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13 Julho 2021

 

“Todas as gerações deveriam possuir o direito de refazer sua própria história com novos métodos, fontes, paradigmas teóricos e com a visão de sua época. Porém, em Cuba, esse direito parece ficar outorgado somente a esses que atuam dentro da linha invisível limitada como 'dentro da revolução'”, escreve Julio Pernús, doutor em filosofia pela Universidad de La Habana, comunicador da Companhia de Jesus em Cuba e redator da revista Amor y Vida, em artigo publicado por Jesuítas da América Latina, 06-07-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

Eis o artigo.

 

Na realidade não sei se este tipo de artigo se ajusta ao que o leitor de um meio de comunicação católico espera ler, mas trago duas ou três palavras sobre a realidade de Cuba, que me pareciam oportunas compartilhar com audiências internacionais. O tempo é um dos tesouros de maior valor no mundo atual e se está esgotando a possibilidade de aproveitá-lo para reverter a desesperada situação social que vive o país. Pelo rumo que estão tomando as ações, dentro de pouco não poderemos sair de forma pacífica do ecossistema totalizador onde estamos vivendo.

Há alguns dias, dois jovens católicos, Leonardo Manuel Fernández Otaño, que trabalha como pesquisador da Companhia de Jesus, e Carolina Sansón, trabalhadora do Centro Cultural P. Félix Varela, foram interrogados ao irem perguntar na Villa Marista – unidade principal de segurança do Estado – pelo artista preso Hamlet Lavastiva. O que ocorreu faz parte de uma onda repressiva acentuada nos últimos tempos contra a comunidade artística e intelectual do país que diverge do poder.

Todas as gerações deveriam possuir o direito de refazer sua própria história com novos métodos, fontes, paradigmas teóricos e com a visão de sua época. Porém, em Cuba, esse direito parece ficar outorgado somente a esses que atuam dentro da linha invisível limitada como “dentro da revolução”, definição de Fidel em algumas palavras aos intelectuais há 60 anos, onde se traçou a linha definitiva da política cultural do país.

Enquanto escrevo estas linhas, Hamlet Lavastida permanece preso, um reconhecido artista plástico cubano que acaba de regressar de uma estadia na Alemanha. Acusam-no de instigação a delinquir, porém, seu caso apenas é uma amostra de várias detenções arbitrárias que estão sendo feitas, sobretudo contra a comunidade artística dissidente, e retorna a uma etapa muito dolorosa dentro do passado cubano, conhecida como a Primavera Negra (2003), onde 75 dissidentes foram julgados a mais de 20 anos de prisão. Nessa ocasião, suas condenações foram impugnadas graças à intervenção da Igreja Católica.

Pode que alguns leitores se perguntem por que a Igreja em Cuba, configurada historicamente na voz de seus bispos, não se pronunciou contra estas arbitrariedades. Entre outros assuntos, porque se necessita de um aggiornamento de toda a estrutura eclesial atual, pois se desenhou para um contexto principalmente analógico e o mundo atual é digital. Ademais que se as cartas pastorais da conferência dedicam-se a expor ocorridos como estes todo o tempo, terá um ponto em que não poderão se desmarcar nunca mais da etiqueta “dissidente” e isso fecha qualquer canal de negociação futura, quando são dos poucos atores da sociedade civil com a credibilidade suficiente para a urgente construção de um reconciliado tecido social.

Porém, sem dúvidas, está surgindo uma nova eclesiologia nacional visibilizada, sobretudo, na república digital que significa Internet, materializada em diversos atores laicos que unem suas vozes proféticas ao grito dos oprimidos na nação. Quando a desesperança de escrever estas ideias me veio à cabeça, eu quis fugir para que outro escrevesse uma narrativa diferente de nossa realidade, porém, quando uma história se faz necessidade, não há mais opção de fazê-la texto.

Como esperança imediata, temos várias vacinas candidatas que abrem caminho em meio à pior onda da pandemia no país. Não peço a nenhum leitor que compre apenas os pensamentos que aparecem nestas palavras, porém rogo para não fecharem os olhos desde a Igreja ante a confusão armada por alguns jovens que tratam de tecer, com os poucos traços políticos que a vida lhes deixou, uma utopia democrática.

 

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