10 Março 2026
A multidão na praça aguarda em vão o discurso do Líder. Autoridades estrangeiras afirmam ter sido procuradas para negociações pela China, França e Rússia. Os Pasdaran dizem que o Estreito de Ormuz está aberto para aqueles que perseguem americanos e israelenses.
A reportagem é de Gabriella Colarusso, publicada por La Repubblica, 10-03-2026.
O triângulo de mediação está em movimento, enquanto os mercados continuam a negociar acima de US$ 100 o barril de petróleo. São eles: a Rússia de Putin, a China de Xi e a França de Macron. Estão em contato com Teerã, que por sua vez está em contato com Trump. O objetivo é acalmar os mercados de ações e iniciar uma desescalada que leve a um cessar-fogo. "Alguns países entraram em contato conosco, incluindo Rússia, China e França, a respeito de um cessar-fogo", confirmou o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Gharibabadi, na televisão estatal, especificando que a primeira condição de Teerã para uma possível trégua seria o fim de novas agressões contra o país. Pouco depois, o ministro das Relações Exteriores, Araghchi, esclarece que as negociações com os Estados Unidos não estão em pauta por enquanto, e enquanto ele fala Israel lança novos ataques pesados contra Teerã.
Trump says the US and Israel are close to achieving their objectives in Iran and that the war will end “very soon”, but not this week. The IRGC has rejected his remarks as “nonsense”, insisting it will decide when the war ends.
— Al Jazeera English (@AJEnglish) March 10, 2026
Al Jazeera’s Tohid Asadi and @nida_journo report. pic.twitter.com/YuqYzQghif
A vitória almejada pela República Islâmica é forçar os Estados Unidos a um acordo negociado, mantendo o sistema vigente e conseguindo substituir um Khamenei por outro — um tapa simbólico na cara da tentativa de Trump e Netanyahu de orquestrar uma mudança de regime politicamente orquestrada de cima para baixo. A estratégia para alcançar esse objetivo é bloquear as artérias vitais da economia regional. Kamal Kharazi, assessor do Guia, explica isso claramente à CNN. A guerra só terminará infligindo "dor econômica" aos países. Os pasdarianos estão oferecendo "passagem segura" pelo Estreito de Ormuz a países árabes e europeus que expulsem os embaixadores israelense e americano. Essa manobra ocorre enquanto todos em Teerã o aguardam: Mojtaba Khamenei, com milhares reunidos na Praça Enghelab para jurar lealdade a ele. Mas, em seu primeiro dia como presidente da Terceira República Islâmica, o herdeiro não aparece.
O site iraniano Didar News anunciou um discurso dele, e o Iran International — canal ligado à oposição monarquista — reiterou o rumor. Ao anoitecer, tudo permanecia em silêncio. Isso foi o suficiente para alimentar o mistério em torno de uma figura já enigmática, sobre a qual se sabe muito pouco. Teorias da conspiração e especulações proliferam, com alguns chegando a afirmar que ele está em estado crítico. Segundo o Canal 12, ele ficou gravemente ferido no ataque que matou seu pai, sua mãe, sua esposa e um de seus três filhos.
BREAKING: Iran's FM Abbas Araghchi says Tehran's actions are “defensive” and not directly targeting neighbouring countries, but rather the source of US attacks originating from those nations.
— Al Jazeera English (@AJEnglish) March 9, 2026
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Em público, toda a cúpula do establishment declara seu apoio e lealdade. "A preciosa eleição do Aiatolá Sayyed Mojtaba Hosseini Khamenei é uma manifestação da vontade do povo de governar", escreve o presidente Pezeshkian. Sua nomeação gerou "desespero nos EUA e em Israel", insiste Ali Larijani. Nos bastidores, as divisões permanecem sem solução. Segundo Amwaj, a eleição de Mojtaba ocorreu contra a vontade de seu pai, "expressa em um testamento escrito", que não exigia sucessão hereditária. O quórum para votação na Assembleia de Peritos "foi atingido por pouco". As disputas internas, no entanto, importam apenas até certo ponto, assim como as ameaças de Trump de destituí-lo, porque os Pasdaran (membros do governo) ganharam vantagem sobre os outros ramos do sistema em Teerã.
No Irã em guerra, o que governa é uma doutrina, não um líder: a defesa em mosaico concebida por Khamenei e pela liderança militar após a invasão americana do Iraque para permitir que o sistema sobreviva mesmo em caso de crise de poder central. Ela funciona independentemente de Mojtaba estar ferido ou vivo e bem.
Os 31 comandos militares descentralizados nas diversas províncias do Irã não necessitam de sua autorização para operações militares. Tanto é assim que, enquanto o Irã aguarda um sinal de Khamenei, o comandante das forças aeroespaciais da Guarda Revolucionária, Majid Mousavi, levanta a voz e declara que, a partir de agora, Teerã não lançará mais mísseis com ogivas pesando menos de uma tonelada.
O establishment sabe que a pressão econômica sobre o Golfo e o bloqueio do Estreito de Ormuz estão prejudicando os americanos. E os sinais vindos de Washington parecem, por ora, comprovar essa percepção.
Trump e i suoi non solo commettono crimini di guerra (cosa non nuova) ma se ne vantano anche e in mondovisione (cosa nuova). Chiunque verrà dopo di loro dovrà consegnarli alla giustizia oppure implicitamente perdonarli dal punto di vista legale morale e religioso (essendo…
— Massimo Faggioli (@MassimoFaggioli) March 10, 2026
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