A Igreja não é propriedade privada da hierarquia, diz teóloga africana

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21 Outubro 2021

 

Uma teóloga da Costa do Marfim alertou os católicos contra a tentação de pensar que a Igreja é uma propriedade privada da hierarquia.

“Embora seja chamado de Sínodo DOS Bispos, para essa assembleia sinodal ser um evento de toda a Igreja e não apenas um assunto de ‘clérigos’, é importante garantir o envolvimento real e efetivo dos leigos na fase preparatória e na sua implementação”, disse a irmã Christiane Bake, professora de filosofia na Universidade Católica da África Ocidental, em Abidjã.

Bake, que é irmã de Nossa Senhora da Paz, na Costa do Marfim, tem doutorado em filosofia pelo Institut Catholique em Paris e um mestrado em teologia da Universidade de Poitiers.

Ela foi recentemente nomeada como membro do grupo nacional da Costa do Marfim para a fase preparatória da Assembleia do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade.

Em sua entrevista para La Croix Africa, ela lança luzes sobre o evento.

 

A entrevista é de Lucie Sarr, publicada por La Croix, 19-10-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

Eis a entrevista.

 

A fase diocesana da Assembleia Sinodal sobre a Sinodalidade começou em 17 de outubro nas igrejas locais. Quais são as expectativas para esse processo?

Convocar uma assembleia sinodal sobre a sinodalidade da Igreja é tornar os cristãos conscientes da própria natureza da Igreja: fazer um verdadeiro corpo dar importância a todos os membros.

Este Sínodo convida todos os cristãos a não mais permanecerem na situação de consumidores passivos, mas a se comprometerem decididamente na ação conjunta do anúncio da Boa Nova de Cristo.

O que está em jogo é o seu próprio tema: caminhar juntos em comunhão e com a participação de todos.

Embora seja chamado de Sínodo DOS Bispos, para essa assembleia sinodal ser um evento de toda a Igreja e não apenas um assunto de ‘clérigos’, é importante garantir – e este é o objetivo da Secretaria Geral do Sínodo – o envolvimento real e efetivo dos leigos na fase preparatória e na sua implementação

A Igreja não é propriedade privada da hierarquia, ainda que seja a responsável pelo seu bom funcionamento. Todos devemos estar cientes disso!

Proclamar a boa-nova não é prerrogativa apenas dos ministros ordenados.

Pelo batismo, os leigos têm o dever de se preocupar com a boa saúde da Igreja, o que exige a partilha de experiências de comunhão.

De todos os desafios, a comunhão se apresenta como um requisito inescapável para a realização de uma Igreja sinodal, como o Papa Francisco pediu de todo o coração.

Uma Igreja em missão é uma Igreja que permanece atenta às chamadas dos seus membros, ao mesmo tempo que se recusa a ser compartimentada.

A comunhão intra-religiosa é importante, mas também exige a comunhão inter-religiosa. É importante estar aberto para os outros.

Este é o sentido do convite do Papa Francisco para deixar nossos lugares de conforto e ir para as periferias.

 

Que caminhos você poderia sugerir para promover a sinodalidade na Igreja, especialmente na África? Como podemos garantir que este processo sinodal seja verdadeiramente inclusivo?

A atenção e a fidelidade ao vade-mécum proposto pela Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos pode favorecer a inclusão neste Sínodo.

O Anexo A do documento é precisamente muito programático e convida-nos a dar um interesse prioritário à escuta e à consulta do Povo de Deus nas Igrejas locais.

Na África, as equipes diocesanas e nacionais de contato terão que ser inventivas para chegar a todas as partes da Igreja, tanto nas áreas urbanas (onde a informação pode chegar mais facilmente) quanto nas áreas rurais.

Todos os canais de informação devem ser empregados: modernos e tradicionais. Aqui podemos citar os griots (poetas e contadores de histórias que transmitem a tradição oral). O papel deles tende a desaparecer, e é uma pena.

Lembro-me de minha infância, no vilarejo, desses mensageiros que, como sentinelas, nos acordavam pela manhã.

A serviço das autoridades das comunidades, eles tinham a responsabilidade de anunciar a todos as informações que levavam. Eles eram os detentores e arautos da tradição.

Nas paróquias, é necessário envolver todos os movimentos (serviço de catequese, grupos de oração, associações de mulheres, novas comunidades, etc.).

E no que diz respeito ao diálogo ecumênico, devemos também encorajar a participação de outros movimentos cristãos.

Esses movimentos, assim como todas as outras religiões (religiões tradicionais africanas, islamismo, etc.), têm algo a nos dizer sobre a comunhão.

Com as religiões tradicionais africanas em particular, pode ter chegado o momento de iniciar e/ou fortalecer o diálogo. Tanto a ignorância quanto a desconfiança deles são prejudiciais à missão de evangelização na África.

 

A sinodalidade é apresentada como uma forma de evitar abusos, especialmente de autoridade. Existem mecanismos para combater todos os tipos de abuso nas comunidades religiosas. O que as congregações religiosas poderiam contribuir para o Sínodo?

Na Igreja, todo tipo de abuso é, de fato, prova da falta de comunhão e igualdade entre os membros. Acima de tudo, é importante entender o que é o serviço da autoridade na Igreja.

E nisto não contemplamos Cristo no exercício da sua autoridade com os doze apóstolos: para ele, ser líder consistia sobretudo em amar os seus discípulos e em ouvir o seu desejo de vida e de santidade.

Nas congregações religiosas, a autoridade é entendida neste sentido: estar ao serviço da comunhão – comunhão entre os membros, comunhão com a Igreja.

A forma como as responsabilidades são organizadas, por exemplo (por mandatos limitados, ou co-responsabilidade), pode limitar os riscos de abusos, é verdade, sem excluí-los.

Em outras palavras, porque darem à comunhão fraternal uma importância central na comunidade, as congregações religiosas serão úteis nos grupos de contato.

Suas experiências com capítulos-gerais – onde as bases estão envolvidas e onde todas as forças da congregação são chamadas a participar – pode ser uma contribuição apreciável.

 

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