Escolha do novo papa marcará o fim dos padres ‘da libertação’?

Foto: Yevhenii Deshko/Unsplash

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07 Mai 2025

Estudo revela que geração mais nova de padres no Brasil busca referenciais seguros nos sacramentos e na tradição, se deslocando da militância que marcou os anos 1970

A reportagem é de Marcelo Godoy, publicada por O Estado de S. Paulo, 07-05-2025.

Frei Betto completou 80 anos. Em 2024, foi homenageado em Havana. Vestia um boné do MST e posou para foto ao lado de estudantes de medicina. Meses depois do dominicano, padre Julio Lancelotti, o carmelita da Pastoral dos Povos de Rua de São Paulo, completou 76 anos. Na semana passada, encontrou um jovem sacerdote, o frei Gilson, de 38 anos, assim como ele, um fenômeno na internet – Lancelotti tem 2,2 milhões de seguidores no X e Gilson, 9,3 milhões.

Foi então que o sacerdote, que ao lado de Betto é um símbolo da Igreja progressista, a da opção preferencial pelos pobres, disse ao Estadão: “Eu que sou mais velho tenho uma teologia mais ligada ao Concílio Vaticano II. E os jovens uma teologia mais tradicional. Quando eu tinha idade dele, essa teologia era dos mais idosos. Agora, são os mais velhos que têm uma teologia mais interreligiosa, mais aberta para o mundo. Os da minha geração éramos mais afinados com o papa Francisco do que os mais jovens.”

Em Roma, muitos dos cardeais que vão eleger o novo papa são de uma geração intermediária entre os “novos” e os “velhos”. Daí porque tantos falam que o futuro pontífice deve ter um perfil conciliador.

Quem quiser saber se a constatação do padre é verdade basta ler o livro O Novo Rosto do Clero, do pesquisador Agenor Brighenti, professor e pesquisador da PUC-PR. A igreja de Medellín, de Puebla, com seu foco na evangelização e na libertação, cedeu espaço à dos padres com uma perspectiva mais institucional e carismática o que é visto pelo autor como um reflexo dos papados de João Paulo II e Bento XVI.

Trata-se de um clero em busca de referenciais seguros nos sacramentos e na tradição em meio à insegurança de critérios e de valores. Ele privilegia o perfil sacerdotal em relação ao profético ou se desloca, no caso dos carismáticos, da militância dos anos 1970 para a “mística na esfera da subjetividade individual”, na qual o sagrado impõe sua força pela sedução.

A integra da reportagem pode ser lida aqui.

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