Exploração madeireira não autorizada no Amazonas chegou a pelo menos 464.759 hectares em apenas um ano

Foto: Bruno Kelly | Amazônia Real

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

16 Outubro 2021

 

Falta de transparência impediu a análise total da legalidade nos mais de 71 mil hectares com extração de madeira identificada no estado.

A reportagem foi publicada por EcoDebate, 14-10-2021.

Uma pesquisa inédita apontou que a área com exploração madeireira não autorizada pelos órgãos ambientais no Amazonas correspondeu, pelo menos, a 18 mil campos de futebol em apenas um ano.

Problema que pode ser ainda mais grave, pois a falta de acesso aos dados públicos impediu a análise da legalidade nos 71 mil hectares com extração de madeira identificados no estado no período estudado, entre agosto de 2019 e julho de 2020.

Baseado em imagens de satélite, o levantamento foi publicado pela Rede Simex, integrada por quatro organizações de pesquisa ambiental: Imazon, Idesam, Imaflora e ICV. Segundo o estudo, no período analisado, 71.091 hectares de floresta tiveram exploração madeireira no Amazonas, sendo pelo menos 18.992 hectares (26%) em locais não permitidos, como terras indígenas e unidades de conservação de proteção integral.

Apenas em territórios indígenas, a extração de madeira atingiu 9.576 hectares, o que corresponde a mais de 9 mil campos de futebol. Localizada no sul do estado e atravessada pela rodovia BR-230 (Transamazônica), a Tenharim Marmelos foi a terra indígena mais explorada, com 6.330 hectares, 66% de toda a extração de madeira identificada em territórios indígenas amazonenses.

Nas unidades de conservação de proteção integral, onde a retirada de madeira também não é permitida, foram explorados 9.416 hectares, sendo 7.316 deles (78%) apenas no Parque Nacional dos Campos Amazônicos. A área protegida também é localizada no sul do Amazonas, entre trechos dos rios Roosevelt, Branco, Madeirinha Guaribas e Ji-Paraná.

Em relação aos municípios, a pesquisa também revelou que a região sul foi a mais afetada. A área tem sido impactada pelo avanço de uma nova fronteira agrícola na Amazônia, com florestas sendo alvo de desmatamento e degradação florestal.

“No Sul do Amazonas, as cidades de Manicoré, Novo Aripuanã e Lábrea lideram o índice dos municípios com maior exploração madeireira, somando 51.781 hectares, 73% de toda a área com exploração madeireira no estado. São dados alarmantes, que indicam a necessidade de aumento da fiscalização e de medidas mais rígidas contra a exploração madeireira ilegal”, comentou Tayane Carvalho, pesquisadora do Idesam.

 

Falta de transparência impediu análise da legalidade

 

A falta de acesso dos pesquisadores a documentos oficiais do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), responsável pelo licenciamento de Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) no estado, impossibilitou a checagem da legalidade das áreas exploradas.

“Considerando que o cenário mais preocupante da extração madeireira está localizado no sul do Amazonas e principalmente considerando os volumes da exploração madeireira observadas em TIs e UCs, nesse território, pode-se inferir que há um indício de ‘esquentamento’ da madeira, o escoamento ilegal. Por isso, é preciso realizar estudos mais aprofundados para confirmar possíveis fraudes, o que só será possível quando tivermos acesso aos dados públicos, especialmente de movimentação madeireira. É uma situação extremamente preocupante, que necessita da dedicação urgente por parte do poder público”, alerta o pesquisador Pablo Pacheco, do Idesam.

Degradação – A exploração madeireira pode provocar a degradação florestal, que é um dano ambiental diferente do desmatamento. Na degradação, a floresta é continuamente empobrecida por distúrbios, como no caso da retirada de madeira sem planos de manejo. O empobrecimento da floresta ocorre com a redução da biomassa florestal, da biodiversidade e dos estoques de madeira comerciais. Já o desmatamento é quando ocorre o chamado “corte raso”, a remoção completa da vegetação, que pode ser feita com objetivo de converter a área em pastagem, lavoura ou garimpo, por exemplo.

Sobre a Rede Simex – Integrada por pesquisadores do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e do Instituto Centro de Vida (ICV), foi formada para que o Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex), que já era realizado no Pará e Mato Grosso, pudesse ser ampliado para outros estados da Amazônia.

 

Referência:

 

Vários autores. 2021. Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex): Mapeamento da exploração madeireira na Amazônia – Agosto 2019 a Julho 2020 (p. 1). Belém: Imazon, Idesam, Imaflora e ICV - Disponível aqui.

 

Leia mais