15 Mai 2026
Indústria, que já perdeu 100 mil postos de trabalho, deve eliminar outras 125 mil vagas até 2035, segundo associação. Entidade atribui cortes à transição para a mobilidade elétrica e critica regras da UE.
A informação é publicada por DW, 14-05-2026.
A indústria automotiva da Alemanha deve perder cerca de 35 mil empregos a mais do que o previsto anteriormente até 2035, afirmou ao grupo de mídia RND a presidente da Associação Alemã da Indústria Automotiva (VDA). Com a nova projeção, 225 mil postos de trabalho devem ser extintos no período.
"Infelizmente, com base nos cálculos atuais, agora temos de assumir que 225 mil postos de trabalho serão perdidos até 2035", afirmou a presidente da VDA, Hildegard Müller, em declarações publicadas nesta quarta-feira (13/05).
Cerca de 100 mil empregos já haviam sido perdidos entre 2019 e 2025, acrescentou. A VDA havia previsto anteriormente que 190 mil postos seriam cortados até 2035.
Segundo Müller, os fornecedores devem ser particularmente afetados, já que a transição de veículos com motor a combustão para a mobilidade elétrica provoca perdas significativas de empregos no setor de autopeças. A União Europeia (UE) baniu as vendas de novos veículos movidos a combustíveis fósseis após 2035.
Fim dos motores a combustão pressiona a indústria
Novas vagas criadas no processo de transformação rumo à mobilidade do futuro estariam surgindo no exterior, diante das más condições do país e de uma competitividade internacional menor, diz a VDA.
"O desenvolvimento é preocupante e mostra que a Alemanha enfrenta uma crise de localização persistente e grave; as condições para a produção no país estão se deteriorando cada vez mais", afirmou Müller.
A VDA defende que ao menos 50 mil dos empregos ameaçados poderiam ser preservados se o bloco europeu recuar da medida que proíbe carros com motor a combustão. O conceito de regulamentação excessiva fracassou, afirmou Müller. "A abertura tecnológica não pode ser apenas um discurso vazio, mas precisa ser de fato viável na prática", disse ela.
No fim de 2025, a Comissão Europeia propôs uma revisão da medida, sugerindo que as emissões de CO₂ das frotas de carros novos a partir de 2035 precisam cair apenas 90% em relação a 2021, em vez dos 100% planejados anteriormente. Se a revisão for aprovada, poderiam ser registrados novos veículos híbridos depois dessa data.
No entanto, as montadoras precisam compensar essas emissões, entre outras medidas, com o uso de aço verde ou a adição de combustíveis climaticamente neutros. Ao mesmo tempo, passam a valer regras de CO₂ mais rígidas para operadores de frotas, como locadoras de veículos.
Leia mais
- O pânico na Alemanha se espalha pela Europa em relação ao prolongamento da vida útil dos carros com motor de combustão interna: quem se beneficia mais com essa extensão?
- Volkswagen considera fechar fábricas e demitir na Alemanha
- Transição dos carros de combustão interna para os veículos elétricos: uma mudança de época
- A década chinesa no mercado de carros elétricos: do projeto ao predomínio global
- O avanço da indústria de veículos elétricos na China
- Infográfico: Mitos e verdades sobre os carros elétricos
- Além de mudanças climáticas, combustíveis fósseis causam crise social
- Os efeitos do avanço da exploração de combustíveis fósseis sobre a Amazônia
- AGU encerra “conciliação” sobre combustíveis fósseis na foz do Amazonas
- Pico de consumo de combustíveis fósseis será antes de 2030, prevê IEA
- O fracasso do Acordo de Paris, causas e alternativas
- União Europeia insistirá na eliminação gradual de energia fóssil na COP28
- Zerar subsídio a fósseis é urgente para atingir metas de Paris, diz relatório da ONU
- A derrota e o desmonte da União Europeia