Ele sabia. Artigo de Edelberto Behs

Foto: Rodrigues Pozzebom | Agência Brasil

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27 Julho 2023

"O capitão também disse que estava muito feliz com o seu atual momento e que jamais vai reclamar. Mas no mesmo discurso queixou-se da decisão do TSE que o tornou inelegível. “Qual foi o crime? Corrupção não foi. Abuso de poder econômico não foi”, protestou. Esqueceu de mencionar as suas “denúncias” de que as urnas eletrônicas não eram confiáveis", escreve Edelberto Behs, jornalista.

Eis o artigo.

A Polícia Federal não precisa interrogar o inelegível. Ele se autodenuncia. Ele é um poço de contradições, como foi e é a marca de suas falas e postagens.

Após a audiência à PF em 12 de julho, o capitão afirmou a jornalistas que não tinha nada a ver com aquelas manifestações de 8 de janeiro. Que não se tratava de insurreição, porque ninguém dá golpe no Brasil em domingo e aquelas pessoas que apareceram na Praça dos Três Poderes, em Brasília, eram fiéis que estavam rezando, com bíblias debaixo do braço e nem mesmo canivete tinham no bolso!

Mas eis que o capitão foi agraciado, nove dias depois, com a Comenda Gomes de Souza Ramos – por que seria? –, outorgada pela prefeitura de Anápolis, Goiás. Empolgado talvez, declarou que “deixei o outro cara assumir”. Ou seja, ele permitiu a posse de Lula. Ou seja, o ex-presidente sabia de um golpe em gestação, ficou calado, não denunciou o atentado contra o Estado, e voou para os Estados Unidos antes de terminar o mandato.

Ou seja, ele não teve nada a ver com o golpe, mas aplicou o princípio do “se colar, colou”.

O capitão também disse que estava muito feliz com o seu atual momento e que jamais vai reclamar. Mas no mesmo discurso queixou-se da decisão do TSE que o tornou inelegível. “Qual foi o crime? Corrupção não foi. Abuso de poder econômico não foi”, protestou. Esqueceu de mencionar as suas “denúncias” de que as urnas eletrônicas não eram confiáveis.

Gastou montanhas do erário em benesses durante a campanha presidencial, dinheiro que faltou na Saúde, na Educação. Não é abuso de poder? Corrupção? Apenas tirava do salário de funcionários pagos pelo Estado para rechear o próprio bolso, a famosa rachadinha. Aquele colar e relógio que recebeu não contam.

O “grande” estadista arrolou os feitos do seu governo, entre eles o de ter transformado o Brasil no segundo país mais digital do mundo. E isso trouxe quais melhorias para o povo brasileiro?

Ora, o inelegível mencionou quatro ou cinco realizações do seu governo. Podemos arrolar pelo menos uma dezena de desmontes, desastres e destruição que ele “realizou”. Como o próprio afirmou num jantar em Washington, no dia 17 de janeiro de 2019, “temos que desconstruir muita coisa”. De fato, nesse sentido suas realizações foram magníficas.

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