28 Abril 2026
Ações violentas no Rio de Janeiro provocaram 2.228 interrupções do transporte coletivo na cidade, de 2023 a julho de 2025, alterando a rotina da rede escolar de ensino. Das 4.008 escolas do município, 95% registraram ao menos uma parada dos ônibus e vans em seu entorno no período analisado, afetando 188.694 crianças. A maioria das interrupções está associada à dinâmica da violência armada, também a barricadas, operações militares, manifestações, tiroteios.
A informação é de Edelberto Behs.
O levantamento “Percursos interrompidos: efeitos da violência armada na mobilidade de crianças e adolescentes no Rio de Janeiro”, é do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), do Instituto Fogo Cruzado e dos Estudos de Novos Ilegalismos (GENI), da Universidade Fluminense.
Para a coordenadora do GENI/UFF, Carolina Grillo, quando a violência armada interfere de forma recorrente na circulação da cidade, ela redefine o próprio funcionamento dos serviços urbanos. “O que os dados mostram é que, em determinados territórios, a imprevisibilidade do deslocamento passa a ser regra, e não a exceção. Isso impõe barreiras silenciosas, mas persistentes, ao acesso à escola e aprofunda desigualdades que já estavam colocadas”, analisa.
A mobilidade interrompida não se distribui de forma homogênea pela cidade, mas se dá em áreas já marcadas por desigualdades urbanas e raciais. Penha, Bangu e Jacarepaguá aparecem como principais epicentros da mobilidade interrompida. Em medida de duração acumulada, Penha teve o equivalente a 176 dias sem circulação de transporte público. Jacarepaguá registrou 128 dias e Bangu 45 dias no período analisado.
As interrupções inviabilizam um dia inteiro de aulas. A média registrada foi de sete horas por evento. Quando acontecem em dias letivos e horário escolar – com 1.084 registros, quase a metade dos casos – a duração média sobe para 8,13 horas.
As organizadoras do levantamento propõem a introdução de rotas alternativas garantindo proteção integral às crianças e adolescentes mesmo em contextos de instabilidade, e o fortalecimento da governança intersetorial, assegurando coordenação permanente entre transporte, segurança pública e políticas sociais para proteger as atividades essenciais, de modo especial a educação.
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