#guerra. Artigo de Gianfranco Ravasi

Foto: Media Clinic | OHCHR

Mais Lidos

  • O manifesto perturbador da Palantir recebe uma enxurrada de críticas: algo entre o tecnofascismo e um vilão de James Bond

    LER MAIS
  • A socióloga traz um debate importante sobre como as políticas interferem no direito de existir dessas pessoas e o quanto os movimentos feministas importam na luta contra preconceitos e assassinatos

    Feminicídio, lesbocídio e transfeminicídio: a face obscura da extrema-direita que viabiliza a agressão. Entrevista especial com Analba Brazão Teixeira

    LER MAIS
  • Por que o ódio digital virou o novo fascismo, desmantelou a ONU e pariu Trump? Entrevista com Christian Dunker

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

07 Fevereiro 2024

"Também aqui, quando finalmente nos acomodamos às nossas mesas, o pobre corre o risco de “morrer” porque surge a indiferença. É quase uma atmosfera generalizada, especialmente nos tempos de bem-estar. Felizmente, porém, o voluntariado de muitos gera um sobressalto de caridade nos tantos indiferentes e talvez obrigue todos a notarem o homem esquecido ao pé da pirâmide econômica", escreve o cardeal italiano Gianfranco Ravasi, em artigo publicado em Il Sole 24 Ore, 04-02-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Existem para o pobre neste mundo duas grandes maneiras de morrer, seja pela indiferença absoluta de seus semelhantes em tempos de paz, seja pela paixão homicida dos mesmos quando chega a guerra. Brutal e devastadora, como havia sido a sua vida escandalosamente provocativa, Louis-Ferdinand Céline em sua obra mais conhecida, Viagem ao Fim da Noite (1932), afirma uma verdade da qual somos todos testemunhas. No centro está o pobre cujo grito se eleva - segundo a Bíblia - a Deus, mas infelizmente muitas vezes não chega ao ouvido do homem.

O escritor francês mostra os dois extremos da história, guerra e paz. O primeiro está diante dos nossos olhos através das telas de televisão, porque as terras de vários países estão manchadas de sangue. E aquele sangue é de tantos soldados simples que tiveram que deixar as suas famílias para mergulhar da tempestade de explosões e alongar a lista das vítimas, na maioria das vezes reduzidas a números.

Usamos acima o adjetivo “brutal”: é confirmado pelo verbo usado por Céline, “morrer”, porque aquelas mortes com as carnes dilaceradas são miseráveis, desprovidas de qualquer dignidade, humilhantes para cada pessoa. Por isso, é necessário aos governantes, cegos pelos seus delírios de prepotência, falar e trazer a paz porque, como afirma a tradição judaica, é “o fermento da massa do mundo".

O escritor, porém, introduz também o segundo extremo, que é precisamente o da paz. Também aqui, quando finalmente nos acomodamos às nossas mesas, o pobre corre o risco de “morrer” porque surge a indiferença. É quase uma atmosfera generalizada, especialmente nos tempos de bem-estar. Felizmente, porém, o voluntariado de muitos gera um sobressalto de caridade nos tantos indiferentes e talvez obrigue todos a notarem o homem esquecido ao pé da pirâmide econômica.

Leia mais