18 Março 2026
“Desaparecer para que Cristo permaneça.” As palavras de Leão XIV na Capela Sistina, em 9 de maio do ano passado, perante os cardeais que o haviam eleito no dia anterior, não eram apenas um manifesto do pontificado, uma expressão da espiritualidade do novo Papa, mas também um programa de governo.
A informação é de Gian Guido Vecchi, publicada por Corriere della Sera, 17-03-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Robert Francis Prevost, como Padre Geral dos Agostinianos, liderou sua ordem com mão firme e começou a fazer o mesmo com a Igreja. Um estilo pacato, suave nos tons, porém determinado. Leão XIV não tem pressa, mas já com suas primeiras escolhas revelou o perfil do que se tornaria sua Cúria.
Além disso, ao analisar os conclaves mais recentes, percebe-se como os cardeais, em cada ocasião, escolheram o perfil necessário para aquele momento histórico. Somente Joseph Ratzinger tinha a profundidade e as costas suficientemente largas para sustentar a sucessão de João Paulo II e seus vinte e seis anos de pontificado. Após o escândalo Vatileaks e a renúncia de Bento XVI, a atmosfera pesada que pairava sobre a Basílica de São Pedro foi imediatamente dissipada pela eleição do "padre das ruas", o primeiro a escolher o nome do santo de Assis. A sacudida de Francisco atraiu um afeto planetário, mas também encontrou acirradas resistências, fora e talvez especialmente dentro da Igreja. Os cardeais, no último conclave, estavam cientes de que precisavam escolher um homem capaz de reconciliar e superar as diferenças. Assim, Leão XIV confirmou todos os cargos "donec aliter provideatur", até que se disponha de outra forma, e começou a agir com cautela e método, numa espécie de normalização.
Um sistema de espólios semelhante àquele dos sistemas políticos não funciona na Igreja, muito menos com Prevost. Uma mudança na Secretaria de Estado é iminente: se o Cardeal Pietro Parolin permanecer no comando, o Arcebispo venezuelano Edgar Peña Parra, de 66 anos, Substituto e, portanto, "número dois" da Terceira Loggia, estaria prestes a ser transferido e, segundo consta, se tornará núncio na Itália. O fato é que, até agora, em dez meses, o Pontífice trocou apenas dois "ministros". Mais recentemente, escolheu como Prefeito do Dicastério da Caridade o Arcebispo espanhol Luis Marín de San Martín, de 64 anos, que já foi subsecretário do Sínodo, no lugar do Cardeal polonês Konrad Krajewski, de 62 anos, que foi nomeado arcebispo de sua cidade natal, Lodz. Cada Pontífice escolhe seu próprio Esmoleiro, e o Cardeal Krajewski foi um símbolo do pontificado de Francisco, famoso por suas rondas noturnas de van entregando comida e ajuda aos sem-teto, suas missões na Ucrânia e entre os migrantes em Lesbos, sua ajuda às mulheres trans em Torvaianica que ficaram sem clientes devido à Covid, e pela vez em que desceu na casa das máquinas de um prédio romano ocupado para religar a eletricidade.
O novo Esmoleiro dará continuidade ao "magnífico esforço" de seu antecessor — "Quero me deixar interpelar pelo grito dos pobres" —, mas se pode imaginar com um estilo mais afim ao de Prevost, também porque é um frade agostiniano como o Papa e se conhecem há décadas.
Leão XIV demonstra atenção especial àqueles que, como ele, pertencem a uma ordem religiosa e, sobretudo, como ele, têm um perfil discreto. Em seu discurso de Natal à Cúria, ele falou da "amargura" e da "decepção" diante de "certas dinâmicas ligadas ao exercício do poder, a mania de se destacar".
Sua primeira nomeação importante foi em 25 de setembro, como chefe do dicastério que liderava como cardeal: para Prefeito dos Bispos, escolheu o Arcebispo Filippo Iannone, de 68 anos, anteriormente chefe dos Textos Legislativos. Assim como o novo Esmoleiro, Iannone tem um perfil discreto e é um frade carmelita. Outros cargos poderão ficar vagos nos próximos meses, em virtude de cardeais que completaram seus mandatos quinquenais e foram confirmados pro tempore, como o Arcipreste de São Pedro Mauro Gambetti, de 60 anos, e outros que já passaram da idade de aposentadoria, como Michael Czerny, que completa 80 anos em julho, prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral.
Enquanto isso, vários nomes estão surgindo. Outra nomeação importante, que se destaca, é a do novo vice-regente da Prefeitura da Casa Pontifícia, o nigeriano agostiniano Edward Daniang Daleng, de 48 anos. Para os exercícios espirituais da Quaresma, Leão XIV escolheu como pregador o bispo norueguês Erik Varden, de 51 anos, monge trapista da Ordem Cisterciense. Entre os oradores de seu primeiro consistório extraordinário, em janeiro, os únicos que ainda não lideravam um dicastério eram os cardeais Fabio Baggio, de 61 anos, scalabriniano e subsecretário para o Desenvolvimento Humano Integral; e Ángel Fernández Artime, de 65 anos, ex-reitor-mor dos Salesianos e pró-prefeito dos Religiosos.
Moderação, afabilidade. Mas dando continuidade às inovações de Francisco. As primeiras ações de Leão XIV confirmam o crescimento de papéis de responsabilidade feminina. A Irmã Simona Brambilla, a primeira mulher a chefiar um dicastério, nomeada por Bergoglio como Prefeita dos Religiosos, com Prevost, também se tornou membro do Dicastério dos Bispos. A Irmã Raffaella Petrini, a primeira mulher a chefiar o Governatorato, também foi nomeada para a Comissão de Assuntos Confidenciais, um órgão fundamental que decide se o sigilo deve ser aplicado a questões jurídicas, econômicas ou financeiras.
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