Trump dá sinais de descontrole diante de reveses militares no Irã e crise global pelo bloqueio do Estreito de Ormuz

Foto: Fotos Públicas

Mais Lidos

  • Jesuíta da comunidade da Terra Santa testemunha o significado da celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo em uma região que se tornou símbolo contemporâneo da barbárie e do esquecimento humano

    “Toda guerra militar é uma guerra contra Deus”. Entrevista especial com David Neuhaus

    LER MAIS
  • Sábado Santo: um frio sepulcro nos interpela. Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS
  • A ressurreição no meio da uma Sexta-feira Santa prolongada. Artigo de Leonardo Boff

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

06 Abril 2026

O presidente dos EUA despeja sua fúria nas redes sociais, redobrando as ameaças contra Teerã pelo fechamento do estreito, para logo em seguida abrir a porta para um acordo nas próximas horas e, depois, marcar o horário do ultimato: “Terça-feira, 20h00”.

A informação é de Andrés Gil, publicada por El Diario, 05-04-2026.

Ele está fora de si. Donald Trump não consegue esconder a frustração diante das consequências de uma guerra no Irã que já completou cinco semanas e segue empacada — com desdobramentos, além disso, que a Casa Branca não havia previsto em relação à crise derivada do bloqueio do Estreito de Ormuz por parte de Teerã.

“Abram o porra do estreito, bastardos loucos, ou viverão no inferno”. Assim começou o presidente dos EUA este domingo, às 8h03 da manhã: “Terça-feira será o Dia da Central Elétrica e o Dia da Ponte, tudo em um só, no Irã”. Mais tarde, Trump chegou a colocar um horário para o ultimato: “Terça-feira, 20h00, horário do Leste [duas da madrugada de quarta-feira, 8 de abril, na Espanha]!”.

“Louvado seja Alá”, finalizou Trump em seu post na Truth Social, em uma ameaça lançada — em pleno Domingo de Páscoa para os católicos — poucas horas depois de o Papa Leão XIV fazer um apelo pela paz. Trata-se de uma nova guinada sobre o que o Estreito de Ormuz representa para os EUA: ora o presidente pede ajuda aos aliados para assegurá-lo, ora diz que não tem nenhum interesse nele, para posteriormente lançar uma dura ameaça ao Irã.

Há dez dias, quando estendeu o ultimato de 48 horas, Trump havia marcado a segunda-feira, dia 6, como o dia de seus ataques contra infraestruturas elétricas — o que constitui um crime de guerra, por se tratar da destruição de instalações civis básicas.

Frustração e realidade militar

A mensagem na Truth Social evidencia o desânimo de Trump diante de uma situação que está fugindo ao seu controle. O presidente dos EUA vem anunciando sua vitória esmagadora desde o dia seguinte ao início dos bombardeios sobre o Irã, em 28 de fevereiro. No entanto, justo quando se completavam cinco semanas, o Irã abateu pelo menos um caça F-15 por meio de defesas antiaéreas que, segundo o presidente, haviam sido devastadas semanas atrás. O incidente obrigou os EUA e Israel a desenvolverem uma arriscada operação de resgate dos dois pilotos, que terminou com sucesso.

Ao mesmo tempo, se a capacidade militar do Irã fosse realmente inexistente, por que o presidente precisaria redobrar seu ultimato sobre a abertura do Estreito de Ormuz de maneira tão violenta?

O Washington Post deu pistas neste domingo, explicando que a Amazon está aplicando uma taxa de combustível em suas entregas, enquanto os juros hipotecários atingem o nível mais alto em sete meses e os consumidores se preparam para o aumento nos preços de refrigerantes e detergentes.

Impacto econômico no bolso dos americanos

De fato, o impacto da guerra no Irã sobre a economia americana já está sendo sentido no bolso dos cidadãos, apesar de o Departamento de Trabalho ter informado na última sexta-feira a criação de 178.000 postos de trabalho em março.

Contudo, o aumento das contas de energia, as taxas de juros e a escassez de suprimentos são sinais de que tempos piores virão. Nesse sentido, os americanos, por uma margem de 56% contra 7%, preveem que a guerra terá um “impacto principalmente negativo” em sua situação econômica pessoal, segundo uma pesquisa da Ipsos realizada em 31 de março.

Um conflito no Oriente Médio que se prolongue por mais alguns meses estenderia, quase com certeza, a alta de preços e as interrupções nas cadeias de suprimentos além da Ásia e Europa, chegando às costas dos Estados Unidos.

Uma interrupção de três meses no comércio marítimo habitual elevaria os preços do petróleo para 170 dólares por barril, segundo a Bloomberg. Se a guerra durar seis meses, a economia mundial — privada de 13 milhões de barris de petróleo diários — cairia em uma recessão, segundo a Oxford Economics.

Reações e diplomacia

Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento do Irã, afirmou que é Trump quem criou um “inferno” em sua região e nos EUA. “Seus movimentos imprudentes estão arrastando os Estados Unidos para um inferno em vida para cada família... toda a nossa região vai arder porque insistem em seguir as ordens de Netanyahu”, escreveu na rede social X.

Por outro lado, o senador republicano Lindsey Graham, um dos poucos com voz no círculo íntimo de Trump, disse que o presidente leva “muito a sério” seu ultimato e assegurou que a “janela para a diplomacia está se fechando”.

Trump não descartou o envio de tropas terrestres se Teerã não chegar a um acordo, conforme afirmou em entrevista ao The Hill. Ao ser questionado sobre o tema, ele respondeu: “Não”. Enquanto isso, disse à Fox que o acordo poderia ser fechado em breve: “Acho que há muitas chances de que amanhã se chegue a um acordo, estão negociando agora mesmo”.

Cortes sociais para financiar a guerra

Enquanto isso, o presidente quer aumentar o orçamento de Defesa para 2027 em 40%, ao mesmo tempo em que prevê um corte de 73 bilhões de dólares em programas sociais.

“Não podemos cuidar de creches, do Medicaid, do Medicare e de todas essas questões individuais. Os estados podem fazer isso. Somos um país grande... Estamos travando guerras. Não podemos cuidar de creches”, disse o presidente em um almoço privado com assessores. A fala foi compartilhada pela Casa Branca em seu canal no YouTube e depois deletada, mas não antes que o Business Insider a tivesse gravado.

Leia mais