26 Fevereiro 2026
Em parceria com a organização Community Self Defense Coalition, a Igreja Episcopal de Todos os Santos em Passadena, Califórnia, ofereceu o curso “Treinamento de Patrulhas Comunitárias”, indicando como reagir à investida dos agentes do truculento Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), a polícia de Trump. Organizadores reservaram um espaço na área da igreja para 150 pessoas. Compareceram mais de 800, e o encontro teve que ser realizado no próprio templo.
A informação é de Edelberto Behs.
Em entrevista ao portal The Christian Post, o pároco da igreja de Pasadena, Mark Chade, disse que uma confluência de fatores contribuiu para tamanha participação. “Este foi um sinal inconfundível do amor que as pessoas têm pelos seus vizinhos que vivem em estado de terror, como medo de fazer coisas que tornam o dia a dia reconhecível, como ir ao supermercado, lavar roupa ou até mesmo levar os filhos à escola”, arrolou.
Chase espera que os participantes tenham aprendido que “o que está acontecendo não é insuperável nem inevitável”, e que “podemos resistir de forma pacífica e eficaz em comunidades enraizadas e alicerçadas em profundo amor e serviço mútuo”.
A cidadania estadunidense está se dando conta da truculência do ICE. Pesquisa da Fox News, de meado de janeiro, mostrou que 59% dos entrevistados indicaram que as táticas do ICE são “agressivas demais”, um aumento de 10% em relação à pesquisa anterior, de julho passado. “Eu gostaria de pedir às pessoas que reflitam sobre se existe ou não uma crise na fronteira relacionada à entrada ilegal de criminosos violentos no país, especialmente uma crise que exige o nível de força que estamos testemunhando nessas operações do ICE,” pediu Chase.
Pastores e líderes religiosos intensificaram apelos por direitos humanos, dignidade e não-violência em áreas onde o ICE tem intensificado suas ações. Num encontro online, que reuniu mais de 100 líderes de diferentes religiões e denominações cristãs, o executivo da organização Faith in Action Network, Dwayne Royster, lembrou que a oração deve vir acompanhada de ação. “Este não é um momento para fé meramente performática”, definiu.
O moderador do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), bispo Dr. Heinrich Bedfor-Strohm, manifestou apreço pela postura de oração em defesa dos verdadeiros valores cristãos. “Como cristãos, devemos denunciar o uso indevido da religião para legitimar ações brutais em todo o mundo – seja no Irã, onde pessoas corajosas lutam pela liberdade, ou na Ucrânia, onde a população é aterrorizada diariamente por bombas russas. Ou agora, nos Estados Unidos, onde um presidente invoca a Bíblia enquanto persegue brutamente imigrantes e espalha medo e terror”.
A bispa da Diocese Episcopal de Washington DC mostrou-se consternada “com o que está acontecendo em nosso país, com nossos olhos e ouvidos particularmente voltados para Minnesota, mas plenamente conscientes de que o que está acontecendo lá também está acontecendo em bairros e cidades por toda a nossa nação”.
A rabina Jill Jacobs, de Nova Iorque, ofereceu uma oração de lamento. “Por quanto tempo tropas armadas patrulharão nossas ruas aterrorizando, sequestrando e assassinando nossos vizinhos?” – perguntou. E pediu:
“Conceda compaixão aos nossos corações cansados para que possamos continuar a cuidar uns dos outros e de nós mesmos”.
O cardeal Joseph Tobin, da Arquidiocese Católica de Newark, Nova Jersey, lamentou por um mundo, “um país que permite que crianças de cinco anos sejam legalmente sequestradas e que manifestantes sejam massacrados. Como vocês dirão não à violência?”
Como se imaginam viver com o tipo de medo que tomou conta de Minneapolis, quando uma batida na porta pode significar violência, concitou a bispa Francine Brookins, da Igreja Metodista Episcopal Africana. O vice-presidente de Políticas e Programação do Conselho de Assuntos Públicos Muçulmanos, Haris Tarin, pediu orações às comunidades de imigrantes do todo o país.
Fortaleça-nos para confrontar sistemas que lucram com o medo, políticas que destroem famílias e práticas que desumanizam as pessoas em nome da lei, da ordem e da polícia. Proteja aqueles que protestam pacificamente. Responsabilize aqueles que detêm o poder, mesmo que tentem se esquivar. Faça de nós construtores de um futuro em que a segurança não venha à custa da dignidade.
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