Antes de separar-se

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01 Outubro 2021

 

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Marcos 10,2-16, que corresponde ao 27º domingo do Tempo Comum, ciclo B, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

 

Eis o texto.

 

Hoje fala-se cada vez menos de fidelidade. Basta ouvir certas conversas para constatar um clima muito diferente: «Passamos as férias cada um por sua conta», «o meu marido tem uma ligação, tive dificuldade em aceitá-lo, mas o que poderia fazer? », «é que sozinha com o meu marido aborreço-me».

Alguns casais consideram que o amor é algo espontâneo. Se brota e permanece vivo, tudo vai bem. Se arrefece e desaparece, a convivência torna-se intolerável. Então, o melhor é separar-se «de forma civilizada».

Nem todos reagem assim. Há casais que percebem que já não se amam, mas continuam juntos, sem que possam explicar exatamente porquê. Só se perguntam até quando poderá durar esta situação. Há também aqueles que encontraram um amor fora do seu casamento e estão tão atraídos por essa nova relação que não querem renunciar a ela. Não querem perder nada, nem o seu casamento nem esse amor extraconjugal.

As situações são muitas e com frequência muito dolorosas. Mulheres que choram em segredo o seu abandono e humilhação. Maridos que se aborrecem numa relação insuportável. Crianças tristes que sofrem a falta de amor dos pais. Estes casais não precisam de uma «receita» para sair da sua situação. Seria demasiado fácil. O primeiro que lhe podemos oferecer é respeito, escuta discreta, alento para viver e, talvez, uma palavra lúcida de orientação. No entanto, pode ser oportuno recordar alguns passos fundamentais que sempre é necessário dar.

A primeira coisa é não renunciar ao diálogo. Há que esclarecer a relação. Revelar com sinceridade o que sente e vive cada um. Tratar de entender o que se oculta por trás desse mal-estar crescente. Descobrir o que não funciona. Dar nome a tantos agravos mútuos que se foram acumulando sem nunca serem elucidados.

Mas o diálogo não basta. Certas crises não se resolvem sem generosidade e espírito de nobreza. Se cada um se encerra numa postura de egoísmo mesquinho, o conflito agrava-se, os ânimos crispam-se e o que um dia foi amor pode converter-se em ódio secreto e mútua agressividade.

Há que recordar também que o amor se vive na vida comum e repetida do quotidiano. Cada dia vivido juntos, cada alegria e cada sofrimento partilhados, cada problema vivido como um casal, dão consistência real ao amor. A frase de Jesus: «O que Deus uniu, que não o separe o homem», tem as suas exigências muito antes de que chegue a ruptura, pois os casais vão-se separando pouco a pouco, na vida de cada dia.

 

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