Joe Biden e o catolicismo nos Estados Unidos

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29 Junho 2021

 

Um livro ágil que tem o mérito de propor de forma direta, mas não banal, um dos grandes temas da política ocidental: a relação entre catolicismo e vida pública nos Estados Unidos. Um tema bastante negligenciado na Europa, e especialmente na Itália, onde frequentemente a percepção da dinâmica política em estrelas e listras é prejudicada pela falta de compreensão de determinadas realidades culturais. É por isso que Joe Biden e il cattolicesimo negli Stati Uniti de Massimo Faggioli (Scholé, Brescia, 2021, p. 208) pode ser um instrumento precioso para quem deseja repercorrer a trajetória histórica que levou o atual presidente à Casa Branca.

A reportagem é de Giuseppe Fiorentino, publicada por L'Osservatore Romano, 25-06-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Joe Biden e il cattolicesimo negli Stati Uniti de Massimo Faggioli (Scholé, Brescia, 2021, p. 208)

 

Uma trajetória que "começou" com a derrota de Al Smith nas eleições de 1928 e que envolveu três outros candidatos católicos, dois dos quais, John Fitzgerald Kennedy e Joe Biden, venceram seu adversário, enquanto John Kerry foi derrotado em 2004 por George W. Bush.

Faggioli tem uma longa experiência nos Estados Unidos, primeiro como professor e depois como jornalista para revistas como Il Regno, Jesus, Limes, Il Mulino e o Huffington Post, mas também, do lado anglófono, para jornais como como Commonwealth, La Croix International, o National Catholic Reporter e o London Tablet. Na introdução, o autor expressa um sincero agradecimento aos estudantes estadunidenses que acompanharam seu curso sobre catolicismo e política nos Estados Unidos e seu seminário sobre catolicismo e modernidade política. Mas, acima de tudo, agradece "àquele incrivelmente vital e variegado mundo católico, feito de colégios e universidades, dioceses e paróquias, ordens religiosas, associações e movimentos". Uma realidade que garante uma presença generalizada de serviço dos católicos no território e que confere ao catolicismo estadunidense uma unicidade em nível mundial.

Mas, como a história ensina, o mundo católico de estrelas e listras nunca mostrou unidade em apoiar os candidatos católicos em sua corrida para a Casa Branca. Os quatro candidatos que entraram em campo até agora, todos pelo Partido Democrata, pelo contrário, receberam a aversão do eleitorado católico mais tradicionalista, muitas vezes mais próximo a posições republicanas.

O que faz a diferença são as questões éticas, a começar pela defesa da vida, mas também é verdade que certo tipo de eleitorado católico se reconhece mais na visão republicana abertamente contrária ao welfare state. Por isso, tem acontecido com frequência que parte do episcopado estadunidense tenha se posicionado contra os candidatos católicos, que historicamente já tiveram que superar a desconfiança, senão mesmo a hostilidade, que acompanhou a presença católica no país.

Tudo isso teve e tem repercussões diretas nas relações entre a Igreja estadunidense e a Santa Sé e nas relações entre a Santa Sé e Estados Unidos, relações que, convém lembrar, alcançaram o mais alto nível diplomático "apenas" em 1984, durante o papado de João Paulo II e a presidência de Ronald Reagan.

Neste complexo contexto se insere a eleição de Joe Biden, que teve que superar a aversão aberta de uma específica intelectualidade tradicionalista, que tentou impor sua voz também no Vaticano. E que teve que enfrentar um ataque sem precedentes, mesmo antes de sua posse, que se concretizou na marcha inglória sobre o Capitólio. Faggioli escreve: “A Igreja Católica dirigida por Francisco hoje é uma das vozes mais importantes na salvaguarda da convivência civil, dos mecanismos constitucionais criados para garantir o sistema democrático e uma cultura institucional que se opõe a qualquer tipo de derivas nacionalistas e iliberais”. Este é um ponto certo de convergência, assim como a reapropriação pelos Estados Unidos de uma práxis política voltada para o multilateralismo, depois dos anos do America first e dos fechamentos.

A ideia retomada por Biden durante seu juramento de trabalhar todos juntos para o bem comum (o que, por exemplo, trouxe os Estados Unidos de volta ao acordo climático de Paris) é um tema fundamental do magistério de Francisco. Nisso Faggioli vê o que define "um alinhamento profundo" que se expressa na "recusa em renunciar a uma avaliação otimista da criação".

A presidência de Biden pode, portanto, marcar uma nova oportunidade, porque como católico na vida pública ele “reflete a ideia de que a política é uma profissão profundamente nobre, uma forma de ministério, uma vocação laical. Biden é um daqueles crentes para quem a vida pública não é teatro, a religião não é um conjunto de regras e os aspectos paradoxais do catolicismo não podem ser resolvidos matematicamente com os aut aut dos cultural warriors”.

 

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