Trump exigiu a rendição das forças iranianas sob ameaça de "morte certa"

Foto: The White House/Flickr

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02 Março 2026

 O presidente dos EUA, Donald Trump, instou no domingo a Guarda Revolucionária do Irã a se render em troca de imunidade ou enfrentar "morte certa". Enquanto isso, as tensões com Teerã aumentaram e um triunvirato assumiu o controle do país após a morte do Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, nos ataques de sábado.

A reportagem é publicada por Página|12, 02-03-2026.

“A morte não será agradável”

Trump fez suas ameaças a Teerã em uma declaração publicada em vídeo em sua plataforma de mídia social, Truth Social. "Exorto a Guarda Revolucionária, a polícia militar iraniana, a depor as armas e receber imunidade total ou enfrentar morte certa", advertiu. "Todo o comando militar do Irã foi dizimado, e muitos deles querem se render para proteger suas vidas. Eles querem imunidade", afirmou, especificando que 48 líderes iranianos foram mortos nos ataques, incluindo Khamenei.

Ainda assim, Trump afirmou que as operações continuarão “com toda a força” até que todos os objetivos de Washington sejam alcançados. Nesse sentido, o presidente defendeu essas ações como necessárias para garantir a segurança dos americanos. “Por quase 50 anos, esses extremistas malignos têm atacado os EUA enquanto gritam ‘Morte à América’ ou ‘Morte a Israel’, ou ambos”, observou ele.

“Vou repetir: eles jamais conseguirão ter uma arma nuclear. Isso porque, na Operação Martelo da Meia-Noite, em junho passado, aniquilamos o programa nuclear do regime. Após esse ataque, os advertimos para que nunca retomassem seu programa malicioso de busca por armas nucleares e, repetidamente, pedimos que chegassem a um acordo”, explicou. “Tentamos. Eles queriam, depois não queriam, depois de novo não queriam, não sabiam o que estava acontecendo, só queriam fazer o mal. Mas o Irã se recusou. Rejeitaram todas as oportunidades de abandonar suas ambições nucleares, e não aguentamos mais”, afirmou.

Mudanças na liderança iraniana

Entretanto, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, o chefe do judiciário do Irã, Gholamhossein Mohseni-Ejei, e um jurista do Conselho dos Guardiães formaram um "conselho de liderança temporário" para conduzir a República Islâmica até que o processo de eleição de um novo líder seja concluído, após a morte de Khamenei. A informação foi divulgada por Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.

Teerã também nomeou o Brigadeiro-General Ahmad Vahidi como o novo comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, segundo a agência de notícias iraniana Mehr. Vahidi é um líder militar acusado de envolvimento no atentado à AMIA. Ele substitui o General Mohamad Pakpur, que foi morto nos ataques aéreos conjuntos entre Estados Unidos e Israel, conforme noticiado pela agência espanhola EFE.

A nova liderança do Irã transmitiu aos Estados Unidos e a Omã sua disposição para negociar enquanto o conflito continua, de acordo com o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi. O representante do país mediador afirmou que seu homólogo iraniano, Abbas Araqchi, expressou a prontidão de Teerã para "qualquer esforço sério que contribua para interromper a escalada e restaurar a estabilidade", informou a agência de notícias omanita ONA.

Contudo, o Irã jurou vingar a morte do aiatolá, prometendo atacar os EUA e Israel "com uma força que jamais experimentaram". Segundo o ministro das Relações Exteriores, os bombardeios em Teerã não afetam a capacidade do país de continuar a guerra, graças ao seu sistema de defesa descentralizado; portanto, em sua visão, cabe ao Irã decidir quando e como encerrá-la.

Fogo cruzado

Suas palavras foram proferidas ao final de um dia em que a capital iraniana foi alvo de pelo menos sete ondas de ataques e duas dezenas de bombardeios que causaram danos e vítimas, em número não divulgado. Entre os alvos estava a televisão estatal iraniana, que também foi atacada em junho, num atentado que matou dois jornalistas.

Segundo Trump, a ofensiva contra a República Islâmica destruiu nove de seus navios de guerra, além do quartel-general da Marinha, entre outros alvos. O exército israelense informou em comunicado que destruiu 50% dos lançadores de mísseis balísticos do Irã, aproximadamente 200, e impediu a produção de 1.500 mísseis.

Segundo o relatório, o exército israelense também atacou quatro instalações utilizadas na produção de motores de mísseis balísticos, além de outros componentes-chave da indústria bélica iraniana. A Guarda Revolucionária, por sua vez, alegou que seus mísseis atingiram o porta-aviões USS Abraham Lincoln, alegação negada pelo Comando Central dos EUA (Centcom).

Washington reconheceu a morte de pelo menos três militares americanos desde o início da operação no sábado. Mais de 200 pessoas morreram no Irã em decorrência de ataques de Israel e dos Estados Unidos, incluindo 148 no bombardeio de uma escola primária feminina em Minab (sul do Irã). Enquanto isso, em Israel, 10 pessoas morreram em ataques com mísseis iranianos.

Alerta europeu

Entretanto, a União Europeia alertou que o Oriente Médio “tem muito a perder” com uma guerra prolongada e exigiu “máxima contenção”, segundo a ministra das Relações Exteriores da UE, Kaja Kallas, após uma reunião extraordinária dos ministros das Relações Exteriores do bloco. O bloco também enfatizou a importância de não interromper “rotas marítimas críticas, como o Estreito de Ormuz”, uma via estratégica para o transporte marítimo global.

França, Reino Unido e Alemanha, que formam o chamado bloco E3, alertaram que irão considerar a adoção de medidas para destruir a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones, a fim de defender seus interesses e os de seus aliados no Oriente Médio, uma questão na qual colaborarão com os Estados Unidos. "Tomaremos medidas para defender nossos interesses e os de nossos aliados na região, potencialmente permitindo as ações defensivas necessárias e proporcionais para destruir a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones em sua origem", declararam os três países em uma declaração conjunta.

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