Itália e o gás russo. “Luzes apagadas na paróquia e na missa com o casaco”. Os padres contra o aumento das contas

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23 Setembro 2022

 

Alguns já estimaram que vão aquecer menos a igreja, outros vão tirar do sótão os fogões a lenha, outros ainda vão reduzir as luzes acesas. Alguns podem pedir ajuda aos fiéis ou publicar as contas nas redes sociais. Mas, para a maioria dos párocos italianos, o aumento da energia à vista é preocupante, sobretudo porque afetará as pessoas pobres, que já hoje recorrem à Caritas em busca de ajuda. Dom Ignazio Serra, pároco de Santa Sofia em San Vero Milis (Oristano) desligou a torre do sino: "Apagando as luzes, queremos chamar a atenção para a gravíssima situação que devem enfrentar famílias, empresas, lojistas, pequenos comerciantes, aposentados", explica. A política, defende, deve mover-se: "A inflação deixa todos de joelhos, incluindo as paróquias: vivemos de ofertas, como podem os fiéis dar um euro se também não o têm?"

 

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 22-09-2022. A tradução é de Luisa Rabolini

 

A apreensão ultrapassa os muros da casa paroquial e chega às redes sociais. Dom Andrea Rosati, pároco de San Vincenzo Ferrer, em Monte Marcone di Atessa (Chieti), publicou a conta de luz no Facebook, causando certa polêmica. “Eu só queria sensibilizar a comunidade paroquial também em previsão dos meses de inverno”. Em Scampia, Nápoles, Dom Alessandro Gargiuolo inverte a perspectiva: "As pessoas são muito generosas, mas têm suas dificuldades, e muitas vezes somos nós que temos que ajudar a comunidade, e não vice-versa", explica o pároco de Maria Santissima del buon remedio. As contas? "Estou me preparando para algumas surpresas, mas o que me preocupa são as famílias."

 

Problemas diferentes em Longarone (Belluno). A paróquia é feita de concreto em forma de onda, para relembrar o drama da barragem de Vajont. “Já é difícil aquecer em tempos normais”, explica o pároco: “Faremos a missa diária numa capela menor e aos domingos pediremos aos fiéis que venham mais abrigados”, continua Dom Augusto Antoniol. Mas o sacerdote não pensa em pedir ajuda aos paroquianos: "As contas são caras para todos, não só para nós: talvez peçamos às instituições, à Igreja, à prefeitura...".

 

Os custos de manutenção das igrejas são altos mesmo dentro do Vaticano. “Imagine o que significa tornar acolhedor um lugar bem iluminado quando chegam certas contas”, disse o Ir. Agnello Stoia, pároco da Basílica de São Pedro. E em Roma o Vicariato iniciou um diálogo com os fornecedores de eletricidade e gás para defender a causa dos párocos que administram grandes estruturas, especialmente em áreas desfavorecidas, oferecendo serviços pastorais e sociais à comunidade. Houve um primeiro encontro promissor para tentar reduzir as contas. A diocese também tem um gabinete especial que auxilia as paróquias na transição ecológica, ajudando na substituição de caldeiras antigas e no aumento de painéis solares. Não está excluído, além disso, que a ajuda, tanto para o Laterano como para outras paróquias de toda a Itália, venha da Conferência Episcopal Italiana, como já aconteceu durante a pandemia. Há alguns anos em Milão, as paróquias criaram a rede do Gad (Grupo de Compra Diocese) para comprar energia e gás a preços vantajosos. "Estamos preocupados tanto quanto todos os demais italianos", resume Dom Alberto Vitali, pároco de Santo Stefano Maggiore. O sacerdote é responsável diocesano pela pastoral dos migrantes e observa que os imigrantes “passaram por tantas dificuldades em suas vidas que são mais resilientes”. Quanto às ofertas, "se as pessoas tiverem menos dinheiro, talvez doem um pouco menos, mas na medida do possível farão como fizeram até agora".

 

Alguns sacrifícios podem ser benéficos para a alma: em Franciacorta, Dom Claudio Paganini tem se empenhado há algum tempo com o meio ambiente. Inspirado na encíclica Laudato si' do Papa Francisco, o pároco de Cellatica (Brescia) colocou iluminação LED, convida os fiéis a reduzir os desperdícios, já reduziu o aquecimento e, agora, anunciou que nos dias de semana vai cortar pela metade a iluminação na igreja.

 

"O exemplo é mais educativo do que tantas conversas sobre meio ambiente", comenta. E se os paroquianos ficarem com frio? “Talvez - diz ele sorrindo - eu encurte um pouco o sermão”.

 

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