Ciclo de estudos “Novas tecnologias. Gênero, poder e dis/utopias tecnopolíticas” reflete sobre a filosofia da tecnologia mediante a movimentos feministas e ecofeministas
A tecnologia pode ser tanto um bem comum quanto uma arma. Seja como um artefato da guerra ou um meio de difamação, as redes tecnológicas possibilitam ao indivíduo aniquilar qualquer opositor que se afirme contrário a ele.
É contra essa corrente de violências e discriminações que movimentos feministas e ecofeministas têm se posicionado, com discussões sobre tecnopolíticas que possam ser uma solução para tais problemáticas.
Os ataques às mulheres, principalmente em meio a movimentos Red Pills que circulam na machosfera, são discursos que fomentam agressões físicas no âmbito do real, portanto, tal prática traz consequências terríveis para muitas mulheres vítimas desse discurso de ódio digital.
É para enfrentar essas desigualdades patriarcais vindas da inovação tecnológica que surge a filosofia feminista da tecnologia. A atividade investiga a interseção entre gênero e desenvolvimento técnico.
Para Lisa Cartwright, Profa. Dra. na University of California San Diego, as "tecnologias digitais e visuais nunca são instrumentos neutros; elas são sistemas culturais que moldam a forma como os corpos são reconhecidos, classificados e valorizados”.
O pensamento da autora é central para a filosofia feminista digital, partindo do princípio de que a tecnologia não apenas media relações humanas, mas também produz hierarquias de existência. Algoritmos, imagens e plataformas participam da construção social do gênero, da identidade e da legitimidade dos corpos. Sendo assim, a representação da mulher e as formas de combater as violências que as atingem no mundo digital são fundamentais e centrais no feminismo cibernético.
Ao falar da representatividade online, Lisa Cartwright destaca que “as tecnologias de mídia moldam a vida emocional, a intimidade social e a experiência da corporeidade”. A partir disso, há a ideia de que a nossa presença na internet traz experiências que redefinem as nossas relações com as pessoas e o mundo. É através dessa rede que começamos a nos comunicar com gente de diferentes lugares, nos posicionamos, sentimos emoções sobre o que vemos, absorvemos e distribuímos conhecimentos, nos sentimos representados e também nos revoltamos. Ao construirmos uma imagem digital, damos um corpo à nossa existência online e, perante ele, assumimos um gênero que debate, sente emoções e compartilha sua filosofia de vida.
Para refletir sobre essas questões, com um intenso e plural debate crítico e interdisciplinar, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU promove o Ciclo de Estudos Novas tecnologias. Gênero, poder e dis/utopias tecnopolíticas.
Partindo de perspectivas feministas e ecofeministas, o ciclo examina como estruturas tecnocientíficas, sociais e políticas produzem e reproduzem formas de dominação, marginalização e opressão, em especial sobre as mulheres e outros corpos historicamente vulnerabilizados, ao mesmo tempo que reconhece nesses sujeitos a emergência de pensamentos e práticas capazes de imaginar alternativas menos desiguais e violentas.

O ciclo de estudos começa na próxima terça-feira, 19-05-2026, trazendo palestras mensais ao longo deste ano, de forma virtual e gratuita. Todas as atividades serão transmitidas com a opção bilíngue pela plataforma Zoom, em português pelo canal do Instituto Humanitas Unisinos – IHU no Youtube e na página do IHU no Facebook. Para garantir certificação de participação, é necessário realizar inscrição no site e acompanhar as informações para o registro de presença nos chats das atividades.
Lisa Cartwright
Professora doutora, na interseção entre os estudos da cultura visual e os estudos feministas de ciência e tecnologia, é professora de Artes Visuais e diretora da concentração prática do programa de doutorado em História, Teoria e Crítica da Arte na University of California San Diego, onde também atua nos departamentos de Comunicação e Estudos da Ciência, além de ser afiliada ao Design Lab e aos Estudos Críticos de Gênero.
Lisa realizará a primeira palestra do ciclo com a temática “O que é a Filosofia Feminista da Tecnologia? Um manifesto por uma utopia tecnocientífica feminista?”, na terça-feira, 19-05-2026, às 10h.
Profa. Dra. Lisa Cartwright (Foto: UC San Diego)
MS Amaranta López
Pesquisadora na área de filosofia e estudos críticos sobre inteligência artificial. Graduou-se em Filosofia com formação complementar em Socioantropologia pela Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, onde também concluiu um mestrado em Filosofia Social e Política e um mestrado profissional em Ética Aplicada e Responsabilidade Social e Ambiental.Realiza doutorado em Filosofia na École des Hautes Études en Sciences Sociales, desenvolvendo pesquisas sobre feminismo interseccional, inteligência artificial e colonialismo de dados. Também atua em projetos ligados aos impactos sociais e ambientais das tecnologias digitais e participa de redes internacionais de pesquisa em inteligência artificial e estudos feministas.A pesquisadora conduzirá a palestra “A defesa do bem comum como resistência ao delírio tecnomachista”, na quarta-feira, 10-06-2026, às 10h.
MS Amaranta López (Foto:Institut nicod)
S. Orestis Palermos
Professor doutor em Filosofia Contemporânea no Departamento de Filosofia da University of Ioannina, na Grécia.Sua pesquisa se concentra em filosofia da mente e das ciências cognitivas, epistemologia, filosofia da ciência, filosofia da tecnologia e ética aplicada, com ênfase em neuroética. Um dos seus principais interesses é a relação entre seres humanos e tecnologia, especialmente as implicações epistemológicas e éticas dessa integração.Palermos ministrará a palestra sobre “Direitos ciborgues e incapacitismo. Como repensar cognição, tecnologias assistivas e o Direito”, na terça-feira, 07-07-2026, às 10h.
Prof. Dr. S. Orestis Palermos (Foto:rethnea)
Gregory Swer
Professor associado na Escola de Religião, Filosofia e Clássicos da University of KwaZulu-Natal, na África do Sul. Seus interesses incluem fenomenologia, existencialismo, teoria crítica, filosofia da história e filosofia da tecnologia. Seu trabalho se concentra na política da tecnologia e no uso de narrativas tecnológicas como uma forma de escatologia secular.O professor realizará a palestra “Filosofia ecofeminista da tecnologia. A sobreposição entre sexismo e questões ambientais", na terça-feira, 18-08-2026, às 10h.
Prof. Dr. Gregory Swer (Foto:philsafrica)
Onde assistir: www.ihu.unisinos | YouTube do IHU | Facebook do IHU
Inscrição: https://www.ihu.unisinos.br/evento/ihu-ideias