25 Fevereiro 2026
"As guerras se sucederam numerosas e sangrentas em outras partes do mundo. Continuo sendo convicto de que a esquerda, independentemente do que se pensa possa ser hoje, deveria em primeiro lugar se empenhar contra a guerra, que, aliás, é cada vez mais indistinguível de um conflito entre bandos terroristas armados por todos os lados, e que é a manifestação mais 'bárbara' contra a vida e contra a liberdade", escreve Alberto Leiss, jornalista italiano, em artigo publicado por Il Manifesto, 24-02-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Discuti aqui criticamente um editorial de Ezio Mauro, que, usando a retórica liberal-ocidental, convidava a esquerda a considerar Kiev e Teerã “cidades sagradas”: a liberdade e a vida das pessoas aqui estão sendo atacadas pela invasão de Putin e pela repressão cruel do regime dos aiatolás (esperemos que não, em breve, também por uma intervenção dos EUA). Provocação esta que, não por acaso, omitia outros lugares — em especial Gaza — onde a vida e a liberdade das pessoas foram, e continuam sendo, massacradas pela reação israelense aos pogroms do Hamas de 7 de outubro.
Em seguida, veio a resposta polêmica de Luciano Canfora a Mauro: “Que as capitais da esquerda sejam Minneapolis e Gaza”. A título de esclarecimento, não compartilho nem mesmo esse outro tipo de sugestão “seletiva” para a infeliz esquerda.
Hoje se completam quatro anos desde o ataque de Putin à Ucrânia. Fala-se, entre russos e ucranianos, de até dois milhões de mortos, principalmente soldados dos dois exércitos, e dezenas de milhares de civis.
Esses números são difíceis de verificar, mas é certo que o sacrifício humano está entre os mais altos das guerras que se sucederam desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Costuma-se dizer que vivemos um longo período de paz, mas isso só foi verdade — até as guerras dos Balcãs na década de 1990 e o conflito sobre o Kosovo e depois na Ucrânia — para nós, europeus.
As guerras se sucederam numerosas e sangrentas em outras partes do mundo. Continuo sendo convicto de que a esquerda, independentemente do que se pensa possa ser hoje, deveria em primeiro lugar se empenhar contra a guerra, que, aliás, é cada vez mais indistinguível de um conflito entre bandos terroristas armados por todos os lados, e que é a manifestação mais "bárbara" contra a vida e contra a liberdade. Assim como contra qualquer forma de ditadura que reprime com a violência a liberdade. Fazer rankings sobre a maior ou menor "importância" das vítimas, se elas são merecedoras ou não de compaixão e luto, parece-me, antes de tudo, uma traição aos princípios elementares da civilização daquele amealhado de civilidade que a humanidade foi capaz de produzir ao longo dos séculos.
A cada dia, vemos mais e mais o risco de uma deriva de violência do mundo inteiro. Uma pesquisa sobre os sentimentos dos italianos, publicada ontem no jornal La Stampa, editada por Alessandra Ghisleri, revelou que mais de 80% dos entrevistados temem essa instabilidade global. Esse número é ainda maior entre os que se referem às forças de oposição, mas também é prevalente (67,2%) entre os que apoiam a maioria serenamente aliada de Trump. O Oriente Médio é visto como o mais alarmante (72,2%), mas seguido de perto (63,3%) pelo "front oriental" europeu — a Ucrânia.
Será que o "povo" é mais sábio do que os editorialistas e os intelectuais engajados? Naturalmente, volta à memória o slogan lançado por Rosa Luxemburgo contra a Primeira Guerra Mundial, em 1915: "socialismo ou barbárie". Hoje, a palavra socialismo ainda precisa ser preenchida com novos e compartilhados significados, mas tenho poucas dúvidas de que estamos diante de um precipício "bárbaro".
E a própria palavra "bárbaro" deve ser criticada, inventada pelos gregos contra os estrangeiros que "não sabem falar bem". Nós também deveríamos reconhecer que somos "bárbaros": "balbuciamos", faltam-nos palavras apropriadas e eficazes.
Palavras que, ao contrário, encontrei nas opiniões de um dissidente russo, Grigoriy Yavlinsky, entrevistado no domingo no jornal Avvenire por Raffaella Chiodo Karpinsky: é preciso se opor a Putin, mas propondo aos russos unir Europa e Rússia "de Lisboa a Vladivostok".
Ideia louca?
Talvez não se, como Yavlinsky, acredita-se numa cultura comum e "no amor, na dignidade e na liberdade".
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