EUA. Dom John Stowe quer que a Conferência Episcopal leve a sério as prioridades do Papa Francisco

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24 Novembro 2022

Apenas algumas horas depois que seus membros bispos votaram contra a candidatura do cardeal Joseph Tobin, arcebispo de Newark, para ser o nº 3 da hierarquia da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA – USCCB, em 16 de novembro, dom John Stowe, bispo capuchinho de Lexington, Kentucky, dava um perceptível sorriso amarelo. Em poucas horas, ele iria – novamente – implorar a seus colegas bispos que considerassem uma reescrita completa de sua declaração quadrienal de diretrizes católicas para o processo eleitoral “Forming Consciences for Faithful Citizenship” (“Formando Consciências para um Cidadania Fiel”, em tradução livre), com o objetivo de refletir as questões ecológicas e econômicas priorizadas na última década pelo Papa Francisco.

Essa decisão foi adiada por anos com compromissos elaborados sobre ajustes editoriais ou novas introduções ao documento, que foi redigido pela primeira vez em 2007. Stowe parecia resignado com um resultado semelhante em 2022, dois anos antes de uma importante campanha eleitoral presidencial.

“Na eleição de 2020, como na eleição de 2016, o argumento foi: ‘Bem, é tarde demais para fazer alguma coisa’”, disse ele. “Bem, não é como se não soubéssemos quando são as eleições”.

Os membros da conferência de fato votaram naquela tarde para adiar uma revisão de Faithful Citizenship – desta vez até depois da eleição de 2024, indicando que um documento totalmente novo sobre como os católicos dos EUA devem pensar sobre o voto não será concluído e distribuído até a eleição de 2028.

Nesta entrevista, dom Stowe fala de suas impressões gerais sobre a última assembleia geral da USCCB.

A entrevista é de Kevin Clarke, publicada por America, 22-11-2022. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Eis a entrevista.

O que você acha que a eleição de dom Timothy Broglio como presidente da USCCB diz sobre a direção que a conferência vai tomar nos próximos três anos?

Acho que diz que definitivamente não vamos na direção do Papa Francisco mais do que já fizemos, e isso é lamentável. Espero que Broglio possa nos unir um pouco melhor do que temos feito, mas também gostaria de ver a agenda de Francisco muito mais considerada nas prioridades dos bispos.

Logo após sua eleição, Broglio expressou a vontade de se encontrar com o presidente Joe Biden, o segundo católico a servir no cargo político mais alto do país. Você acha que a USCCB pode encontrar um terreno comum para trabalhar com Biden e os Democratas do Congresso, apesar das diferenças sobre o aborto?

Espero que Broglio e Biden se encontrem, e acho que se o arcebispo não começar seu mandato fazendo uma crítica ao presidente ou reunindo as tropas contra ele, isso pode ser uma possibilidade.

Costumávamos pensar que poderíamos trabalhar com os Democratas na questão da imigração; agora não tenho certeza porque os Democratas não tiveram muito sucesso a esse respeito. Acreditávamos que pelo menos a Ação Diferida para a Chegada de Jovens Imigrantes poderia ser aprovada. E os Democratas podem culpar as obstruções dos Republicanos por ainda não ter sido, mas também não parecem mais ter apetite para avançar.

Mas a imigração é uma área em que poderíamos trabalhar juntos, e outra área de possível terreno comum são as questões trabalhistas, se olharmos para o que nossa Igreja Católica ensina. Ainda, também temos que arrumar a nossa própria casa em termos de questões trabalhistas.

Fora da conferência, os críticos comparam os “bispos de Francisco” com outros membros que talvez estejam mais dispostos a se engajar nas guerras culturais dos Estados Unidos. Faz sentido falar sobre os membros da conferência dessa maneira?

Não tenho certeza de que, quando se trata de indivíduos, a rotulagem seja útil, mas você pode dizer que a conferência em si não está seguindo a agenda do Papa Francisco. Ainda não temos Laudato Si' ou qualquer coisa sobre meio ambiente em nossas prioridades. Não se fala em Fratelli Tutti. Hoje, vamos falar sobre Faithful Citizenship e a reedição de um documento antigo que não tem nenhuma menção a Fratelli Tutti.

Por que os bispos que apoiam a agenda do papa sobre o cuidado da criação e a justiça econômica, 10 anos depois de seu papado, não conseguem que mais assuntos sejam seriamente abordados pela conferência?

Não deve haver mais vontade e é isso que está demorando tanto. Ouvimos o núncio papal, dom Christophe Pierre, em seu discurso aos bispos, oferecer os maiores sucessos do Papa Francisco, mas você não encontra muita correspondência desses temas com a agenda da USCCB.

Parecia que o núncio mais uma vez estava gentilmente lembrando à conferência o que o papa espera deles. Eu acho que ele fez isso no ano passado também. Ele faz isso toda vez e então eles tomam uma direção diferente.

Em um passado não muito distante, uma USCCB mais engajada parecia ser mobilizadora em Washington, capaz de entrar nas salas onde as decisões eram tomadas e a política social dos EUA era discutida. Você acha que é esta conferência agora?

De jeito nenhum. Mas entre então e agora houve uma grande virada intencional para dentro da Igreja dos Estados Unidos, de modo que as prioridades foram a catequese; as prioridades eram a liturgia. As prioridades eram muitas coisas que não são políticas públicas.

Mas ainda temos o Catholic Relief Services. Ainda temos a Campanha Católica para o Desenvolvimento Humano, e ainda temos a CLINIC, trabalhando na imigração. Então a gente tem alguns órgãos importantes fazendo esse trabalho de políticas públicas.

E é para lá que vai grande parte da energia dos chamados bispos de Francisco?

É o que funciona para mim.

Você acha que o público católico está exausto da abordagem de confronto que alguns bispos parecem dispostos a continuar?

Acho que a conferência está se tornando cada vez mais irrelevante para os católicos comuns.

Como podemos mudar isso?

Sabe, é bom colocar esperança no sínodo – se levarmos a sinodalidade a sério, se realmente ouvirmos o que as pessoas estão dizendo, se deixarmos que isso forme as prioridades daqui para frente. E para aqueles que estão preocupados com o fato de o sínodo estar levantando questões que vão além da tradição do ensino da Igreja, bem, isso nos dá a oportunidade de ensinar. Mas estamos escutando as preocupações? E estamos tentando encontrá-las?

Não parece haver muito entusiasmo pelo processo sinodal entre muitos dos membros da conferência.

Não, toda a atenção vai para a National Eucharistic Revival [uma campanha nacional de “reavivamento eucarístico”]...

E 14 milhões de dólares...

Melhor do que 28...

Se os bispos desejam que a National Eucharistic Revival seja bem-sucedida, isso ajudaria a se reconectar com questões de políticas públicas que também energizam os católicos?

Estamos tentando conectar a campanha à missão. Até o Papa Bento e João Paulo II, quando falaram da Eucaristia, também se referiam a alimentar os famintos e tornar-se pão para os outros.

Apesar de sua frustração com a conferência, você parece manter uma atitude um tanto despreocupada sobre tudo isso. Como você encontra otimismo para seguir em frente?

Meu otimismo está com o Povo de Deus e meu otimismo está na vida pastoral da Igreja. Eu só gostaria que os bispos como um corpo pensassem se eles estão tendo um impacto, quão relevantes eles são ou não, e como toda essa conversa sobre evangelização tem que aparecer em algumas atitudes, palavras e ações.

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