Stiglitz e Spence alertam: a recuperação pós-covid será mundial ou não acontecerá

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31 Março 2021

 

As economias desenvolvidas começam a ver a luz no fim do túnel da pandemia. O aumento do número de vacinas e de vacinados, somado aos programas de estímulo econômico dos governos e dos bancos centrais, começam a se materializar na queda do desemprego, em países como os Estados Unidos, e em bolsas com níveis recordes como Wall Street. No entanto, o mundo subdesenvolvido não está participando dessas vantagens. Por isso, Joseph Stiglitz e Michael Spence, entre outros, alertam que a economia planetária só avançará se for de forma conjunta, contando também com os mais desfavorecidos.

A reportagem é publicada por El Economista, 24-03-2021. A tradução é do Cepat.

Os dois prêmios Nobel fazem parte do Instituto do Novo Pensamento Econômico (INET, na sigla em inglês), que elaborou um relatório no qual destacam que alcançar a recuperação mundial de forma rápida exige que todos países sejam capazes de superar o coronavírus. Como consequência, solicitam que as economias mais avançadas, assim como o Fundo Monetário Internacional (FMI), colaborem para ajudar os países subdesenvolvidos.

Em um texto para Project Syndicate, estes economistas alertam que o vírus pode chegar a novas cepas, sendo assim, “ninguém está a salvo até que todos estejamos a salvo”. Desse modo, apontam que é básico que as vacinas e os outros atendimentos médicos necessários cheguem a todos os países, o quanto antes.

Neste ponto, destacam um primeiro problema que é o relativo à propriedade intelectual dos produtos para lutar contra a doença, algo em que os países subdesenvolvidos “sucumbiram” às pressões dos grupos empresariais e colocaram em marcha um “nacionalismo pandêmico” que se manifestou de forma evidente. O relatório defende a solução desta questão como uma primeira medida para o avanço global, dadas as excepcionais circunstâncias.

Mas, no estritamente econômico, Stiglitz, Spence e os outros elaboradores do documento concordam que o último ano deixou claro que “a austeridade é contraproducente” em crises como a atual. Os auxílios fiscais e o endividamento dos Estados para manter a economia funcionando demonstraram ser fundamentais. E aqui subjaz o problema de fundo: tais políticas não podem ser tomadas pelos países menos desenvolvidos por sua falta de poder econômico.

Por isso, o relatório sugere três medidas para estimular estes estados. Por um lado, solicitam que o FMI reparta 650 bilhões em ajudas na forma de direitos especiais de giro. Em segundo lugar, pedem que tal organismo internacional seja coerente com suas petições aos países para aplicar ajudas fiscais em massa e aumento do gasto público, de modo que o FMI pare de exigir dos países que ajuda cortes no gasto público que prejudiquem a recuperação dos países mais afetados.

Finalmente, e na mesma linha, convida os países desenvolvidos a dar “uma resposta global” para a dívida que os países subdesenvolvidos contraíram, em forma de reestruturações ou suspensões dos pagamentos. “Não se deve obrigar os países a devolver o que não podem pagar, especialmente quando pode conduzir a muito sofrimento”, alegam.

Assim, Stiglitz, Spence e os outros participantes no documento ressaltam que estas políticas “beneficiariam enormemente o mundo em desenvolvimento e teriam um custo mínimo ou nulo para os países desenvolvidos”. “É possível fazer tudo isto rapidamente, se os líderes políticos do mundo desenvolvido reconhecerem que uma economia mundial saudável não é possível sem a recuperação de suas partes mais pobres”, conclui o relatório.

 

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