O fenômeno El Niño chegará em 2026: embora não haja certeza sobre sua intensidade, a América Latina e o Caribe devem se preparar

Foto: Rede Valvet | Pixabay

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16 Abril 2026

O fenômeno El Niño chegará em 2026: embora não haja certeza sobre sua intensidade, a América Latina e o Caribe devem se preparar. A probabilidade de o evento se desenvolver entre maio e julho é de 61%, aumentando para quase 90% até o final do ano. A chance de se tornar um evento muito forte é atualmente de 25%.

A reportagem é de Maria Mónica Monsalve S., publicada por El País, 16-04-2026.

Uma simples busca na internet hoje em dia usando a frase "fenômeno El Niño" retorna um grande número de artigos acompanhados das palavras "alerta" e "super-Niño". O motivo? Recentemente, organizações científicas, como a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), indicaram que La Niña, que vinha se apresentando de forma fraca, daria lugar a condições neutras e que, até o final do ano, estas poderiam levar a um evento El Niño de aquecimento. A previsão gerou particular interesse não apenas porque permite que os países se preparem, mas também porque alguns veículos de comunicação a rotularam de forma alarmista, incluindo "Godzilla Niño", ou sugerindo que poderia se tornar um dos fenômenos mais intensos em séculos.

Mas, como a meteorologia é uma ciência de variáveis, é importante entender o que se sabe e o que se desconhece sobre este El Niño, bem como o que ele pode significar para a América Latina e o Caribe. Eventos El Niño como os vivenciados em 2023 trouxeram secas, ondas de calor, incêndios florestais e chuvas extremas para toda a região, impactando a saúde, a segurança alimentar e a energia.

O que sabemos: haverá um 'El Niño'

“O El Niño está chegando, e isso nos diz que precisamos nos preparar”, explica Bárbara Tapia Cortés, da Organização Meteorológica Mundial. De acordo com o relatório mais recente da NOAA — datado de 13 de abril —, as condições neutras persistirão entre abril e junho de 2026, com 80% de probabilidade, e o El Niño deverá se desenvolver entre maio e julho, com 61% de probabilidade, durando pelo menos até o final de 2026. Aliás, para o trimestre de novembro deste ano a janeiro de 2027, as chances de ocorrência do El Niño são de 90%. Ao contrário de outros fenômenos meteorológicos, explica a especialista, “ o El Niño pode ser previsto com bastante antecedência, e nós, como população, temos seis meses para agir”.

O que não se pode afirmar com certeza é: sua força.

Os fenômenos El Niño — assim como seu equivalente, La Niña — são declarados quando a temperatura da superfície do oceano em um ponto específico do Pacífico, bem no meio, permanece 0,5°C acima da média histórica por três meses.

Dependendo de quanto esse valor sobe, que começa em 0,5°C e pode ultrapassar 2°C, ele é definido como El Niño fraco, moderado, forte ou muito forte. E, até o final do ano, a probabilidade de qualquer um desses cenários ocorrer permanece em 25%. Na terminologia oficial, acrescenta Tapia, não existem adjetivos como "super-Niño" ou "Godzilla Niño". Esses são apelidos dados à possibilidade de um El Niño muito forte, que, até o momento, tem uma probabilidade de 1 em 4 de ocorrer.

Por que existe essa sensação de alerta?

Primeiramente, como disse o meteorologista, dada a incerteza sobre a intensidade que a tempestade poderá atingir, o melhor é estar preparado. O cientista climático Tom Di Liberto, da Climate Central, também explica que a quantidade de água quente no Oceano Pacífico é substancial em comparação com outros anos. “Os modelos estão prevendo flutuações muito acentuadas. E embora as porcentagens não sejam uma certeza absoluta, elas são muito maiores do que o normal para esta época do ano”, observou ele durante uma coletiva de imprensa. “Quando se fala em risco, o melhor é se preparar para qualquer cenário”, alertou ele.

Qual será o impacto disso na América Latina e no Caribe?

Há outro ponto em que os especialistas concordam: não existem dois eventos El Niño exatamente iguais, e seu impacto varia de região para região, de país para país e até mesmo de cidade para cidade. Isso ocorre porque El Niño e La Niña são apenas uma das variáveis ​​que influenciam o fenômeno ao longo do tempo. Além disso, um evento El Niño durante os meses de junho a agosto — verão no Hemisfério Norte — não se comporta da mesma maneira que um no final do ano — quando é inverno nos Estados Unidos e na Europa. Para esclarecer, no entanto, de acordo com a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), o padrão típico de um evento El Niño no meio do ano é gerar condições quentes no Equador, Peru, sudeste do Brasil e norte do Chile, e umidade no centro do Chile. Na América Central, Caribe e norte da Colômbia e Venezuela, seu efeito é calor e seca.

Quando ocorre no final do ano, porém, a tendência é gerar condições quentes e úmidas em algumas costas do Pacífico da Colômbia, Peru e Equador; seca no norte do Brasil, Guiana, Suriname e Guiana Francesa; calor no sudeste do Brasil e umidade no sul deste país, Uruguai e nordeste da Argentina.

“A recomendação é acompanhar de perto o que as autoridades locais dizem, porque temos certeza de que o El Niño está chegando”, lembra Tapia. E são elas que podem adaptar o fenômeno às condições de cada lugar.
dezembro-fevereiro

'El Niño' e furacões

A questão de como o El Niño afetará a temporada de furacões — que começa em meados de maio no Oceano Pacífico e em junho no Atlântico — só pode ser respondida examinando as tendências observadas em outros fenômenos. “Cada El Niño é diferente”, enfatiza Di Liberto. Geralmente, o El Niño reduz a atividade de furacões no Atlântico, enquanto torna a temporada mais ativa no Pacífico. Mas, no contexto das mudanças climáticas, que aqueceram a superfície do oceano em cerca de 0,9°C desde o final do século XIX, segundo a OMM (Organização Meteorológica Mundial), os padrões conhecidos tanto do El Niño quanto da La Niña podem ser mais extremos ou diferentes.

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