Teólogo: a religião pode dividir a política e fortalecer a resistência

Pete Hegseth e Donald Trump | Foto: Molly Riley/Flickr

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08 Abril 2026

Segundo Arnd Henze, a religião é simultaneamente uma ameaça à democracia e uma oportunidade de resistência: "A sobrecarga religiosa e a ênfase excessiva nos debates políticos" põem em risco o Estado laico, afirmou o teólogo e jornalista protestante em entrevista ao jornal "Süddeutsche Zeitung" na segunda-feira. Henze citou a Rússia, os EUA, o islamismo político e as tendências extremistas no judaísmo e no nacionalismo hindu como exemplos.

A informação é publicada por Katholisch, 07-04-2026.

Henze argumentou que o nacionalismo cristão é perigoso porque combina uma reivindicação teocrática de poder com o poder concentrado da Casa Branca. Ele observou que, nos círculos nacionalistas cristãos dos EUA em torno de Pete Hegseth, há discussões sobre se a Bíblia realmente prevê a pena de morte para a homossexualidade e se o sufrágio feminino deveria ser abolido.

Por outro lado, a "paralisia por choque" em que as comunidades cristãs moderadas se encontravam diante da presença pública da direita religiosa foi superada: "A esfera pública não pertence mais aos extremistas, mas a uma sociedade civil na qual as comunidades religiosas desempenham um papel muito importante". Especialmente à luz das operações da polícia de imigração ICE, o fio condutor é a constatação: "Não podemos permitir que o que está sendo feito ao nosso 'próximo' aconteça". Isso também revela o paradoxo dos nacionalistas cristãos: "Eles propagam todo tipo de ordens divinas, mas o único mandamento bíblico que percorre toda a Bíblia como um fio condutor é atacado como 'progressista': 'Ame o seu próximo como a si mesmo'", afirma Henze.

Pior cenário possível: guerra civil

O movimento MAGA americano é uma fusão de religião e poder, afirmou Henze: quando o poder na política é elevado e absolutizado pela religião, ele não pode mais ser exercido e limitado de forma democrática. Segundo o teólogo, o movimento MAGA está profundamente dividido. A guerra com o Irã serve como exemplo de como sionistas cristãos, isolacionistas clássicos e "eleitores pragmáticos que só se importam com o próprio bolso" não conseguem mais concordar com um rumo comum. "Os próprios membros do MAGA sabem disso muito bem, e é por isso que provavelmente nunca mais vão querer se submeter voluntariamente a uma eleição", concluiu Henze.

O pior cenário, disse ele, é que não haverá eleições livres nos EUA neste outono, mas, no máximo, até 2028, "e sim uma espécie de pseudoeleição como na Rússia": "Esse provavelmente seria o ponto sem retorno para os Estados Unidos. Se, afinal, houver eleições de verdade, e os democratas vencerem as eleições de meio de mandato e, dois anos depois, as eleições presidenciais, então realmente devemos esperar ver a invasão do Capitólio novamente em uma escala completamente diferente", disse Henze.

O jornalista alertou que a Europa deve estar preparada para que o governo dos EUA fomente uma internacionalização de nacionalistas e que vise especificamente sociedades com estruturas pluralistas e democráticas fortes.

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