30 Abril 2026
"Os Estados responderam a mais um ano de guerras, incertezas e convulsões geopolíticas com programas maciços de rearmamento", afirmou Xiao Liang, pesquisador do programa sobre os gastos militares e a produção de armamentos do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI). Liang comentou os novos dados divulgados pelo Instituto sobre os gastos militares globais, que aumentaram novamente em 2025 — 2,9% em termos reais em comparação com 2024 — atingindo um novo recorde histórico: 2,887 trilhões de dólares no total. Mais da metade desse valor foi gasto por Estados Unidos, China e Rússia. "Dada a magnitude das crises atuais", continua Liang, "bem como as metas de gastos militares a longo prazo de muitos países, é provável que esse crescimento continue até 2026 e além."
A reportagem é de Elisa Campisi, publicada por Avvenire, 28-04-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Os gastos aumentaram, mas menos do que no ano passado (quando foram de +9,7%), principalmente devido à desaceleração de 7,5% nos Estados Unidos, que não aprovaram nenhuma nova ajuda financeira militar para a Ucrânia durante o ano. Os EUA ainda são o país que mais gastou, com 954 bilhões de dólares, e "a redução provavelmente será de curta duração", alerta Nan Tian, diretor do programa do SIPRI sobre gastos militares e produção de armamentos. "Os gastos aprovados pelo Congresso dos Estados Unidos para 2026 subiram para mais de 1 trilhão de dólares, um aumento substancial em comparação com 2025, e poderiam subir ainda mais para 1,5 trilhão em 2027 se a última proposta orçamentária do presidente Trump for aceita."
Impulsionando o aumento, a Europa lidera o caminho, onde no total os gastos com armamentos subiram 14%, alcançando o valor de 864 bilhões de dólares. Trata-se do crescimento anual mais significativo na Europa Central e Ocidental desde o fim da Guerra Fria. Especificamente, "os gastos militares dos membros europeus da OTAN aumentaram mais rapidamente do que em qualquer outro momento desde 1953, refletindo a busca contínua da Europa pela autossuficiência e a crescente pressão dos Estados Unidos para fortalecer o compartilhamento dos ônus dentro da aliança", explicou Jade Guiberteau Ricard, pesquisadora do SIPRI. Os 29 membros europeus da OTAN gastaram um total de 559 bilhões de dólares em 2025, e 22 deles registraram gastos militares equivalentes a pelo menos 2% do PIB. A Alemanha está entre eles pela primeira vez desde 1990. A Itália também está na lista, mas só atingiu formalmente esse patamar graças a uma operação contábil e não devido ao aumento dos gastos com armamentos, apesar de estes terem crescido 20%. A Itália, portanto, está entre os principais atores na espiral militarista europeia, figurando consistentemente no ranking entre os 15 países que mais gastam.
O aumento de 20% na Ucrânia se destaca — atingindo 84,1 bilhões de dólares, o equivalente a 40% do seu PIB — e o esforço paralelo de rearmamento da Rússia, onde os gastos militares cresceram 5,9%, chegando a 190 bilhões de dólares. O compromisso militar também afeta a Ásia e a Oceania, que, com um aumento de 8,1%, alcançaram 681 bilhões de dólares. A China é, de fato, o segundo país do mundo em gastos militares: com um aumento de 7,4%, chega a 336 bilhões de dólares este ano. No Oriente Médio, por outro lado, apesar dos conflitos em curso, os países não aumentaram seus gastos militares em 2025. Os gastos de Israel diminuíram com a redução da intensidade do conflito em Gaza, assim como os gastos do Irã, principalmente devido às dificuldades econômicas. Contudo, segundo os pesquisadores, os números oficiais quase certamente subestimam o nível real, visto que o Irã também utiliza receitas petrolíferas extraorçamentárias para financiar suas forças armadas.
Os dados do SIPRI são mais uma prova de uma amarga contradição para a Rede Italiana para a Paz e o Desarmamento, que comenta: "Essa espiral de rearmamento não está produzindo um mundo mais seguro. Em 2026, testemunhamos a continuação e a expansão de inúmeros conflitos armados violentos ativos, cujo número total é o mais alto desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Esses conflitos, por sua vez, alimentarão novos aumentos nos gastos militares nos próximos anos, em um ciclo vicioso que nada tem a ver com a construção da paz."
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