13º Domingo do tempo comum – Ano C – Subsídio exegético

Foto: Fotorech | Pixabay

24 Junho 2022

 

"Em Lc 9,51 inicia a caminhada para Jerusalém. Esta jornada culmina em Lc 19,28 quando se inicia o conflito que o leva à cruz. Mais do que pensar num caminho geográfico, deve-se ver na narrativa um percurso teológicoJesus vai resolutamente ao encontro da cruz (Lc 9,51b), por isto, quem o seguir, deve abrir os olhos. Agora se desenha a radicalidade da opção por Cristo, ou contra ele. Com isto Lucas indica que os discípulos devem ter a mesma firmeza do mestre, ou então, não podem ser discípulos. Quem tem outros interesses não segue um mestre que vai ao encontro da cruz."


Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana - ESTEF:


Dr. Bruno Glaab
Me. Carlos Rodrigo Dutra
Dr. Humberto Maiztegui
Me. Rita de Cácia Ló

 

Leituras do dia

 

Primeira Leitura: 1Rs 19,16b.19-21
Segunda Leitura: Gl 5,1.13-18
Salmo: 15,1-2a.5.7-8.9-10.11
Evangelho: Lc 9,51-62

 

O Evangelho

 

A liturgia deste domingo reflete a radicalidade que se exige dos discípulos em vista do Reino. Em Lc 9,51 começa a subida para Jerusalém, onde se realizará a condenação e morte de Jesus. Por isto mesmo, quem quer ser discípulo do mestre, não pode titubear: ou assume todos os riscos da cruz, ou nada feito. Entre os seguidores não tem lugar para pessoas indecisas, ou que ainda tenham outros interesses a defender. Alguns estudiosos creem que este radicalismo era próprio de seguidores forasteiros que, como os apóstolos, abandonaram tudo, mas que nem todos os discípulos praticavam tudo isto. Havia muitos discípulos e discípulas que mantinham suas casas, suas famílias e, mesmo alguns bens. Percebe-se isto no relato de Ananias e Safira, quando Pedro lhe diz que ele poderia ter guardado seu patrimônio (At 5,4).

 

Em Lc 9,51 inicia a caminhada para Jerusalém. Esta jornada culmina em Lc 19,28 quando se inicia o conflito que o leva à cruz. Mais do que pensar num caminho geográfico, deve-se ver na narrativa um percurso teológico. Jesus vai resolutamente ao encontro da cruz (Lc 9,51b), por isto, quem o seguir, deve abrir os olhos. Agora se desenha a radicalidade da opção por Cristo, ou contra ele. Com isto Lucas indica que os discípulos devem ter a mesma firmeza do mestre, ou então, não podem ser discípulos. Quem tem outros interesses não segue um mestre que vai ao encontro da cruz.

 

No texto de hoje pode-se colher três lições fundamentais para quem quer seguir Jesus: 1) a questão com os samaritanos: havia velhas rixas entre judeus e samaritanos (2Rs 17). Jesus pede hospedagem na Samaria, o que um bom galileu não faria, pois os samaritanos eram considerados impuros. Ele não alimenta o preconceito racial. Diante da negativa dos samaritanos, proíbe a vingança desejada por Tiago e João. Nada de racismo, nem violência ou vingança; 2) a questão do teto: ninguém que queira seguir Jesus deve esperar mordomias. “O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Logo, seguir Jesus requer assumir todas as consequências; 3) romper com o passado: enterrar os pais e despedir-se da casa. O verdadeiro seguidor de Jesus não deve ter outras preocupações, a não ser o Reino. Esta também era uma ética de andarilhos. Os discípulos comuns permaneciam em seus lares, cuidavam dos pais, enterravam seus mortos. Portanto, o texto reflete a radicalidade de certos grupos que, literalmente abandonaram tudo, como mais tarde fez São Francisco, Santa Clara e tantos mais.

 

Quem, como Eliseu (1ªleitura) estiver com a mão no arado, não pode olhar para trás. Este sacrificou seu passado: bois e arado. E começou vida nova. Quem segue Jesus deve sacrificar o passado, isto é, seu mundo pessoal, seus próprios interesses e assumir a proposta do mestre que passa pela cruz. Os cristãos precisam colocar os interesses do Reino acima de todas as demais preocupações.

 

Relacionando com as outras leituras

 

1Rs 19,16b.19-21: nos tempos do Rei Acab (874-853 a.C.) o Reino do Norte (Israel) mergulhou na idolatria. O profeta Elias tem a árdua missão de chamar o povo de volta para o culto a Javé (1Rs 18,1ss). Porém, o profeta tem seu tempo. Ele não fica sempre. Por isto, ele precisa achar um continuador, pois sua missão continua. No gesto de Eliseu se percebe a disposição de responder de forma radical ao chamado. Ele rompe com seu passado: beija os pais e imola os bois. Pode-se dizer que o profeta mudou seu foco: seus interesses até então, isto é, sua família e sua roça onde lavrava, ficaram para trás. Agora, ele se põe a profetizar. Só quem deixa seu mundo é digno de viver uma verdadeira vocação.

 

Gl 5,1.13-18: quem optou por Cristo é livre, pois nele a velha lei caducou (Ef 2,15). Isto, no entanto, nunca deve ser entendido como liberdade para fazer o mal, ou libertinagem. Quem é de Cristo, faz as obras do espírito, e não as da carne. Em outras palavras, evita o mal e faz somente o bem. Relativiza tudo, como os andarilhos do evangelho e como o profeta Eliseu e vive somente para o Reino.

 

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