a ressurreição abre à esperança do cumprimento de toda a criação. Edwards integra essa perspectiva dialogando com autores como K. Rahner e N. H. Gregersen, além da tradição patrística de Ireneu de Lião e Atanásio. Emerge uma visão unitária que entrelaça criação, encarnação e redenção, valorizando também o papel do Espírito Santo no dinamismo cósmico e salvífico.

Mas como não pensar em uma ulterior contribuição crítica de Ulrich Körtner, que se interroga sobre o lugar da questão ecológica na agenda da Igreja contemporânea. Ele, justamente, alerta tanto contra o risco de um cristianismo reduzido a ética ambiental, quanto contra uma simples adesão às modas ecológicas do presente. Falar de criação, para Körtner, significa reconhecer o caráter autêntico do mundo e sua relação constitutiva com Deus, sem confundi-lo com uma realidade sacralizada.

A questão ecológica revela-se, portanto, profundamente teológica, porque envolve a relação entre Deus e o ser humano enquanto natureza criatural. Por um lado, a Igreja é chamada a um compromisso concreto e profético, como também recordou o Papa Francisco na encíclica Laudato si'; por outro, deve custodiar a própria identidade cristológica e "teológica", evitando tanto uma redução puramente ética da mensagem evangélica quanto um genérico e limitado ambientalismo.

Em seu conjunto, essas perspectivas mostram como a reflexão contemporânea não se limita a descrever a crise ecológica — e este é também o augurio para o futuro —, mas contribui para interpretá-la em chave mais ampla, integrando a dimensão cosmo-eco-lógica em uma visão unitária da criação.

Nessa direção, o pensamento teológico aparece como um espaço de discernimento e repensar necessário. E é precisamente nessa trama que se joga a possibilidade de uma conversão do olhar, capaz de converter o modo como habitamos o mundo e de restituir profundidade espiritual e responsabilidade ética ao cuidado da Casa comum.

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