Cristianismo. Eva uma, nenhuma e cem mil: a teologia feminina que derruba barreiras

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15 Junho 2021

 

"Não é por acaso que a teologia feminina é considerada o diabo por aqueles clérigos de direita que só prestam atenção à doutrina e ao formalismo dos ritos religiosos", escreve Fabrizio D'Esposito, em artigo publicado por Il Fatto Quotidiano, 14-06-2021. A tradução de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

Eva e a serpente, a maçã e o pecado original. É a imagem bíblica do Gênesis que associa à primeira mulher da humanidade o conceito negativo de "queda", bem como o estereótipo da passividade feminina diante do desejo sexual, diante da dominação masculina de Adão. No entanto, como escreve Cristina Simonelli, “Eva é uma, Eva é nenhuma, Eva é cem mil”. E ainda: “Não há dúvida de que Eva (...) traz o tema da sexualidade, de várias maneiras. A ideia de geração de filhos está certamente ligada a ela, mas a questão do 'sexo' também transparece na transgressão, que muitas vezes foi interpretada como uma abordagem sexual, provavelmente também pela sugestão criada pela forma sinuosa, e ao mesmo tempo, erétil da serpente tentadora”. Porém "pode-se e talvez deva-se objetar que não há razão para referir a sexualidade apenas a Eva". Portanto, é errado descrevê-la como uma espécie de Vênus do Éden.

Eva, la prima donna. Storia e storie

Intitula-se justamente Eva, la prima donna. Storia e storie (Eva, a primeira mulher. História e histórias, em tradução livre, Il Mulino, 172 p., 15 euros) o ensaio que Cristina Simonelli, ex-presidente da Coordenação das Teólogas Italianas (CTI), dedicou a esta figura "mítica" da Bíblia, muitas vezes contraposta ou colocada ao lado de Maria, mãe de Jesus. Adentrar-se no universo da teologia feminina (e também feminista) contribui em primeiro lugar para ter finalmente um olhar matriarcal sobre a fé e a Igreja, onde o estudo e a elaboração exploram temas sensíveis e divisionistas (para os fiéis) com decisão e sem fechamentos, como a homossexualidade e a ideologia de gênero, bem como, obviamente, a problemática questão do sacerdócio e do diaconato para as mulheres.

Não é por acaso que a teologia feminina é considerada o diabo por aqueles clérigos de direita que só prestam atenção à doutrina e ao formalismo dos ritos religiosos. Nessa linha, justamente nos últimos dias, a CTI renovou seu quadro diretivo e no lugar de Simonelli foi eleita presidente Lúcia Vantini, que em seu discurso de apresentação reiterou a necessidade de "ultrapassar as fronteiras": "Precisamos também da coragem para ultrapassar as fronteiras para outras direções, para além daqueles temores que obrigam a prender a respiração e a sentir-se em dívida com realidades fechadas a esta esperança obstinada das mulheres ativas nas nossas comunidades e daqueles que as amam, as ouvem e as apoiam".

Além disso, também no livro de Simonelli, dividido em capítulos definidos como "salas" pela autora, essa inspiração regeneradora é captada em relação a Eva e às suas companheiras consideradas apenas pecadoras e tentadoras: basta pensar na tradição "distorcida" sobre Maria Madalena, que foi a primeira discípula a ver o Cristo ressuscitado.

Sua reabilitação, entretanto, não é em função de um despotenciamento do eros. Muito pelo contrário. A "concretude da carne" se combina com a "espiritualidade e ternura". Pois o problema é a passividade sexual. Daí os "pontos de vista positivos" na "transgressão de Eva". Positivos, escreve Simonelli, “no sentido de superar a ignorância e as fronteiras impostas e, sobretudo, no sentido do verdadeiro e próprio início da história humana, que trata dos limites a serem resguardados e barreiras a serem rompidas, continuamente”.

 

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