17 Abril 2026
O jesuíta estadunidense James Martin, um dos primeiros a sair em defesa do Papa após o brutal ataque pessoal do presidente Donald Trump contra Leão XIV na madrugada da última segunda-feira, adverte em entrevista a El Periódico que esse choque "aviva o sentimento anticatólico" na ainda primeira potência mundial.
A informação é de José Lorenzo, publicada por Religión Digital, 15-04-2026.
"Me preocupa não só porque degrada e embrutece ainda mais a conversa neste país e abre uma brecha entre a Igreja e o governo, mas também porque aviva o sentimento anticatólico — o que nos EUA tem sido chamado de 'último preconceito aceitável'. Dá permissão a alguns dos seguidores MAGA de Trump para odiar os católicos."
Um universo católico que foi fundamental para a segunda chegada do magnata à Casa Branca após as eleições de 2024, ao votar nele com uma percentagem próxima aos 55%, e com uma clara inclinação ao republicano de boa parte do episcopado estadunidense.
Este jesuíta — pioneiro na pastoral LGBTQI e amigo pessoal do Papa Francisco, que o encorajou em várias ocasiões a prosseguir com seu particular ministério diante das crises costuradas pelos setores mais ultracatólicos — reconhece que a virulência do ataque de Trump nas redes sociais contra o primeiro Papa americano o surpreendeu.
"Sinceramente, me surpreendeu a mim e a muitos outros. É claro que o presidente costuma atacar seus opositores em termos muito pessoais e até cruéis. Mas seria de se pensar que o Papa estivesse fora dos limites, não só pela sua estatura como líder moral, mas por uma razão mais prática: há muitos eleitores católicos nos Estados Unidos."
Os católicos dos EUA com o Papa
Martin estima, no entanto, que Trump calculou mal as consequências de sua diatribe. "Quase todos os católicos que conheço, tanto progressistas como tradicionalistas, amam, ou pelo menos admiram, o Papa Leão. Não posso dizer o mesmo de seus sentimentos em relação ao presidente Trump."
Consequências não só da parte da Igreja Católica no país, mas em nível internacional. Mas também junto às confissões evangélicas — estas sim, apoio indispensável para a vitória do líder do movimento MAGA —, que podem ignorar muitas coisas do delirante líder mundial (e estão fazendo isso no caso da guerra contra o Irã), mas não que se utilize a imagem de Deus em vão.
Daí o rápido desaparecimento das redes sociais de Trump da imagem que havia publicado caracterizando-se como o Jesus que curava enfermos. "Publicar uma imagem de si mesmo como Jesus é, no mínimo, vaidoso e, no pior dos casos, idólatra. Não é de admirar que o presidente a tenha apagado e tentado depois explicá-la como uma imagem de si mesmo como 'médico'", observa Martin.
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