Violência urbana altera calendário escolar do Rio de Janeiro

Foto: Feliphe Schiarolli/Unsplash

Mais Lidos

  • Escravidão moderna, trabalhadores desprotegidos e precarização universalizada. Entrevista com Reginaldo Ghiraldelli

    LER MAIS
  • Médico defende cuidados paliativos no fim da vida e amenização total da dor em pacientes terminais. “O alívio deve ser na dor total: física, espiritual e emocional”, diz

    Cuidados paliativos: 86% das pessoas que precisam de auxílio no fim da vida são abandonadas. Entrevista especial com Angelo Atalla

    LER MAIS
  • O triunfo do infame. Artigo de Jorge Zepeda Patterson

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

28 Abril 2026

Ações violentas no Rio de Janeiro provocaram 2.228 interrupções do transporte coletivo na cidade, de 2023 a julho de 2025, alterando a rotina da rede escolar de ensino. Das 4.008 escolas do município, 95% registraram ao menos uma parada dos ônibus e vans em seu entorno no período analisado, afetando 188.694 crianças. A maioria das interrupções está associada à dinâmica da violência armada, também a barricadas, operações militares, manifestações, tiroteios.

A informação é de Edelberto Behs.

O levantamento “Percursos interrompidos: efeitos da violência armada na mobilidade de crianças e adolescentes no Rio de Janeiro”, é do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), do Instituto Fogo Cruzado e dos Estudos de Novos Ilegalismos (GENI), da Universidade Fluminense.

Para a coordenadora do GENI/UFF, Carolina Grillo, quando a violência armada interfere de forma recorrente na circulação da cidade, ela redefine o próprio funcionamento dos serviços urbanos. “O que os dados mostram é que, em determinados territórios, a imprevisibilidade do deslocamento passa a ser regra, e não a exceção. Isso impõe barreiras silenciosas, mas persistentes, ao acesso à escola e aprofunda desigualdades que já estavam colocadas”, analisa.

A mobilidade interrompida não se distribui de forma homogênea pela cidade, mas se dá em áreas já marcadas por desigualdades urbanas e raciais. Penha, Bangu e Jacarepaguá aparecem como principais epicentros da mobilidade interrompida. Em medida de duração acumulada, Penha teve o equivalente a 176 dias sem circulação de transporte público. Jacarepaguá registrou 128 dias e Bangu 45 dias no período analisado.

As interrupções inviabilizam um dia inteiro de aulas. A média registrada foi de sete horas por evento. Quando acontecem em dias letivos e horário escolar – com 1.084 registros, quase a metade dos casos – a duração média sobe para 8,13 horas.

As organizadoras do levantamento propõem a introdução de rotas alternativas garantindo proteção integral às crianças e adolescentes mesmo em contextos de instabilidade, e o fortalecimento da governança intersetorial, assegurando coordenação permanente entre transporte, segurança pública e políticas sociais para proteger as atividades essenciais, de modo especial a educação.

Leia mais