A última vítima do negacionismo: as pesquisas

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27 Outubro 2022

"A negação da credibilidade das pesquisas é o último passo antes do ataque final à democracia, quando o bolsonarismo não aceitará a derrota no próximo dia 30 deste mês – como os dados persistem em apontar. Sempre é tempo de defender a Ciência, denunciar o obscurantismo, e lutar pela democracia, e hoje, o uso crítico das pesquisas significa realizar essas três tarefas ao mesmo tempo", escreve Vicente Brazil, doutor em Filosofia e professor da Universidade Estadual do CearáUECE.

Eis o artigo.

O bolsonarismo é fértil em negar a realidade. Já negaram a geoidicidade do planeta, as estatísticas de violência contra minorias, a existência do Coronavírus, a utilidade das máscaras, a imprescindibilidade do isolamento físico na pandemia, a eficácia das vacinas, a confiabilidade do sistema de urnas eletrônicas etc.

Mais recentemente, com o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, a nova mártir são as pesquisas de intenção de votos. É bem verdade que este ataque é antigo, em 2018 eles já afirmavam que os dados dos institutos de pesquisa eram falaciosos – apesar de todos apontarem a vitória do bolsonarismo desde o momento em que Lula, injustamente preso e impedido de concorrer, foi substituído por Haddad.

Thomas Kuhn e Karl Popper, desde o século passado já demonstravam a natureza transitória e falseável das Ciências. Dito de forma mais clara, todo conhecimento científico é dinâmico e passivo de erros, inerrância é uma categoria religiosa. Logo, quando os diversos institutos de pesquisa de intenção de votos apresentam valores aproximativos, tendências e curvas, nada mais fazem do que se adequarem aos mais altos padrões científicos.

O ataque às pesquisas – declarando-as desmoralizadas – é tão vil quanto injusto, especialmente quando liderado por alguém sem qualquer credibilidade moral. Nunca é demais lembrar que enquanto os grupos de pesquisadores tiveram um nível de imprecisão de três a cinco pontos – se considerarmos a margem de erro –, o “DataPovo” propagado pelo candidato que ficou em segundo lugar nas pesquisas, como estas bem apontavam, errou num percentual de 15% a 20% conforme o próprio candidato esbravejou na sua última “live” antes das eleições, quando este declarou que venceria em primeiro turno com uma votação acima de 60%.

A negação da credibilidade das pesquisas é o último passo antes do ataque final à democracia, quando o bolsonarismo não aceitará a derrota no próximo dia 30 deste mês – como os dados persistem em apontar.

Sempre é tempo de defender a Ciência, denunciar o obscurantismo, e lutar pela democracia, e hoje, o uso crítico das pesquisas significa realizar essas três tarefas ao mesmo tempo.

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