França. O bispo Eric de Moulins-Beaufort, presidente da Conferência Episcopal, anuncia reformas sobre o segredo de confissão

Foto: Ahmed Ashhaadh | Unsplah

Mais Lidos

  • Primeira encíclica do Papa Leão XIV reforça o conceito de dignidade ontológica absoluta, denuncia a não neutralidade tecnológica e concentração privada do poder digital e chega a um público que os documentos jurídicos não alcançam, diz advogado e pesquisador da área do Direito

    Magnifica Humanitas: “Uma leitura que nenhum documento governamental teria facilidade de fazer com franqueza”. Entrevista especial com Marcelo Chiavassa

    LER MAIS
  • O Apocalipse não é o fim do mundo, mas a salvação do cristão. Artigo de Enzo Bianchi

    LER MAIS
  • Estudos contestam declaração de Luciano Huck sobre dependência do Bolsa Família

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

14 Outubro 2021

 

A Conferência Episcopal Francesa avançou nesta terça-feira na contemplação de reformas sobre o segredo de confissão ao que estão obrigados os padres para poder conciliar esse sigilo sacramental com a necessidade de proteger os menores.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 12-10-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

A polêmica veio à tona no país depois que o presidente da Conferência Episcopal, Eric de Moulins-Beaufort, afirmara no início do mês na emissora France Info que o segredo de confissão “é mais forte que as leis”, pelo que foi convocado a uma reunião nesta terça com o ministro do Interior, Gérald Darmanin.

Ao deixar a reunião na sede ministerial, o líder eclesiástico reverteu suas declarações e reiterou a vontade da conferência em trabalhar por mudanças.

De acordo com o relatório divulgado na semana passada pela Comissão Independente sobre Abusos na Igreja Católica (CIASE, em francês), ocorreram pelo menos 300 mil casos de abuso ou violência sexual contra menores ou pessoas vulneráveis desde 1950, e foram identificados entre 2.900 e 3.200 religiosos pedófilos.

“A extensão dos atos de violência e agressões sexuais a menores revelados pelo relatório do CIASE exige que a Igreja reveja suas práticas. É necessário trabalhar para conciliar a natureza da confissão e a necessidade de proteger as crianças”, disse dom De Moulins-Beaufort em um comunicado.

Ele lembrou que “a fé apela à consciência de cada um e urge buscar o bem sem descanso, o que não pode ser feito sem respeitar as leis do país”.

Nesse sentido, pediu desculpas às vítimas e a todos os que se surpreendem pelo fato de que o debate desencadeado por suas declarações anteriores tenha predominado sobre o conteúdo do relatório e a consideração pelas vítimas.

A assembleia plenária que os bispos franceses realizarão de 3 a 8 de novembro servirá para “trabalhar juntos, com base no relatório do CIASE e suas 45 recomendações, sobre as medidas e reformas” a serem tomadas.

O apelo estendeu-se à comunidade não religiosa e convidou “mulheres e homens de boa vontade, crentes ou não”, a colaborar neste trabalho “ao serviço da proteção dos mais jovens, do acolhimento e acompanhamento das vítimas”.

Darmanin lembrou-lhes, como disse hoje num aplaudido discurso na Assembleia Nacional, que “nenhuma lei é superior às leis da Assembleia Nacional e do Senado e que não existe lei acima da República”.

“A República Francesa respeita todos os cultos e confissões ao mesmo tempo que respeita a República e as leis republicanas”, frisou o ministro, sublinhando que o sigilo da confissão prevê exceções, principalmente nos crimes cometidos com menores de 15 anos.

 

Leia mais