16 Abril 2026
Movimento também ocupou sede da Procuradoria-Geral do Estado, em SP, e terras improdutivas em Tocantins.
A reportagem é publicada por Brasil de Fato, 15-04-2026.
Na manhã desta quarta-feira (15), centenas de trabalhadores e trabalhadoras organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam a superintendência do Incra, em Maceió, capital de Alagoas.
A ação mobilizou cerca de 400 pessoas e denunciou a falta de avanço na execução de políticas para o campo nos acampamentos e assentamentos da reforma agrária no estado. Os manifestantes vão permanecer acampados no prédio do Incra até que as demandas sejam escutadas e encaminhadas pela superintendência.
“Por mais uma vez voltamos ao Incra para relembrar à superintendência deste órgão em Alagoas as demandas dos acampamentos e assentamentos da reforma agrária. Nosso objetivo é novamente reapresentar o conjunto de pautas já conhecidas por esta casa para que algum avanço seja sinalizado nesse próximo período”, disse Renildo Gomes, da coordenação nacional do MST.
Além do MST, participam da mobilização representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Frente Nacional de Luta (FNL), Movimento Popular de Luta (MPL), Movimento Social de Luta (MSL), Movimento Via do Trabalho (MVT) e Movimento Terra Livre.
Também nesta quarta, mais de 250 pessoas, entre famílias acampadas e assentadas, ocuparam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Imperatriz, no Maranhão.
“Nós estamos aqui no Incra para seguir na defesa da terra e do território. A nossa principal pauta de reivindicação é o assentamento dessas famílias acampadas e o crédito e infraestrutura para as famílias assentadas”, defendeu a coordenadora do MST no Maranhão, Divina Lopes.
A sede do Incra no Rio de Janeiro também foi ocupada nesta quarta. Cerca de 120 militantes do MST participaram da ação, reivindicando terra, dignidade e Reforma Agrária Popular para 376 famílias do Acampamento 15 de Abril, em Campos dos Goytacazes. Em todo o estado há mais de 1.600 famílias organizadas pelo MST, produzindo comida saudável e lutando por direitos.
Outra sede do Incra ocupada foi em João Pessoa. A ação reuniu cerca de 500 famílias sem-terra vindas de todas as regionais do estado, em um movimento de denúncia, resistência e reafirmação da luta pela reforma agrária popular. O MST na Paraíba denuncia a paralisia da política agrária no estado.
Em três anos do governo Lula 3, foram realizadas apenas oito vistorias de áreas para fins de Reforma Agrária na Paraíba, número absolutamente insuficiente diante da demanda existente. No mesmo período, apenas 323 famílias foram assentadas, enquanto 3 mil famílias seguem acampadas à espera de uma resposta concreta do Estado.
Outro 200 trabalhadores sem terra do estado do Piauí ocuparam a sede do Incra na capital, Teresina, para cobrar do órgão a construção de novos assentamentos para as mais de mil famílias acampadas no estado.
Já em São Paulo, cerca de 200 militantes do MST, de várias regiões do estado, ocuparam a Procuradoria-Geral do Estado, em Presidente Prudente, no Pontal do Paranapanema. A ação pressiona o governo paulista pela destinação de terras públicas à Reforma Agrária e denuncia a situação de famílias que aguardam há mais de 20 anos em acampamentos.
Ocupações
Também na manhã desta quarta-feira (15), integrantes do coletivo da juventude do MST em Sergipe fizeram um escracho em frente à empresa Iguá, responsável pelo saneamento na região. A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas e denuncia a privatização da água, negando um direito básico para a dignidade humana, em um contexto onde a população urbana e rural tem sofrido com a falta de água.
Já no Ceará, aproximadamente 500 trabalhadores e trabalhadoras do Movimento Sem Terra (MST) ocuparam a Fazenda Córrego, localizada no município de Madalena, no sertão central do estado. A fazenda possui mais de 300 hectares de terras improdutivas.
No estado, o MST reivindica a desapropriação imediata de duas propriedades com finalidades específicas. A primeira é a própria Fazenda Córrego, com 300 hectares, para construção de habitações populares por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, atendendo ao déficit habitacional de famílias em situação de vulnerabilidade em Madalena.
A outra é a Fazenda Teotônio, com mais de 11 mil hectares, já em processo no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) desde 2024, para fins de reforma agrária, que beneficiará 500 famílias.
Como parte da Jornada Nacional de Lutas no extremo norte do Tocantins, ocorreu nesta quarta a ocupação do Loteamento Praia Chata, por famílias do acampamento Irmã Dorothy, em São Sebastião do Tocantins.
A ação ocorreu ainda na madrugada, expressando a denúncia contra o abandono dessas áreas. A ocupação reforça a crítica a um sistema que mantém terras destinadas ao povo camponês expostas à especulação e à degradação ambiental.
No Paraná, 300 militantes do MST realizam uma audiência na sede do Incra para cobrar avanços da reforma agrária no estado. A atividade segue até esta quinta-feira (16).
Marcha da Classe Trabalhadora
Articulando a luta dos sem terra com os trabalhadores nas cidades, 300 militantes do MST em Brasília participaram da Marcha da Classe Trabalhadora, que reuniu a militância sindical de todo o país, também nesta quarta-feira.
Dentre as pautas estão a redução da jornada de trabalho sem redução de salário e fim da escala 6×1, valorização e fortalecimento da negociação coletiva, direito de negociação para servidores, regulamentação do trabalho por aplicativos, combate à pejotização irrestrita e enfrentamento ao feminicídio. A reivindicação compreende 68 itens.
Ainda hoje, a partir das 17h, os sem-terra participam de uma audiência pública sobre o tema na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. No evento estarão presentes militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além de autoridades e parlamentares que reconhecem a importância da luta pela Reforma Agrária no Brasil.
Marcha na Bahia
Após oito dias de caminhada, a marcha estadual pela Reforma Agrária chega em Salvador, capital da Bahia, nesta quarta-feira (15), com 2 mil sem terra denunciando a impunidade, após 30 anos do massacre de Eldorado do Carajás, além de defender a implementação de uma política de reforma agrária popular.
Os sem-terra foram recebidos por representantes do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), para tratar de reivindicações do movimento, apresentando as pautas construídas coletivamente nos acampamentos e assentamentos para o ano de 2026.
O objetivo é avançar na definição de um calendário de execução, com prazos concretos para garantir que as demandas das famílias saiam do papel e se tornem realidade.
“A reforma agrária popular que defendemos aponta para um novo modelo de desenvolvimento, com democratização da terra, respeito aos povos e produção de alimentos saudáveis. É também garantir políticas públicas que assegurem dignidade para quem vive e trabalha no campo”, pontua Isaias Nascimento, da Coordenação Nacional do MST na Bahia.
A marcha saiu de Feira de Santana, no dia 8, para uma caminhada de cerca de 120 quilômetros. A mobilização deste ano acontece em um contexto simbólico e político importante, marcado pelos 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, episódio que segue como uma das maiores expressões da violência no campo brasileiro e da impunidade histórica contra os povos que lutam pela terra.
Jornada de Lutas
A Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, realizada pelo MST, começou no início deste mês e vai até o próximo dia 17, Dia Internacional da Luta Camponesa, com atividades e ações simbólicas em todas as grandes regiões do Brasil. O principal tema é a memória dos mártires da luta pela terra, no marco dos 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás.
Até esta quarta-feira (15), foram realizadas mobilizações em 20 municípios, distribuídos em 13 estados e no Distrito Federal, mobilizando cerca de 16 mil militantes. A jornada deste ano possui uma programação especial no Pará, local onde ocorreu o assassinato de 21 trabalhadores rurais Sem Terra no dia 17 de abril de 1996, mas se estende em todos os territórios organizados pelo conjunto da militância do MST.
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