O bangue-bangue da Igreja estadunidense. Artigo de Marcello Neri

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26 Julho 2021

 

"Enquanto a Conferência episcopal estadunidense posa de paladina da defesa da liberdade religiosa no mundo, parece ser totalmente incapaz de um mínimo respeito pessoal entre seus membros - correndo o risco de cair no ridículo", escreve o teólogo e padre italiano Marcello Neri, professor da Universidade de Flensburg, na Alemanha, em artigo publicado por Settimana News, 23-07-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo. 

 

No momento, os acontecimentos da Igreja Católica estadunidense se encaixam entre a novela de sempre e os mexericos hollywoodianos.

O tom do confronto cai de nível dia após dia, comprometendo a já escassa credibilidade de uma Igreja dilacerada, que não tem nenhuma vontade sequer de imaginar algum tipo de processo de reconciliação. Pelo menos no que diz respeito aos bispos, os católicos comuns são chamados a engolir o sapo de uma instituição que só desperta aversão.

Há poucos dias foi divulgado o comunicado de imprensa do bispo de Cincinnati, Mons. D. Schnurr, a respeito da presença do Presidente Biden em um encontro da prefeitura da cidade organizada pela Mount St. Joseph University.

Schnurr enfatiza que a Universidade, propriedade das Irmãs da Caridade, não pediu sua autorização para convidar Biden para um encontro que seria realizado em seu recinto, afirmando que não o teria concedido - sem especificar os motivos dessa sua hipotética negativa.

Depois disso, explodiu o caso Burril, o secretário-geral da Conferência episcopal estadunidense - forçado a renunciar após uma reportagem do site online The Pillar em que, graças à coleta de dados de um aplicativo instalado no celular de Burril, este último era vinculado a um círculo online de encontros de pessoas homossexuais.

A revista dos jesuítas estadunidenses America afirma que com o caso Burril "a Igreja estadunidense entrou perigosamente numa nova realidade" (Z. Davis) - pela forma de jornalismo envolvida, pelo uso que é feito de informações pessoais, pela instrumentalização que tudo isso comporta na vida da Igreja local.

Na guerra de todos contra todos, que é a condição do catolicismo estadunidense hoje, há uma disponibilidade para desmantelar todos os limites éticos, profissionais, de privacidade e de simples decência.

Z. Davis conclui seu artigo levantando a questão mais séria e onerosa - a da chantagem transversal do episcopado estadunidense, onde todos se mantêm reféns uns dos outros sob a ameaça de uma publicação de comportamentos pessoais, reais ou alegados, comprometedores.

Enquanto a Conferência episcopal estadunidense posa de paladina da defesa da liberdade religiosa no mundo, parece ser totalmente incapaz de um mínimo respeito pessoal entre seus membros - correndo o risco de cair no ridículo.

Mas uma grande parte do corpo episcopal e amplos setores do catolicismo estadunidense não parecem se importar com essa degeneração, tanto seu empenho em vencer a guerra contra seus dois grandes inimigos: o Papa Francisco e o Presidente Biden.

Custe o que custar, mesmo sem saber o que vai se ganhar com isso - se não uma mísera e triste vitória de Pirro (eventualmente).

 

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