16 Abril 2026
Os Estados Unidos e o Irã concordaram em se reunir novamente para dar continuidade às negociações. Segundo o Wall Street Journal e a BBC, ambos os países concordaram em realizar mais uma rodada de conversas, mas ainda não definiram data nem local.
A reportagem é de Virgínia Sarabia, publicada por El Diario, 15-04-2026.
Enquanto isso, o Paquistão está tentando amenizar as principais divergências entre Washington e Teerã e não tem poupado esforços diplomáticos desde o fracasso da primeira rodada de negociações realizada no último sábado em Islamabad. O chefe do exército paquistanês, Marechal de Campo Asim Munir, viajou ao Irã na quarta-feira para entregar uma mensagem do governo americano ao governo iraniano. O próprio presidente Donald Trump elogiou o papel desempenhado pelo oficial militar, cuja missão ao Irã busca desbloquear os pontos críticos e facilitar a realização de uma segunda rodada de negociações.
Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, citada pela agência de notícias EFE, a rodada de negociações não acontecerá nesta sexta-feira nem neste sábado. Qualquer possível reunião ocorreria no início da próxima semana. A fonte indicou que Islamabad é a principal opção para sediar o encontro, embora Genebra continue sendo considerada como alternativa. "O Paquistão se apresentou como o principal mediador e está pressionando por uma segunda rodada", afirmou a fonte.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, também iniciou uma viagem pelo Golfo Pérsico e pela Turquia como parte dos esforços para consolidar o cessar-fogo e dar continuidade às negociações diplomáticas. Além do Paquistão, a Turquia, a Arábia Saudita e o Egito (todos países muçulmanos sunitas) atuam como mediadores.
Além de buscar uma segunda rodada de negociações, mediadores regionais pressionaram por uma prorrogação da trégua de duas semanas para dar aos EUA e ao Irã mais tempo para chegar a um acordo, segundo fontes familiarizadas com o assunto que falaram ao Wall Street Journal. O cessar-fogo anunciado em 7 de abril pelo presidente Trump expira na próxima quarta-feira e, se não for prorrogado, os EUA e Israel poderão retomar suas campanhas de bombardeio — algo que Tel Aviv deseja muito.
Por ora, as tensões permanecem elevadas no Estreito de Ormuz, cujo controle é um ponto crucial de discórdia nas negociações. O Irã alertou que interromperá o comércio em toda a região caso os EUA mantenham o bloqueio naval imposto esta semana à via navegável estratégica. Segundo o General Ali Abdullah, comandante do Quartel-General Central, que coordena as forças iranianas, qualquer tentativa dos EUA de manter o bloqueio marítimo constituiria uma violação do cessar-fogo e, portanto, poderia ser respondida.
Antecipando um possível acordo entre os EUA e o Irã, a Europa já está preparando um plano para desbloquear o Estreito de Ormuz após o conflito, sem o envolvimento de Washington, segundo o Wall Street Journal. Essa seria uma missão "puramente defensiva" para restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e envolveria apenas países "não beligerantes".
Enquanto aguarda uma nova reunião para negociar e os EUA continuam a pressionar o Irã para aceitar suas condições, o Pentágono enviará milhares de soldados adicionais para o Oriente Médio nos próximos dias, de acordo com fontes americanas que falaram ao Washington Post.
Enquanto isso, Netanyahu discutirá um cessar-fogo no Líbano em uma reunião de gabinete na quarta-feira, segundo a Reuters. O gabinete de segurança de Israel se reunirá na tarde de quarta-feira para discutir um possível cessar-fogo no país vizinho, informou a agência. Os ataques aéreos israelenses no Líbano mataram pelo menos 2.167 pessoas desde 2 de março, de acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde libanês.
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