20 Março 2026
O presidente dos EUA fez uma referência sarcástica ao ataque japonês ao discutir a guerra contra o Irã, e o fez na presença de Sanae Takaichi. O assunto geralmente não é abordado publicamente entre os dois países, muito menos em tom de brincadeira.
A informação é publicada por Página|12, 20-03-2026.
Durante uma cúpula com a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi na quinta-feira, Donald Trump usou uma piada sobre o ataque japonês à base naval americana de Pearl Harbor durante a Segunda Guerra Mundial para explicar que Washington queria iniciar a guerra contra o Irã de "surpresa" e, portanto, não avisou seus aliados.
“Não é prudente dar muitos sinais. Quando agimos — e agimos com muita força — não avisamos ninguém, porque buscávamos o elemento surpresa”, explicou Trump a um repórter japonês que lhe disse que Tóquio ficou muito surpresa com o fato de Washington não ter notificado o país asiático ou seus aliados europeus com antecedência sobre os bombardeios contra o Irã.
“E quem entende mais de surpresas do que o Japão? Por que eles não me avisaram sobre Pearl Harbor?”, brincou Trump com a primeira-ministra japonês no Salão Oval. “Eles entendem mais de surpresas do que nós”, acrescentou.
O ataque japonês à base naval na ilha do Havaí em dezembro de 1941 não só levou os Estados Unidos a entrar no conflito, como, até 11 de setembro de 2001, foi o ataque que deixou o maior número de baixas americanas (mais de 2.400) em seu território.
Juntamente com o lançamento de duas bombas atômicas americanas sobre o Japão, este é um dos episódios que Washington e Tóquio tendem a evitar mencionar ao máximo no contexto de suas relações diplomáticas.
Uma atitude recorrente do presidente dos EUA
O comentário de quinta-feira lembra outros episódios semelhantes envolvendo Trump e líderes europeus.
Em janeiro passado, o presidente americano disse no Fórum Econômico de Davos que, sem a ajuda de seu país na Segunda Guerra Mundial, a comunidade de língua alemã na Suíça (um país que também era neutro no conflito) e no resto da Europa estariam "falando alemão".
Em 2025, durante uma aparição conjunta com o chanceler alemão Friedrich Merz, Trump também disse que o desembarque aliado na Normandia, no Dia D, não foi "um dia agradável" para os alemães.
Merz fez questão de esclarecer que os alemães comemoram o sucesso dessa operação, que se mostrou fundamental para a derrota do nazismo e para o fim da guerra na Europa.
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