Caminho sinodal: a rasteira polonesa. Artigo de Marcello Neri

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23 Fevereiro 2022

 

 

"Para além do gosto duvidoso de algumas abordagens, como a do conhecimento atual das ciências humanas sobre a sexualidade comparadas com as teorias científicas sobre o racismo e a eugenia, permanece evidente o mal-estar diante de um catolicismo que está escapando das mãos da Igreja - justamente na Polônia, que se ergue a tutor continental diante das concessões da Igreja alemã aos poderes mundanos. Assim que se cruza a fronteira para o leste europeu, o problema passa a ser o Ocidente e suas instituições - pouco importa se são religiosas ou políticas", escreve o teólogo e padre italiano Marcello Neri, professor da Universidade de Flensburg, na Alemanha, em artigo publicado por Settimana News, 22-02-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

No site da Conferência Episcopal polonesa, foi postada uma carta enviada pelo presidente, Mons. S. Gadecki, ao colega alemão Mons. Bätzing. O tema da dura carta é o Caminho Sinodal da Igreja alemã: ao qual a Igreja polonesa atribui essencialmente um afastamento da doutrina da Igreja Católica.

Da ordenação de homens casados ao reconhecimento dos casais homossexuais na Igreja, dos ministérios da mulher ao direito do trabalho eclesiástico, da atenção às questões sociais ao desenvolvimento das ciências humanas - segundo o presidente da Conferência Episcopal polonesa, o catolicismo alemão teria enveredado pelo caminho que se afasta do ensinamento do Evangelho.

Daí a dramática urgência de intervir publicamente para invocar a responsabilidade episcopal dos colegas do outro lado do Oder. Culpa sua Igreja local de ser aquela que inocula a semente maligna da incredulidade em todo o continente europeu.

Por um lado, não há nada de novo nesse tipo de recepção do Caminho Sinodal da Igreja alemã – baseado mais na preocupação das “vozes” do que na efetividade dos textos deliberados no aguardo de sua redação e votação definitiva e por misturar e igualar tudo: onde disciplina eclesiástica, dogma, magistério, Evangelho, são amalgamados em um todo indistinto sem critérios de devida diversificação da dimensão normativa dos planos em questão.

Pelo outro lado, permanece o fato de uma intromissão oficial na vida da Igreja Católica alemã baseada na consciência de uma melhor custódia da verdade por parte da Igreja coirmã polonesa. Uma irritação talvez merecida pelo catolicismo alemão, que muitas vezes tende a se considerar o "melhor" possível disponível na Europa (e, às vezes, no mundo). Mas que suscita muito mais do que algumas dúvidas de mérito pela forma como foi expressa pela Igreja polonesa - que teria considerado como uma intrusão indevida qualquer carta desse tipo vinda de Berlim.

Para além do gosto duvidoso de algumas abordagens, como a do conhecimento atual das ciências humanas sobre a sexualidade comparadas com as teorias científicas sobre o racismo e a eugenia, permanece evidente o mal-estar diante de um catolicismo que está escapando das mãos da Igreja - justamente na Polônia, que se ergue a tutor continental diante das concessões da Igreja alemã aos poderes mundanos. Assim que se cruza a fronteira para o leste europeu, o problema passa a ser o Ocidente e suas instituições - pouco importa se são religiosas ou políticas. A carta de Gadecki a Bätzing cheira a essas atmosferas, nas quais se considera a incompatibilidade da declinação ocidental do catolicismo com a catolicidade da Igreja.

 

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