27 Abril 2026
Plano prevê redução de 90% da demanda primária de fósseis e matriz elétrica 100% renovável até 2050.
A reportagem é publicada por ClimaInfo, 26-04-2026.
A Colômbia busca liderar pelo exemplo na 1ª conferência global para o fim dos combustíveis fósseis. No primeiro dia do evento, o país anfitrião apresentou seu roteiro nacional para abandonar progressivamente petróleo, carvão e gás.
O Plano prevê redução de 90% da demanda primária de energia fóssil, uma matriz elétrica 100% renovável e a eletrificação total do transporte rodoviário e público até 2050. O país pretende cortar 90% das emissões do sistema energético frente aos níveis de 2025, e ter uma economia líquida de US$ 280 bilhões (R$ 1.4 trilhões) entre 2026 e 2050.
Segundo o documento, a transição exigiria investimentos elevados na fase inicial, mas passaria a gerar economia líquida anual a partir dos anos 2040, explica a Exame. O principal desafio do país está hoje na dependência da exportação de combustíveis fósseis – que rende US$ 25 bilhões (R$ 124 bilhões), valor equivalente a metade das exportações totais.
Porém, o documento reitera que essa receita deve diminuir na medida em que o mundo avance com a transição energética, reduzindo a demanda por combustíveis fósseis – a previsão é de que a renda caia para metade em meados da década de 2030. Como alternativa, o roteiro nacional propõe a diversificação econômica, apoio às regiões produtoras, requalificação profissional e expansão de setores como minerais críticos.
À RFI, a ministra do meio ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, lembrou que cada país tem seu contexto específico e que seria um erro tentar trazer uma “solução universal”, e que os países participantes podem criar seus próprios planos subnacionais para eliminar, por exemplo, as emissões de metano, reduzir gradualmente o uso de carvão na geração de eletricidade e eletrificar o transporte.
Irene vê como erro a decisão de países progressistas da América Latina, que governaram entre os anos 2000 e 2020, de se apegarem aos recursos dos combustíveis fósseis para implementar benefícios sociais. “[Os recursos] foram mais amplamente distribuídos pela sociedade, mas criaram um problema grave de dependência econômica”, afirma.
A escolha de Santa Marta para a primeira conferência do tema é simbólica, pois além de ser a cidade mais antiga do país, é também um dos principais portos exportadores de carvão do mundo. Além disso, a Colômbia ainda é um país perigoso para os ambientalistas.
Um exemplo disso é a ativista Yuvelis Morales, reconhecida no último dia 20 com o prestigiado prêmio ambiental Goldman pelo seu trabalho contra a expansão de projetos de fracking da petroleira estatal colombiana Ecopetrol e da americana ExxonMobil no rio Magdalena, o maior do país. Em 2022, ela precisou se exilar na França devido a ameaças de morte. Em entrevista à Folha, Yuvelis defendeu que o governo de Gustavo Petro proíba o fracking na Colômbia.
Em tempo:
Os dois primeiros dias da Conferência para a Transição para Além dos Combustíveis Fósseis em Santa Marta deram palco a uma protagonista esquecida nas últimas conferências do clima: a ciência. Como o Guardian explica, um painel de especialistas globais foi lançado para fornecer subsídios científicos aos países que desejam reduzir sua dependência de combustíveis fósseis e gerenciar os riscos dos altos preços do petróleo, conflitos geopolíticos e danos causados por eventos climáticos extremos.
Entre os cientistas presentes, estavam Johan Rockström e o pesquisador brasileiro Carlos Nobre, organizadores do Pavilhão da Ciência que estreou na COP30, contam ((o))eco e Revista Exame.
"Parece óbvio que a ciência precisa ter uma voz importante nesse debate, mas isso vem sendo um pouco esquecido no âmbito da convenção do clima", pontuou Claudio Angelo em sua análise no Observatório do Clima. “Este painel não só repara uma dívida histórica, sendo o primeiro organismo dedicado, enfim, à superação dos combustíveis fósseis na matriz energética, como também nos fala de outro tipo de desafios: quais são as limitações sociais e econômicas para se fazer essa transformação o mais rápido possível”, disse a Ministra de Meio Ambiente e Clima da Colômbia, Irene Vélez Torres.
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