Cristãos LGBT e comunidade eclesial: um possível caminho para as paróquias

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14 Janeiro 2026

Mesmo em relação às pessoas LGBT, valorizar a interioridade permite superar a oposição entre lei e vida, oferecendo uma nova proposta pastoral capaz de iluminar o caminho daqueles que buscam a Deus e desejam acolhê-Lo. Para além da orientação sexual ou das dificuldades de definir a própria identidade de gênero.

O artigo é de Luciano Moia, teólogo, publicado por Avvenire, 11-01-2026. A tradução é de Luisa Rabolini

Eis o artigo.

Não se trata apenas de uma questão doméstica. O reconhecimento e o acolhimento das pessoas LGBT nas grandes famílias que são as nossas comunidades diocesanas e paroquiais é, felizmente, um fato amplamente compartilhado. Por vezes, porém, o empenho parece limitar-se a uma adesão formal que, para além da proposta que emergiu do Documento Final da Assembleia Sinodal, aprovada por ampla maioria, ainda precisa ser traduzida em boas práticas. Mas como? É aqui que começam os problemas. Podemos imaginar caminhos dedicados aos cristãos homossexuais, fundados em bases teológicas que não estejam em contradição com a doutrina, capazes de criar uma ponte entre a consciência e a lei? Segundo o padre Luca Lunardon, professor de Ética da Vida e dos Relações no ISSR em Vicenza, a tentativa pode e deve ser feita. Para explicar como, Lunardon escreveu um ensaio original, a partir da tese com a qual obteve, há alguns meses, seu doutorado em teologia moral pela Pontifícia Universidade Gregoriana. O título — "Il principio di pastoralità. Recezione in teologia morale e pratica teológica nel campo dei cristiani Lgbt+” (O Princípio da pastoralidade: Recepção na teologia moral e prática teológica no campo dos cristãos LGBT+, Studium Edizioni) — poderia sugerir um texto complexo, muita teoria e pouca substância. Em vez disso, é exatamente o oposto.

O padre Lunardon parte da experiência de campo. Para evitar clichês e afirmações genéricas, frequentou por quatro anos as associações de cristãs LGBT, participou de encontros e peregrinações, momentos de oração e cursos de formação. O texto lista tudo isso com precisão, ressaltando o fato de que sua pesquisa partiu da base. Mas a ideia mais original é ter aplicado ao mundo dos cristãos LGBT o “princípio da pastoralidade”, uma bela ideia que vem diretamente do Vaticano II e que, resumidamente, seria: a evangelização só pode ocorrer envolvendo diretamente as pessoas a quem a proposta se destina. O envolvimento melhora as relações e cria as condições para a renovação de nossas comunidades. Vamos tentar entender melhor. Se a Igreja começa um debate à luz das novas situações que encontra — neste caso, o mundo dos cristãos LGBT — e se a teologia moral se deixa interpelar por essas realidades, o clima também muda, e nos abrimos à compreensão e à aceitação do outro. Todos saem ganhando. O objetivo seria, então, a renovação doutrinal? Não, “o princípio da pastoralidade” — escreve o Padre Lunardon — já “reconhece à relação pastoral a dignidade de espaço teológico”.

Vamos tentar traduzir. Quando as comunidades cristãs se abrem ao acompanhamento consciente e convicto dos cristãos LGBT, se constroem boas práticas que mudam a essência das coisas, colocando entre parênteses as normas, mas sem suprimi-las. É importante, contudo, prestar atenção em alguns aspectos que podem dar visibilidade a esse salto qualitativo na inclusão pastoral. A renovação também se mede pelo cuidado das palavras. O teólogo dá o exemplo da expressão "intrinsecamente desordenados", que por vezes ainda é usada em referência aos atos homossexuais. Dever-se-ia esclarecer, explica, que "não se refere a uma desordem de tipo pessoal ou moral, mas à impossibilidade de esses atos serem ordenados às duplas finalidades unitiva e procriativa que atualmente o ensinamento eclesiástico atribui aos atos sexuais". Segundo "o princípio da pastoralidade", em vez disso, as palavras da moral deveriam "antes de tudo ajudar a reconhecer a ligação entre o Evangelho e a nossa própria existência".

No caminho da renovação pastoral, além disso, dever-se-ia atribuir grande destaque àquele conceito que a teologia define como habitus, ou seja, o conjunto das experiências, dos hábitos e do sentimento profundo das pessoas que representa uma espécie de computador de bordo para viver as diferentes situações. É precisamente o habitus, enfatiza o teólogo, que nos permite compreender se essas escolhas propiciam consolo espiritual ou desolação. Em outras palavras, estamos autenticamente felizes com as nossas escolhas ou estamos tristes? Mesmo em relação às pessoas LGBT, valorizar a interioridade permite superar a oposição entre lei e vida, oferecendo uma nova proposta pastoral capaz de iluminar o caminho daqueles que buscam a Deus e desejam acolhê-Lo. Para além da orientação sexual ou das dificuldades de definir a própria identidade de gênero.

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