Dinâmica demográfica e pandemia: nascimentos e óbitos gaúchos. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Foto: Pixabay

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05 Agosto 2021

 

"Nas próximas duas décadas o RS deve continuar tendo aumento da população, mas em ritmo cada vez menor", escreve José Eustáquio Diniz Alves, demógrafo e pesquisador em meio ambiente, em artigo publicado por EcoDebate, 04-08-2021.

 

Eis o artigo.

 

O estado do Rio Grande do Sul tinha uma população de apenas 434,8 mil habitantes segundo o censo de 1872, passou para 1,15 milhão em 1900, chegou a mais de 10 milhões no ano 2000 e atingiu 10,7 milhões na contagem do censo demográfico de 2010. A população gaúcha cresceu 25 vezes em 138 anos.

Todavia, este alto crescimento demográfico está com os dias contatos, segundo as projeções do IBGE. O gráfico abaixo mostra que o número anual de nascimentos do RS estava em 134 mil em 2010, subiu para 150 mil em 2015, caiu para 142,7 mil em decorrência da epidemia da Zika e voltou a subir em 2017 para 144 mil. Nota-se que a recuperação de 2017 não voltou ao patamar de 2015 e que a partir de 2017 o número de nascimentos iniciou uma trajetória de queda contínua. Já o número de óbitos, que eram de 72 mil em 2010 passaram para 82 mil em 2019, apresentando uma tendência continuada de alta devido ao processo de envelhecimento populacional, sendo que o RS é a Unidade da Federação mais envelhecida do país.

Pela projeção do IBGE as curvas de nascimentos e mortes irão se encontrar em 2039, com números de nascimentos e óbitos em torno de 115 mil. A partir daí as curvas se invertem e o estado do Rio Grande do Sul iniciará um processo de decrescimento populacional estrutural no restante do século. A estimativa é que haverá 97 mil nascimentos e 144 mil óbitos em 2060, com redução vegetativa de 47 mil pessoas.

 

Contudo, a pandemia da covid-19 provocou alterações conjunturais que não alteram o rumo geral da transição demográfica gaúcha, mas que pode antecipar alguns números da tendência estrutural. Os registros da pandemia mostram que o estado do Rio Grande do Sul já registrou 1,4 milhão de pessoas infectadas e mais de 33,4 mil mortes. Além disto houve uma redução do número de nascimentos, pois muitas mulheres e casais adiaram suas decisões reprodutivas em função da gravidade do quadro pandêmico.

Desta forma, enquanto as projeções do IBGE, para os primeiros sete meses de 2021, indicavam 81,6 mil nascimentos e 49,2 mil óbitos (crescimento vegetativo de 32,4 mil pessoas), os registros do Portal da Transparência do Registro Civil registraram 75.971 nascimentos e 76.600 óbitos, um decrescimento vegetativo de 629 pessoas. Portanto, a pandemia antecipou (momentaneamente) a redução populacional do estado mais meridional do país.

 

 

Com o fim da pandemia deve haver redução dos óbitos e aumento dos nascimentos, mas dentro do marco das projeções do IBGE. Nas próximas duas décadas o RS deve continuar tendo aumento da população, mas em ritmo cada vez menor. Com menores taxas de fecundidade, a base da pirâmide etária vai diminuir e haverá um aumento do envelhecimento populacional. Assim, em algum momento da década de 2030 a população gaúcha vai começar um contínuo e persistente processo de decrescimento demográfico.

Esta nova realidade parece ser inexorável. Evidentemente, as ideologias pronatalistas vão lamentar o passado e reclamar da nova configuração. Mas não adianta querer contrariar as opções das pessoas, mas sim defender políticas públicas que garantam o bem-estar social e ambiental diante de um novo cenário que vai caracterizar os outros quinhentos anos da história gaúcha e brasileira.

 

Referências

ALVES, JED. Óbitos podem superar os nascimentos no Brasil pandêmico, Ecodebate, 05/04/21. Disponível aqui.

ALVES, JED. População e transição demográfica no Brasil: 1800-2100, Ecodebate, 07/07/21. Disponível aqui.

ALVES, JED; CAMARANO, AA. Tendências demográficas e pandemia de covid-19, Webinário IPEA, 23/06/2021. Disponível aqui.

ALVES, JED. Três séculos de população no Brasil e os três bônus demográficos, Apresentação Webinário IPEA, 23/06/2021. Disponível aqui.

 

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