12 Março 2026
O Departamento de Defesa dos EUA proibiu a startup de Amodei depois que ela se recusou a remover as restrições ao uso militar de IA. A gigante do software classificou a decisão como "desproporcional e prejudicial".
A reportagem é de Filippo Santelli, publicado por La Repubblica, 11-03-2026.
A batalha judicial entre a startup de inteligência artificial Anthropic e o Pentágono sobre os limites do uso de IA nas forças armadas pode redefinir profundamente a relação antes próxima entre as grandes empresas de tecnologia e o governo Trump. Isso fica evidente pela decisão de uma gigante como a Microsoft, ela própria na vanguarda dos algoritmos inteligentes, de se posicionar abertamente ao lado da Anthropic. Ontem, a empresa liderada por Satya Nadella entrou com um pedido judicial para suspender a designação da Anthropic como "fornecedora de risco" e sua consequente proibição de participar de todos os contratos públicos, classificando a medida como "drástica" e "sem precedentes" que teria "vastas ramificações negativas" para a indústria de tecnologia americana.
Os limites da inteligência artificial
Um breve resumo da história. A disputa entre a Anthropic, principal concorrente da OpenAI, que sempre manteve uma abordagem ética em relação à tecnologia, e o Departamento de Guerra, liderado por Pete Hegseth, começou quando a startup — fornecedora de longa data do Pentágono e a única IA já utilizada em cenários de combate — se recusou a eliminar as restrições que proibiam o uso de algoritmos para vigilância em massa e sistemas de armas autônomas. Em resposta, Trump e Hegseth a rotularam de "fornecedora de risco", uma designação nunca antes aplicada a uma empresa americana e anteriormente reservada a gigantes da tecnologia chinesas como a Huawei. A Anthropic recorreu da decisão do Pentágono, que efetivamente a impede de negociar com o setor público, mas também complica significativamente suas relações com o setor privado.
O Vale do Silício toma partido
A disputa midiática, jurídica e ideológica entre Dario Amodei, chefe da Anthropic, e o governo dividiu o Vale do Silício. Assim que o escândalo estourou, a OpenAI se apressou em fechar um contrato com o Pentágono, aceitando todos os seus termos, apenas para renegociá-los após sofrer uma onda de indignação pública e uma debandada de usuários. Na última segunda-feira, um grupo de 30 pesquisadores da própria OpenAI e do Google se posicionou ao lado da startup. Agora, a b, a gigante da tecnologia, entrou na briga, depois de ter adotado uma postura cautelosa, porém submissa, em relação a Trump.
Novos saldos
Será que a exigência do Pentágono pelo uso irrestrito de IA, e a recusa da Anthropic, estão realmente levando outras gigantes da tecnologia a reposicionarem suas estratégias? Ainda é cedo para dizer. Em sua carta, a Microsoft levanta a questão como um assunto de interesse nacional, um tema também caro ao governo Trump, argumentando que tal medida coloca em risco o desenvolvimento da tecnologia americana. Por outro lado, a empresa liderada por Satya Nadella, que inicialmente tinha laços estreitos com a OpenAI, agora busca diversificar seus riscos estabelecendo parcerias com a Anthropic, cujas poderosas ferramentas para desenvolvedores e empresas foram recentemente integradas aos seus serviços. Ao defender a startup e pedir que a disputa seja resolvida por meio do diálogo, a Microsoft está, essencialmente, defendendo a si mesma.
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