• Início
  • Sobre o IHU
    • Gênese, missão e rotas
    • Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros
    • Rede SJ-Cias
      • CCIAS
      • CEPAT
  • Programas
    • Observasinos
    • Teologia Pública
    • IHU Fronteiras
    • Repensando a Economia
    • Sociedade Sustentável
  • Notícias
    • Mais notícias
    • Entrevistas
    • Páginas especiais
    • Jornalismo Experimental
    • IHUCAST
  • Publicações
    • Mais publicações
    • Revista IHU On-Line
  • Eventos
  • Espiritualidade
    • Comentário do Evangelho
    • Ministério da palavra na voz das Mulheres
    • Orações Inter-Religiosas Ilustradas
    • Martirológio Latino-Americano
    • Sínodo Pan-Amazônico
    • Mulheres na Igreja
  • Contato
close
search
  • Início
  • Sobre o IHU
    • Gênese, missão e rotas
    • Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros
    • Rede SJ-Cias
      • CCIAS
      • CEPAT
  • Programas
    • Observasinos
    • Teologia Pública
    • IHU Fronteiras
    • Repensando a Economia
    • Sociedade Sustentável
  • Notícias
    • Mais notícias
    • Entrevistas
    • Páginas especiais
    • Jornalismo Experimental
    • IHUCAST
  • Publicações
    • Mais publicações
    • Revista IHU On-Line
  • Eventos
  • Espiritualidade
    • Comentário do Evangelho
    • Ministério da palavra na voz das Mulheres
    • Orações Inter-Religiosas Ilustradas
    • Martirológio Latino-Americano
    • Sínodo Pan-Amazônico
    • Mulheres na Igreja
  • Contato
search

##TWEET

Tweet

Necropolítica climática. Artigo de Julia Steinberger

Fonte: Unsplash

Mais Lidos

  • A sedução dos primeiros lugares. Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS
  • A conspiração neorreacionária de Curtis Yarvin. Artigo de Ava Kofman

    LER MAIS
  • A deriva de Trump e os silêncios do mundo. Artigo de Nathalie Tocci

    LER MAIS

Vídeos IHU

  • play_circle_outline

    21º domingo do tempo comum – Ano C – Na prática da justiça, o Reino se faz presente entre nós

close

FECHAR

Revista ihu on-line

Entre códigos e consciência: desafios da IA

Edição: 555

Leia mais

A extrema-direita e os novos autoritarismos: ameaças à democracia liberal

Edição: 554

Leia mais

Arte. A urgente tarefa de pensar o mundo com as mãos

Edição: 553

Leia mais

COMPARTILHAR

  • FACEBOOK

  • Twitter

  • LINKEDIN

  • WHATSAPP

  • IMPRIMIR PDF

  • COMPARTILHAR

close CANCELAR

share

30 Agosto 2025

“A necropolítica climática implica que estamos sendo sacrificados. Não há nada de passivo, nem de natural nesse processo”, escreve Julia Steinberger, pesquisadora e professora de Economia Ecológica na Universidade de Lausanne, em artigo publicado por La Marea-Climática, 28-08-2025. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

A “necropolítica” é a política da morte. O filósofo camaronês Achille Mbembe cunhou este termo para descrever a política mortífera do colonialismo: condições em que aqueles que estão no poder não precisam se preocupar com quem vive ou morre. As prioridades dos colonizadores estão em outro lugar: na terra, no poder e na riqueza. Os colonizados são deixados em condições em que suas vidas sequer são secundárias, mas irrelevantes.

A necropolítica é a política de estar em condições próximas à morte, que levam à morte. Aqueles que sobrevivem (ou não) sob ela recebem constantemente o lembrete de que suas vidas não significam nada, que não têm importância, nem consequências para os que estão no poder.

Nosso tempo está cheio de necropolíticas: o genocídio em Gaza demonstra o quão pouco as vidas palestinas valem para os governos europeus e estadunidense (enquanto Israel simplesmente os quer mortos). E a geopolítica para os Emirados Árabes Unidos é necropolítica para milhões de pessoas no Sudão. Nossas fronteiras-fortaleza são necropolítica para os migrantes, e a austeridade é simplesmente necropolítica econômica. Tudo isto funciona como um lembrete constante de que, para os que detêm o poder, nossas vidas não valem nada (ou menos que nada).

A necropolítica climática opera em uma escala ainda maior e mais prolongada. O abrasamento global nos coloca em condições de proximidade cada vez mais frequente com a morte: ondas de calor mortais, megaincêndios, inundações em massa. O fornecimento de alimentos se torna incerto, a água potável escassa, novas doenças se espalham. A cada ano, enfrentamos algumas destas formas, enquanto o anjo da morte climática sobrevoa cada vez mais de perto nossas casas.

É um jogo de espera e sofrimento. Este ano, acredito que minha família sobreviverá à onda de calor. Mas e no ano que vem? E no ano seguinte? Este ano, ainda consigo manter algumas árvores em nossa cidade regadas e vivas. E no próximo ano? E no seguinte? Em algum momento, não será suficiente. Este ano, as florestas da nossa região não sofreram muito, só algumas árvores morreram. E no ano que vem? E no seguinte? Algum dia, muitas secarão. É apenas uma questão de tempo até vermos as chamas dos incêndios florestais se arrastando sobre nossas colinas outrora verdes, descendo para encher nossos vales de fumaça.

Sob a necropolítica, cada decisão que tomamos se torna uma questão de sobrevivência, de prolongar o jogo da espera. Que roupa me protegerá melhor na onda de calor? Qual bairro tem menos probabilidade de inundar? Qual apartamento escolher? Aqueles que costumavam ser seguros, inclusive desejáveis, agora se tornaram armadilhas de calor mortais. E o que acontece com aqueles que tomam decisões equivocadas ou aqueles que não podem se permitir as corretas? Perdem mais rápido, morrem em maior número.

A necropolítica climática implica que estamos sendo sacrificados. Não há nada de passivo, nem de natural nesse processo. Aimé Césaire falava de “bumerangue imperial”, o processo mediante o qual a violência que começou contra as colônias seria reimportada para os colonizados. A necropolítica climática é o último bumerangue imperial: as grandes forças econômicas e industriais que levaram os países europeus a tomarem posse de terras e riquezas estão agora voltando para casa, em escala planetária.

As grandes companhias de combustíveis fósseis são os grandes poderes de nosso tempo, algumas adotam até mesmo a forma de Estado. Exxon-Mobil, BP, Shell, Gazprom, Saudi Aramco: todas decidiram que o poder e a riqueza valem mais do que todas as nossas vidas. Não vemos os diretores executivos das companhias fósseis (e, claro, todos aqueles que as apoiam) percorrer nossos bairros como mensageiros do anjo da morte, de casa em casa, levando uma pessoa aqui, outra ali, para os campos de extermínio. Mas, é o que fazem, e sabem que estão fazendo isso. Fizeram as contas, e nossas vidas, bem, simplesmente não lhes importam.

Sentada no meio de uma onda de calor europeia, às 4h da manhã, quando está quase suportável lá fora, eu me pergunto o que mudaria se pudéssemos reconhecer esses monstros (pelo que eles são). Se pudéssemos reconhecer a necropolítica como um ataque contra todos nós, se pudéssemos nos sentir motivados a lutar e resistir. Como qualquer poder colonizador, a indústria dos combustíveis fósseis e seus amigos criaram infraestruturas para manter o seu poder. Elas vão das armadilhas legais à desinformação em massa, da corrupção política à criação de uma cultura neoliberal de indivíduos impotentes. O alcance e a magnitude dessas infraestruturas são, por si só, assustadores, mas também demonstram que eles sabem que poderíamos - e gostaríamos - derrubá-los, se tivéssemos ao menos meia chance.

Preparando-me para o calor do dia, pergunto-me onde poderíamos encontrar essa meia chance…

Leia mais

  • Tratores de esteira como máquinas de guerra e a necropolítica como técnica de governo. Artigo de Márcia Rosane Junges
  • “A necropolítica é deixar morrer para manter viva uma economia predatória”. Entrevista com Eduardo Gudynas
  • Estamos mais perto de nos tornarmos refugiados climáticos do que bilionários. Artigo de Kamila Camilo
  • A Terra está retendo muito mais calor do que os modelos climáticos preveem, e essa não é uma boa notícia
  • ‘Neocolonialismo climático’ explica políticas de transição energética que violam direitos, diz pesquisadora
  • Cientistas alertam: mundo se aproxima de pontos de não retorno climáticos
  • Eventos climáticos destroem casas e distanciam crianças das escolas na Amazônia
  • Clima extremo matou quase 800 mil pessoas em três décadas
  • 48 mil morreram por ondas de calor no Brasil entre 2000 e 2018
  • Os idosos serão as principais vítimas das ondas letais de calor. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves
  • População pobre sofre mais nas ondas de calor
  • Aumento do nível dos oceanos pode provocar um ecocídio e fuga em massa do litoral. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves
  • Ecocídio: como o agronegócio inviabiliza a vida. Artigo de Luiz Marques
  • Palestina. O ecocídio dentro do genocídio
  • “Precisamos da Amazônia para evitar ecocídio do planeta”. Entrevista com Carlos Nobre
  • Megaincêndios: entramos em uma nova era? Artigo de Pierre Cilluffo Grimaldi
  • “Os incêndios não são naturais nem acidentais: são sintomas de uma ordem social específica.” Entrevista com Alejandro Pedregal

Notícias relacionadas

  • FLM é incentivada a rever investimentos em empresas de combustíveis fósseis

    Bispa Elizabeth A. Eaton, presidente da ELCA, discursando na Assembleia Geral em Nova Orleans (Foto: Reprodução/ELCA) As aç[...]

    LER MAIS
  • A indústria petrolífera e a morte dos recifes de corais em todo o mundo

    LER MAIS
  • Brasil licencia nova termelétrica a carvão

    LER MAIS
  • Igreja Luterana da América adere ao desinvestimento em combustíveis fósseis

    Cerca de 500 instituições em mais de 60 países no mundo todo já aderiram à chamada para o desinvestimento em combustíveis f[...]

    LER MAIS
  • Início
  • Sobre o IHU
    • Gênese, missão e rotas
    • Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros
    • Rede SJ-Cias
      • CCIAS
      • CEPAT
  • Programas
    • Observasinos
    • Teologia Pública
    • IHU Fronteiras
    • Repensando a Economia
    • Sociedade Sustentável
  • Notícias
    • Mais notícias
    • Entrevistas
    • Páginas especiais
    • Jornalismo Experimental
    • IHUCAST
  • Publicações
    • Mais publicações
    • Revista IHU On-Line
  • Eventos
  • Espiritualidade
    • Comentário do Evangelho
    • Ministério da palavra na voz das Mulheres
    • Orações Inter-Religiosas Ilustradas
    • Martirológio Latino-Americano
    • Sínodo Pan-Amazônico
    • Mulheres na Igreja
  • Contato

Av. Unisinos, 950 - São Leopoldo - RS
CEP 93.022-750
Fone: +55 51 3590-8213
humanitas@unisinos.br
Copyright © 2016 - IHU - Todos direitos reservados