Nada é mais como antes: veja como a IA está transformando nossos empregos e o mercado de trabalho

Foto: ParallelVision/Pixabay

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19 Mai 2026

Essa tecnologia revolucionária causa a perda de centenas de milhares de empregos, força as empresas a reconfigurarem inúmeras funções e cria a necessidade de treinamento da força de trabalho.

A reportagem é de Luís Enrique Velasco, publicada por El País, 17-05-2026.

Francisco Carpe sabia que receberia uma oferta de emprego logo após se formar. Ele havia estudado programação na década de 1990. O que poderia dar errado? Tendo crescido na virada do século, a geração de Carpe assistiu com entusiasmo à transformação do software na matéria-prima da economia global e, sobretudo, em um setor sinônimo de segurança no emprego. Essa última promessa foi destruída, admite Carpe. O lançamento do ChatGPT e do Claude, entre outras ferramentas de inteligência artificial (IA), reescreveu as regras para os profissionais de tecnologia e, de forma mais geral, para os funcionários de escritório. A IA questionou até que ponto certas habilidades, acumuladas ao longo do tempo, são realmente necessárias em uma longa lista de profissões. O programador de 48 anos, que trabalha para a NTT Data, lembra que escolheu ciência da computação por ser a carreira do futuro. Agora, fica a pergunta: de que futuro ele estava falando?

Até agora, neste ano, mais de 70 empresas de tecnologia eliminaram pelo menos 103 mil empregos em todo o mundo, segundo a Layoffs.fyi, uma plataforma que monitora as demissões no setor — quase o mesmo número de todo o ano de 2015, quando foram registrados 124 mil cortes de vagas. A Meta, empresa controladora do Facebook, foi a última a anunciar a demissão de 8 mil funcionários, o que representa 10% de sua força de trabalho global. Na Espanha, a Capgemini implementará um plano de redução de pessoal que afetará aproximadamente 750 pessoas, o equivalente a 6,5% de seus funcionários espanhóis. A maioria das empresas alega que a decisão decorre da necessidade de liberar capital para investir mais em inteligência artificial, sem sugerir diretamente uma substituição em massa de humanos por máquinas.

Perda de empregos em grandes empresas

Primeira parte da tabela divulgada pelo El País. Nota metodológica: Amazon e Ericsson possuem dados para a Espanha e para o mundo todo. A coluna "Número (para ordenar/somar)" utiliza o número global quando disponível. Cloudflare adicionada (7 de maio de 2026): anunciou 1.100 demissões globais (aproximadamente 21% da força de trabalho), citando explicitamente a IA agente como a causa. A Capgemini Espanha já estava incluída na tabela original. (Fonte: Declarações oficiais da empresa)

 

 

Segunda e última parte da tabela divulgada pelo jornal El País. (Fonte: Declarações oficiais da empresa)

Contudo, há claros indícios de que o mercado de trabalho do setor de serviços já não reflete o mesmo crescimento e estabilidade que o caracterizavam, pelo menos por enquanto. Na Espanha, o Inquérito à Força de Trabalho do primeiro trimestre deste ano revela que este setor já não consegue absorver o talento disponível ao mesmo ritmo dos últimos anos. Especificamente, no caso da programação, consultoria e outros serviços de TI, o mercado de trabalho espanhol empregava 512.100 pessoas no primeiro trimestre, o que representa uma diminuição de 23.400 postos de trabalho em comparação com o ano anterior.

Os produtos de software lançados este ano pela equipe de Carpe, por exemplo, contêm código escrito inteiramente com IA: "Na maioria dos casos, ele passa em todos os testes de garantia de qualidade", afirma. Mas a IA não é apenas capaz de gerar software de forma independente; esses sistemas estão começando a transformar o trabalho diário de chefs, arquitetos, médicos e comunicadores, que dependem cada vez mais de ferramentas de IA generativa. De acordo com um estudo da InfoJobs publicado em fevereiro deste ano, dois em cada três trabalhadores espanhóis já incorporam ferramentas de IA em sua rotina de trabalho.

Salvador Uixera, advogado de Valência, está saboreando o momento que essa tecnologia trouxe para seu escritório. O mundo jurídico não é mais o mesmo que ele descobriu em seu primeiro dia de trabalho, após se formar há cinco anos: “Naquele dia, entrei em uma sala cheia de jovens preenchendo formulários de reclamação pré-formatados. Nossa tarefa era preencher algumas informações e imprimir.” Parece uma eternidade, mas apenas cinco anos se passaram. No último ano, a maioria dos principais escritórios de advocacia espanhóis e internacionais abandonou pilhas de papel e optou por trabalhar com bancos de dados que a IA organiza e filtra. “A pesquisa costumava levar semanas, e agora a IA reduziu essa fase a minutos”, reconhece Uixera.

Tarefas administrativas

“Ninguém esperava que a tecnologia acabasse afetando o conhecimento e o raciocínio, que pareciam ser território exclusivamente humano”, reflete Carlos Rebate, Diretor de Transformação da Securitas, que prevê que os sistemas inteligentes ganharão cada vez mais espaço em diversas tarefas que compõem a maior parte das profissões, especialmente em tarefas repetitivas e atividades administrativas. “O trabalho será como um centauro, em grande parte impulsionado pela inteligência artificial, mas dirigido por humanos”, resume o especialista.

Perspectivas de emprego para 2030

 

Fonte: Fórum Econômico Mundial (2025). Relatório sobre o Futuro do Trabalho 2025. (Créditos: El País)

Na arquitetura, Carlos Muñoz explica que a IA foi totalmente integrada aos programas de modelagem 3D: “Está abrindo a possibilidade para que pequenas empresas embarquem em projetos ambiciosos”. Na medicina, o cirurgião Julio Mayol se esqueceu de como é trabalhar sem o apoio do ChatGPT. Ele admite que o uso de IA representa aproximadamente 90% de sua atividade profissional. “Com o ChatGPT ou o Gemini, por exemplo, posso revisar o que é publicado em revistas especializadas toda semana, e isso me fornece um resumo das ideias-chave que preciso saber para desenvolver novos projetos”. Ana Ávila, da agência de comunicação Wildcom, comenta que conseguiu reduzir a carga mental de escrever dezenas de comunicados de imprensa e se concentrar no que considera o cerne de seu trabalho. “Nossa principal tarefa é construir relacionamentos com jornalistas; é preciso ter uma sensibilidade especial para isso, e agora temos tempo para nos aprofundarmos”, explica.

Para Marcel Jansen, professor de Economia do Trabalho na Universidade Autônoma de Madri, o que distingue esta onda de automação das anteriores — a mecanização industrial, a digitalização da década de 1990 — é que ela afeta o núcleo cognitivo das atividades profissionais. A primeira grande onda de digitalização automatizou tarefas administrativas e abriu novas profissões, muitas delas no setor de tecnologia. Em ambos os casos, a transição teve um impacto decisivo no mercado de trabalho, mas o sistema teve décadas para absorver as mudanças. O desenvolvimento vertiginoso dos modelos de linguagem parece não deixar espaço para essa transição ordenada. “Afeta o raciocínio, a análise, a escrita e, portanto, indivíduos altamente qualificados”, explica Jansen. O mais preocupante é que a mudança está avançando em um ritmo que a maioria dos profissionais mal consegue acompanhar.

Carpe, da NTT Data, está testemunhando essa rápida transição. Com o lançamento de sistemas de inteligência artificial como Cursor e Claude Code, os longos dias de programação chegaram ao fim. Agora, segundo ele, os engenheiros de software têm outras funções complementares para as quais talvez não estejam preparados. Eles se dedicarão a liderar equipes, aprimorar a comunicação com os clientes e desenvolver produtos. Em breve, não escreverão mais código, mas apenas o supervisionarão. A automação dessa tarefa, no entanto, levanta uma questão inevitável: haverá trabalho suficiente para todos os profissionais do setor? E para as outras profissões ameaçadas pela IA?

Competências-chave em 2025

Percentagem de empregadores que os consideram essenciais para a sua força de trabalho.

Fonte: World Economic Forum — Future of Jobs Survey 2024, publicado em Future of Jobs Report 2025 (Janeiro de 2025). 

Arvind Narayanan, diretor do Centro de Políticas de Tecnologia da Informação de Princeton, acredita que muitos argumentos comuns sobre a substituição em massa de trabalhadores se baseiam em premissas falhas. “Não basta analisar se uma IA é capaz de executar uma tarefa; é preciso perguntar: com que frequência podemos confiar que ela a executará corretamente?” Ele cita, por exemplo, a introdução de chatbots — agentes conversacionais — no atendimento ao cliente e enfatiza a necessidade de distinguir entre capacidade e confiabilidade. “As máquinas podem ser capazes, mas ainda há um longo caminho a percorrer antes que possamos confiar nelas em uma ligação com um cliente.” No ano passado, por exemplo, um juiz ordenou que a Air Canada reembolsasse um cliente que havia recebido informações incorretas de um desses sistemas automatizados.

Carmen Pagés, diretora da Unidade de Previsão do Mercado de Trabalho e Competências da Universidade Aberta da Catalunha, argumenta que as evidências acadêmicas disponíveis sugerem que a IA, pelo menos por enquanto, não está destruindo empregos em larga escala, mas sim remodelando significativamente as tarefas dentro dos empregos existentes, e cita dois estudos relevantes. O primeiro estudo — que acompanhou as trajetórias de carreira de 25.000 trabalhadores em ocupações expostas à IA dois anos após a adoção de assistentes virtuais — concluiu que praticamente não houve efeitos sobre os salários ou a jornada de trabalho. “O que mudou foi a natureza do trabalho, já que muitos funcionários começaram a dedicar mais tempo ao monitoramento de resultados, à geração de conteúdo ou à integração da automação em seus processos”, acrescenta.

Outro estudo, com foco em 7.000 trabalhadores do conhecimento em grandes empresas, constatou que a IA reduziu significativamente o tempo gasto escrevendo e-mails e trabalhando fora do horário normal, embora isso não tenha tido impacto detectável no emprego ou nos salários. Segundo Pagés, os sinais mais visíveis aparecem entre os trabalhadores freelancers em plataformas digitais, “provavelmente o segmento mais vulnerável a essa tecnologia”. Um estudo da Universidade de Washington em St. Louis e da Universidade de Nova York concluiu que, após a implementação da IA, o volume de contratos entre freelancers caiu 2% e a renda, 5%. Mesmo assim, o acadêmico acredita que esse cenário dificilmente pode ser extrapolado para a maioria dos empregos assalariados, onde os contratos e as estruturas corporativas continuam a atuar como barreiras à automação.

A vulnerabilidade não é distribuída de forma igualitária. O Instituto Brookings alerta que as ocupações com maior risco de automação têm sido historicamente dominadas por mulheres, principalmente em funções administrativas e de escritório, onde as tarefas são repetitivas e mais fáceis de automatizar. Esse grupo é ainda mais afetado pela presença de trabalhadores mais velhos, que enfrentam simultaneamente menor capacidade de requalificação profissional e menos tempo para se adaptar às novas demandas do mercado.

Danos sociais

Seja porque a IA está atraindo investimentos ou porque está substituindo diretamente trabalhadores da área de tecnologia, Mo Gawdat, ex-executivo do Google, acredita que é necessário ir além e examinar os danos sociais que cortes massivos de empregos podem causar. "Os entusiastas do Vale do Silício dirão: isso é ótimo, mais produtividade, jornadas de trabalho mais simples e você não precisará mais trabalhar tanto", diz ele ironicamente. "Mas a verdade é que muitas pessoas perderão seus empregos." De acordo com um estudo da Universidade Politécnica de Valência, dois em cada dez empregos (entre 18% e 22% do emprego) já estão expostos à IA, com o risco de redução da força de trabalho. "Então o sistema precisa encontrar novas maneiras de manter as pessoas satisfeitas, porque o trabalho, que proporcionava identidade e propósito, enfrentará uma crise", prevê este especialista, que acredita que o desemprego para grande parte da população é uma realidade tangível a médio prazo.

Essa é uma ideia que preocupa Mar Manrique, autor de Um Emprego dos Sonhos (Península, 2026), que destaca que o mercado de trabalho já vinha se deteriorando nos últimos anos, marcado por instabilidade, hipercompetição e a necessidade de se reinventar, principalmente entre os trabalhadores mais jovens. “A IA poderia exacerbar essas tendências. Por exemplo, pressionando os trabalhadores a investirem mais horas para competir com aqueles que dominam a IA ou simplesmente para provar sua competência contra as máquinas.” Kate Crawford, filósofa e autora de Atlas da IA (Ned Ediciones), livro que explora as implicações econômicas e sociais dessa tecnologia, também teme que a IA intensifique os sistemas de vigilância no local de trabalho que já predominam em grandes organizações, principalmente aquelas com grande número de funcionários. “Poderíamos presenciar um aprofundamento do aumento do monitoramento e da avaliação algorítmica. Em geral, um mecanismo mais invasivo na gestão do trabalho”, argumenta Crawford em seu livro.

Suspeitas

Existem trabalhadores como Cristina Laguna (26 anos, Ciudad Real) que rejeitaram completamente essa tecnologia. O risco de um modelo de linguagem cometer um erro é um dos motivos que impedem Laguna, que trabalha em um centro de atendimento ao cliente há um ano e meio, de usá-la. “Sinto que não posso confiar porque uma colega recebeu informações incorretas ao comparar dois produtos no ChatGPT. Além disso, às vezes sinto que não estou fazendo meu trabalho direito; é como se eu estivesse escolhendo o caminho mais fácil”, explica a operadora.

Especialistas alertam para os riscos potenciais inerentes a esses sistemas, especialmente aos agentes de IA, o próximo passo no desenvolvimento dessa tecnologia. Recentemente, a Anthropic — o laboratório de tecnologia liderado por Dario Amodei, criador do Claude — anunciou a suspensão do lançamento do Mythos, seu modelo de linguagem mais recente, devido à sua capacidade de revelar vulnerabilidades e falhas ocultas nos sistemas de computador e softwares de governos em todo o mundo.

Mas nem todos são pessimistas quanto à implementação dessa tecnologia. Por exemplo, se você perguntar a Mar Pujadas (28 anos, de Valência), ela dirá que sua startup, a Omniloy, não conseguiria funcionar sem a agilidade proporcionada pelos sistemas inteligentes.

"Quando você me pediu uma resposta rápida para este relatório, foi meu agente de IA que respondeu", disse ela ao telefone.

Dado o seu tamanho e estrutura organizacional, os especialistas concordam que as startups são as que mais se beneficiam de modelos de linguagem como o ChatGPT. "Dedicamos muito tempo ao treinamento da IA ​​para que ela entendesse nossa organização", diz Pujadas, "e agora é como ter uma secretária disponível o tempo todo". Essa abordagem permitiu que a IA permeasse os processos internos. O chatbot da Omniloy agiliza as conversas internas, responde a e-mails e pode criar apresentações ou estratégias de negócios em segundos. Mas onde ele é mais útil, explica Pujadas, é no departamento de engenharia dedicado ao desenvolvimento de produtos. "Todos os 18 funcionários têm uma assinatura de um modelo de linguagem."

Diversos setores ainda estão explorando maneiras de fazer da IA ​​um motor de negócios — um motor personalizado. Esse grupo inclui principalmente freelancers e pequenas empresas, justamente o grupo que compõe a maior parte do tecido empresarial na Espanha. “São eles que melhor aproveitam essas ferramentas, acostumados como estão à correria constante”, destaca Pilar Jericó, especialista em liderança e autora do livro No Miedo (Planeta).

A IA permitiu uma reconfiguração da cadeia operacional em escritórios como o de Milton González e Valeria Moreiro, as forças motrizes por trás do estúdio NotReal, uma empresa de design que conquistou contratos com marcas como Microsoft e Google. “Ela nos ajuda a traduzir instantaneamente a ideia de um cliente em realidade, para que saibamos se devemos continuar nesse caminho ou mudar imediatamente para outro”, explica González. Isso representou um ponto de virada para os negócios. Mas, ao contrário das previsões iniciais, não liberou tempo para lazer ou outras atividades. “A IA não lhe dará mais espaço para seus hobbies. No nosso caso, podemos dedicar mais horas a explorar o lado criativo deste negócio ou a resolver outros problemas típicos de uma pequena empresa, mas sempre há coisas para fazer.”

O setor de restaurantes é outro mundo onde os chatbots ganharam força. David Chamorro, fundador do Food Idea Lab e chef focado em inovação, explica que esses sistemas impulsionarão um setor que há muito tempo está atrasado em relação aos avanços tecnológicos. A cozinha é um reino de tentativa e erro, de testes de conceito que podem se arrastar por semanas. "A IA elimina esse tempo", diz ele. Ele cita um exemplo específico: "Algo tão simples quanto encontrar a fórmula para cristalizar sorvete pode ser incrivelmente difícil se você não conhece o processo; com o ChatGPT, você tem pouquíssimas chances de errar."

Treinamento adequado

Onde ele vê o maior potencial de transformação é no que acontece fora da cozinha: “A IA pode lidar com a gestão de um restaurante, desde a gestão de pessoal até o controle de faturas e alterações no cardápio”, explica. “Imagine isso para um pequeno restaurante que muitas vezes opera no limite.” Com o treinamento adequado, um modelo pode dizer se você perdeu dinheiro por não ter lotado o salão ou se seria melhor contratar um garçom a mais, afirma este chef de 37 anos.

Esse é o futuro, segundo Pagés: um futuro em que os humanos serão responsáveis ​​por projetar, verificar e supervisionar o trabalho da IA. O problema, enfatiza Jansen, é que as universidades têm ficado muito para trás em seus esforços para treinar novas gerações a enfrentar essas novas realidades. Agora, a responsabilidade recai sobre as empresas, que “devem fortalecer e otimizar os programas de treinamento para garantir que uma grande parte da força de trabalho não fique para trás”, conclui o professor.

Carpe, o engenheiro de computação com quem esta reportagem começou, não acredita que o golpe será fatal para o seu setor. Quando começou a estudar ciência da computação nos anos 90, havia uma palpável sensação de entusiasmo porque, graças à programação, uma revolução sem precedentes era prevista, da qual ele se orgulha de ter participado. Esse sentimento mudou? "Francamente, não, na verdade, intensificou-se", diz ele. Mas, primeiro, um sacrifício será necessário, reconhece. Essa será a parte mais complexa desta grande transformação nestes tempos. "Temos que admitir que perdemos uma parte do nosso trabalho que costumava ser inteiramente nosso", conclui resignado.

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